Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Onde o Mar Encontra as Palavras

Entre silêncios, memórias e aquilo que ainda quero dizer

Onde o Mar Encontra as Palavras

Entre silêncios, memórias e aquilo que ainda quero dizer

Sex | 29.08.25

Quem és tu e o que te entusiasma?

Nelson Pradinhos

wp7809502.jpg

Às vezes esquecemo-nos de parar e fazer a pergunta mais simples e, ao mesmo tempo, mais difícil: Quem sou eu?
Vivemos tão ocupados em responder às expectativas dos outros, em corresponder a papéis que nos atribuem, que acabamos por nos afastar daquilo que realmente nos move.

Mas basta olharmos para o mundo das crianças para recordarmos a importância do entusiasmo. Elas vivem com os olhos brilhantes diante das pequenas coisas: uma borboleta no jardim, um castelo feito de areia, uma história contada antes de dormir. Para elas, tudo é possibilidade, tudo é descoberta. O entusiasmo é natural, quase inato.

E nós, adultos, tantas vezes deixamos esse brilho escapar.


Mas a verdade é que todos temos algo que nos entusiasma — seja escrever, pintar, viajar, ensinar, cuidar, ouvir música ou simplesmente estar com quem amamos. O entusiasmo não precisa de ser grandioso para ser verdadeiro — basta que seja autêntico.

O entusiasmo é combustível. É ele que nos dá força para atravessar dias cinzentos e que transforma pequenas conquistas em vitórias gigantes. É também uma bússola: aponta-nos para onde queremos ir, mostra-nos o que vale a pena investir tempo e energia.

Talvez devêssemos reaprender com as crianças a maravilhar-nos com o simples. A acreditar que há magia em cada detalhe.

Então, pergunta a ti mesmo: o que faz os teus olhos brilharem como os de uma criança?


Quando encontrares a resposta, não a deixes fugir. Agarra-a, cultiva-a, protege-a. Porque é no entusiasmo que descobrimos a nossa identidade e a nossa felicidade.

E talvez a melhor forma de responder a “Quem és tu?” seja, no fundo, dizer:
— Eu sou aquilo que me entusiasma.

 

Nelson Pradinhos

 

Qui | 28.08.25

Convite Especial ✨

Nelson Pradinhos

PreviewFeiraLivro.jpg

No próximo 31 de agosto, às 16h, vou estar na Feira do Livro do Porto, nos Jardins do Palácio de Cristal, para a minha sessão de autógrafos do livro "Camila e a Aventura no Dia das Bruxas!" 🎃

Vai ser um momento muito especial para mim, e adorava partilhá-lo convosco!
Tragam os mais pequenos, tragam a vossa curiosidade e deixem-se encantar pela Camila e pelas suas aventuras mágicas.

 E claro, levo caneta afiada e muitos sorrisos para autografar o vosso exemplar.

Venham celebrar comigo este sonho tornado realidade. 💜
Espero por vocês na Feira do Livro do Porto!

 

Nelson Pradinhos

 

Ter | 26.08.25

"A Loja Coreana das Segundas Oportunidades", Kim Ho-Yeon

Nelson Pradinhos

IMG_20250620_230318_188.webp

Este é um daqueles livros que nos tocam de forma subtil, mas profunda. 
Com uma escrita simples, direta e muito fluida, Kim Ho-yeon consegue construir uma história cativante que fala sobre segundas oportunidades, sobre os laços invisíveis que nos unem e nos salvam.

É também um livro sobre os pequenos gestos — aqueles que muitas vezes parecem insignificantes, mas que podem transformar um dia, mudar uma vida ou até resgatar alguém de um momento de escuridão.

A narrativa faz-nos refletir sobre como a bondade e a empatia podem ser faróis no meio da rotina, e como todos nós temos o poder de sermos parte da mudança, mesmo nos detalhes mais simples.

Um livro inspirador, que nos lembra de olhar mais para o outro e para nós próprios com mais cuidado e generosidade. 

 

⭐ Classificação: 4/5

 

Sex | 22.08.25

"Lembra-te de Mim sob as Estrelas", Filipe Bacelo

Nelson Pradinhos

images.jpg

Terminei esta leitura e posso dizer: amei. Genuinamente, amei a história do Miguel e da Sofia, assim como a de Pedro e Teresa.

Sofia é uma escritora reconhecida, mas que se encontra num momento frágil da sua vida. Depois de um relacionamento abusivo, sente-se destruída e procura reencontrar-se. É nesse impulso que parte para a Ilha dos Açores, fugindo da rotina e das dores que a consomem. O que não imaginava era cruzar-se com Miguel, alguém que carrega feridas semelhantes. A partir daí, nasce uma história de amor que nenhum dos dois esperava.

Ao mesmo tempo, viajamos até aos anos 60, para conhecer Pedro e Teresa — uma história marcada pelas adversidades da vida, pelas feridas que o tempo não conseguiu sarar. O mais bonito é perceber como estas duas narrativas acabam por se ligar, mostrando que, mesmo em rumos diferentes, o sentimento é o mesmo: o amor.

