Quem és tu e o que te entusiasma?

Às vezes esquecemo-nos de parar e fazer a pergunta mais simples e, ao mesmo tempo, mais difícil: Quem sou eu?
Vivemos tão ocupados em responder às expectativas dos outros, em corresponder a papéis que nos atribuem, que acabamos por nos afastar daquilo que realmente nos move.
Mas basta olharmos para o mundo das crianças para recordarmos a importância do entusiasmo. Elas vivem com os olhos brilhantes diante das pequenas coisas: uma borboleta no jardim, um castelo feito de areia, uma história contada antes de dormir. Para elas, tudo é possibilidade, tudo é descoberta. O entusiasmo é natural, quase inato.
E nós, adultos, tantas vezes deixamos esse brilho escapar.
Mas a verdade é que todos temos algo que nos entusiasma — seja escrever, pintar, viajar, ensinar, cuidar, ouvir música ou simplesmente estar com quem amamos. O entusiasmo não precisa de ser grandioso para ser verdadeiro — basta que seja autêntico.
O entusiasmo é combustível. É ele que nos dá força para atravessar dias cinzentos e que transforma pequenas conquistas em vitórias gigantes. É também uma bússola: aponta-nos para onde queremos ir, mostra-nos o que vale a pena investir tempo e energia.
Talvez devêssemos reaprender com as crianças a maravilhar-nos com o simples. A acreditar que há magia em cada detalhe.
Então, pergunta a ti mesmo: o que faz os teus olhos brilharem como os de uma criança?
Quando encontrares a resposta, não a deixes fugir. Agarra-a, cultiva-a, protege-a. Porque é no entusiasmo que descobrimos a nossa identidade e a nossa felicidade.
E talvez a melhor forma de responder a “Quem és tu?” seja, no fundo, dizer:
— Eu sou aquilo que me entusiasma.
Nelson Pradinhos