Este é um romance cheio de emoção e de uma carga dramática que nos envolve de forma surpreendente. Mostra-nos que, mesmo quando queremos dar o primeiro passo, a vida coloca obstáculos e a dor de um coração partido insiste em levantar barreiras. Mas também nos recorda que a vida é feita de surpresas e que, muitas vezes, o amor aparece quando menos esperamos.

As paisagens dos Açores, a aldeia, o mar e as pessoas estão descritos de forma tão bonita que quase conseguimos sentir a brisa, o cheiro salgado e a força das ondas. As personagens são humanas, imperfeitas, reais — reflexos de tantas vidas e experiências em que facilmente nos revemos.

Foi a minha estreia com a escrita do Filipe Bacelo e posso dizer que gostei imenso. A sua escrita é bonita, quase poética, o que torna a leitura ainda mais cativante. Amei a premissa, o objetivo e, sobretudo, a forma como nos mostra que:

❤️ Mesmo depois de amores e desamores, merecemos ser felizes.
❤️ Que não devemos deixar que o medo de amar nos roube a oportunidade de viver uma verdadeira conexão.
❤️ Que o amor é para ser vivido — como Pedro e Teresa nos mostram.

O final é emocionante e deixa-nos a refletir sobre o verdadeiro significado do amor. Obrigada, Filipe, por nos lembrares que amar vale a pena e que, para amar, é preciso arriscar.

 

⭐ Classificação: 5/5

 

Sex | 22.08.25

"Irmãs debaixo do Sol Nascente", Heather Morris

Nelson Pradinhos

IMG_20250608_114641_904.webp

Li o livro "Irmãs Debaixo do Sol Nascente", da aclamada autora de O Tatuador de Auschwitz, Heather Morris, e é uma obra que realmente me tocou. Dei-lhe 4 de 5 estrelas pelo equilíbrio entre força narrativa, emoção e o retrato histórico intenso.

A história acompanha Norah Chambers, uma musicista inglesa durante a Segunda Guerra Mundial, obrigada a enviar a filha de oito anos num navio para a Austrália, enquanto ela permanece em Singapura para cuidar da família, mesmo sabendo que talvez nunca a voltasse a ver. E depois temos Irmã Nesta James, uma enfermeira australiana que se alista para ajudar as tropas aliadas. Quando Singapura cai, ambas embarcam num navio, que é bombardeado. Perdidas no mar, encontram-se numa ilha remota, apenas para serem capturadas e levadas a um horrível campo de prisioneiras sob o controle japonês.

Em cativeiro, Norah e Nesta — junto com outras mulheres — descobrem na amizade e solidariedade feminina a força para continuar a sobreviver.

Este romance destaca-se pela coragem, resiliência e laços profundos que se formam em tempos de desespero. A autora realça a força das mulheres em face à adversidade e como a união e esperança podem ser a última centelha a desaparecer.

Embora inteligente e poderosa, em alguns trechos, o ritmo se torna mais lento e o foco histórico pode parecer distante para leitores que procuram narrativas mais centradas em personagens. Ainda assim, é um relato comovente, realista e inesquecível.

Este livro é um tributo à resiliência humana, ao poder da irmandade e à memória do que jamais pode ser calado.

 

⭐ Classificação: 4/5

 

Qui | 21.08.25

"Vinte anos com a minha gata", Mayumi Inaba

Nelson Pradinhos

IMG_20250603_232011_799.webp

Acabei de terminar "Vinte anos com a minha gata", de Mayumi Inaba, e fiquei com uma sensação ternamente suave. É a história comovente da ligação entre uma escritora e a gata que resgatou, ainda bebé, na margem do rio Tama, em Tóquio. Daí nasce uma cumplicidade de vinte anos — um vínculo profundo, que atravessa estações da vida, escolhas e a busca de independência e serenidade.

A escrita é delicada e contemplativa, quase poética, e transforma esta narrativa numa meditação sobre laços verdadeiros, solidão e o que significa construir uma vida com propósito. A gata, livre por natureza, torna-se confidente e inspiração constante — uma presença silenciosa que molda os passos da autora nos seus momentos de vida e criação.

A beleza sensível e emocional da história emocionou-me, mas, por vezes, o ritmo mais calmo e introspectivo pareceu arrastar-se um pouco. Ainda assim, é uma leitura profundamente reconfortante, que nos relembra que os animais têm o poder de nos transformar para sempre — tornando-se ponto de apoio, musa e família.

Se procuras algo para ler com o coração aberto, este livro é poesia e ternura na forma de memórias felinas. Um convite à calma, à reflexão e ao afeto silencioso que só os animais nos ensinam a dar.

 

⭐ Classificação: 3,5/5

 

Qua | 20.08.25

"Coragem"

Nelson Pradinhos

1C.png

Quantas vezes tremeste dentro das tuas batalhas,
sozinho em mares de dúvidas e muralhas.
O peito arfando, o medo a crescer,
e mesmo assim, continuas a querer.


Coletando pedaços de coragem na rua,
em cada esquina, uma luz continua.
Uma força pequena, mas que não se apaga,
que te sustenta quando a alma se esmaga.


Imagina um lugar para voltar,
onde o peso do mundo pode descansar.
Um refúgio de paz, um lar para o coração,
erguido com sonhos e a tua determinação.

 

::::::

Há textos que nascem de um lugar profundo, onde as palavras não são apenas palavras — são respirações, são tentativas de aliviar o peso que carregamos no peito.

Este poema, “Coragem”, nasceu numa dessas alturas. Enquanto acompanhava a minha mãe a mais uma sessão de quimioterapia, vi de perto a luta silenciosa que tantas vezes travamos, por dentro, sem que o mundo perceba.

Escrevê-lo foi a minha forma de transformar a dor em algo que pudesse inspirar. É sobre as batalhas que tremem dentro de nós, sobre a força que recolhemos aos bocadinhos, muitas vezes sem nos darmos conta. É sobre continuar, mesmo quando o medo cresce, e encontrar, no meio de tudo, um refúgio — ainda que seja só dentro de nós.

A coragem não é ausência de medo. É caminhar com ele ao lado e, ainda assim, não desistir.

 

Autoria: Nelson Pradinhos 

Instagram: @nelsonps.autor

 

Qua | 20.08.25

"O Hospital de Alfaces", Pedro Chagas Freitas

Nelson Pradinhos

20250507_121823.jpg

Quando acabei de ler “O Hospital de Alfaces” de Pedro Chagas Freitas, fiquei com o coração cheio.

Este novo livro de Pedro Chagas Freitas é, acima de tudo, lindo e profundamente vulnerável. Com a sua escrita intensa e carregada de emoção, o autor volta a tocar as cordas mais sensíveis da alma humana. A mensagem de nunca desistir — mesmo diante da dor, da perda e do caos — é uma das mais fortes e inspiradoras da narrativa.

Ao longo da obra, somos convidados a refletir sobre aquilo que não dizemos: os gritos que calamos, os olhares que desviamos, os sorrisos que escondemos e os abraços que não damos. O Hospital de Alfaces mostra-nos que esses pequenos gestos silenciosos também podem ser gritos de amor e resistência, e que talvez esteja na hora de lhes dar mais força, mais voz.

É um livro sobre três gerações — avô, pai e filho — e sobre como o amor, mesmo imperfeito, tem o poder de curar. Uma leitura que não deixa ninguém indiferente, que conforta e inquieta ao mesmo tempo, e que nos faz querer viver com mais verdade, mais presença e mais entrega.

 

⭐ Classificação: 5/5

Seg | 18.08.25

"Filha da Minha Mãe", Diogo Costa e Rafael Felizardo

Nelson Pradinhos

IMG_20250801_161316_951.webp

Há livros pequenos no tamanho, mas imensos no que nos deixam cá dentro. Filha da Minha Mãe, de Diogo Costa e Rafael Felizardo, é um desses livros. Uma história curta, mas tão densa, que quase se respira com dificuldade ao longo das suas páginas — e é precisamente aí que reside a sua força.

Acompanhamos Emília, uma jovem de 18 anos que vive num constante jogo de espelhos: ela mesma ou apenas o reflexo do que a mãe quer que ela seja? Entre obrigações, silêncios e ausências emocionais disfarçadas de zelo, Emília tenta encontrar-se. Mas como se descobre quem se é quando tudo foi sempre decidido por outro?

Este é um livro sobre a complexidade das relações familiares, em especial entre mães e filhas. Mas vai além dos rótulos fáceis de “mãe controladora” e “filha rebelde”. Aqui, tudo é mais subtil, mais real. A pressão não grita — sufoca. O amor não acolhe — aprisiona.

A escrita dos autores é sóbria, carregada de contenção emocional. É como se cada palavra tivesse sido escolhida para não distrair da dor. Não há floreados, há impacto. Um eco que permanece muito depois de fecharmos o livro.

Filha da Minha Mãe fala da importância de sabermos separar o amor do controle, o cuidado da imposição. E de como, por vezes, ser livre pode significar afastar-se de quem mais se ama, para poder, um dia, talvez, voltar com outra voz — a nossa.

Um livro forte, necessário e atual, especialmente para quem cresceu dentro de expectativas alheias e teve de aprender, devagar, a escolher por si.

 

⭐ Classificação: 4/5

 

Seg | 18.08.25

"Já não és Meu Filho", Jonathan Corcoran

Nelson Pradinhos

IMG_20250714_150113_922.webp

Terminei este livro com o coração apertado.

"Já não és meu filho" não é apenas um romance — é um grito abafado, uma memória coletiva, uma dor que muitos ainda conhecem por dentro.

Jonathan Corcoran leva-nos para uma história marcada pela homofobia familiar, o abandono, a vergonha imposta — mas também pela resistência, a verdade e a procura da dignidade.

Ler este livro é voltar a lugares que muitas pessoas LGBTQIA+ nunca escolheram visitar — mas que tiveram de enfrentar: o silêncio dentro de casa, o medo de existir por inteiro, o desejo de ser amado por quem nos devia proteger.

Um livro incómodo, necessário, poderoso.
Uma leitura Imprescindível.

 

⭐ Classificação: 5/5

 

Pág. 1/3