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Onde o Mar Encontra as Palavras

Entre silêncios, memórias e aquilo que ainda quero dizer

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Entre silêncios, memórias e aquilo que ainda quero dizer

Dom | 21.09.25

Reconhecimento do Estado da Palestina — 21 de Setembro de 2025

Nelson Pradinhos

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Hoje marca um dia histórico: Portugal realizou oficialmente o reconhecimento do Estado da Palestina, unindo-se a vários países ocidentais que também fizeram este gesto simbólico nesta data ou prestes a fazê-lo. 

 

O que aconteceu: 

 

O Ministério dos Negócios Estrangeiros de Portugal confirmou que o reconhecimento será formalizado hoje, 21 de setembro — a pouco antes da Assembleia Geral das Nações Unidas.

Este reconhecimento surge num contexto de crescente pressão internacional sobre o conflito em Gaza e das numerosas críticas humanitárias às formas como as guerras e ocupações têm sido conduzidas. 

Outros países como o Reino Unido, o Canadá, a Austrália, a França e Bélgica também anunciaram ou efetivaram reconhecimento da Palestina. 

 

Reações:

 

Do lado palestiniano, o Ministro dos Negócios Estrangeiros saudou o reconhecimento como um passo irreversível em direção à soberania e uma afirmação do direito de autodeterminação.

Nas regiões palestinianas, especialmente na Cisjordânia, há uma recepção mista: esperança e validação simbólica, mas também ceticismo. Muitos levantam a questão de que o reconhecimento só tem valor real se vier acompanhado de ação concreta — cessar-fogo, retirada de assentamentos, proteção dos direitos humanos.

 

 Por que este ato importa:

 

O reconhecimento formal por países importantes dá força diplomática à causa palestiniana: reabre discussões sobre fronteiras, direitos, e sobre o papel que a comunidade internacional deve ter para assegurar uma paz justa.

É uma declaração de que não se pode continuar a ignorar o sofrimento, as deslocações e as violações de direitos civis e humanos simplesmente sob o argumento de que “não existe Estado reconhecido”.

Também perica as relações diplomáticas com Israel, e pode gerar pressões para mudança de política externa ou interna — inclusive sobre como se trata a ocupação, a ajuda humanitária, etc.

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Hoje sinto que a Palestina deixou de ser assunto apenas de jornal ou debate político — avança para o campo da justiça e da dignidade.

Não basta reconhecer num papel se depois permitirmos que continue tudo como está. Reconhecer é abrir uma porta — esperamos que venha acompanhado de janelas, para luz, para mudança.

Para muitas pessoas que vivem sob ocupação, com medo, com fome, sem liberdade de movimento, este é um sinal de que o mundo ainda pode ouvir, ainda pode agir. De que há empatia e responsabilidade.

E para quem está distante, como eu, significa que há alinhamento entre o que se sente (injustiça, solidariedade) e o que se exige (direitos, paz).

 

Dom | 21.09.25

Dia Internacional da Paz

Nelson Pradinhos

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Hoje celebra-se o Dia Internacional da Paz, uma data que deveria ser apenas celebração, mas que, infelizmente, se torna também em reflexão e alerta.

Vivemos num mundo onde a palavra "Paz" continua a ser mais uma promessa do que realidade. Basta olhar para as notícias: guerras que arrasam cidades, crianças que crescem sem conhecer a tranquilidade de um dia sem bombas, famílias que são forçadas a abandonar as suas casas, povos que sofrem com a fome e a desigualdade, e tantas vozes silenciadas pela violência e pelo ódio.

O Dia Internacional da Paz recorda-nos que a paz não é apenas ausência de guerra. É também justiça social, respeito pela diversidade, acesso à educação, saúde, alimentação e dignidade para todos. É um compromisso diário, não um ideal distante.

Enquanto seres humanos, carregamos a responsabilidade de não virar o rosto. De denunciar a injustiça, de rejeitar o ódio e de promover a empatia. Porque cada gesto de bondade, cada diálogo que substitui a violência, cada mão que se estende a outra é já um ato de paz.

Hoje, mais do que nunca, precisamos de acreditar que a paz é possível — e de lutar por ela. Porque o contrário não pode continuar a ser o nosso normal.

🕊️ Que este dia seja um lembrete: o mundo só será verdadeiramente humano quando a paz for o direito de todos.

 

Nelson Pradinhos

 

Dom | 21.09.25

"A Balloon’s Landing"

Nelson Pradinhos

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A Balloon’s Landing (2024), dirigido por Angel Teng, conta a história de Tian-Yu, um escritor de Hong Kong que se vê envolvido num escândalo de plágio, o que coloca a sua vida profissional — e também pessoal — numa encruzilhada.

Abalado pelo sucedido, Tian-Yu parte numa viagem até Taiwan em busca de “Baía das Baleias Desaparecidas” (Bay of Vanishing Whales), um lugar mítico mencionado por um amigo por correspondência no passado. 

No percurso, cruza-se com A-Xiang, um homem de Taipei com passados vinculados ao mundo do crime, mas com uma profundidade emocional significativa. Aos poucos, estes encontros que se iniciam de forma casual transformam-se numa ligação inesperada: amizade, partilha, o desejo de redenção, e também a esperança de que haja mais do que arrependimentos e "o que poderia ter sido".

Há elementos de viagem de estrada, paisagens belíssimas, momentos de contemplação (cascatas, festivais, marés, luz do luar), que ajudam a construir uma atmosfera nostálgica e visualmente muito apelativa.

O final deixou-me surpreendido — não tanto por ser previsível ou dramático, mas pela forma como mistura realidade com possibilidade, com uma abertura que convida quem vê a pensar sobre o destino, sobre se o amor ou a amizade podem existir além do que vemos, do que vivemos. E achei isso bonito: não explicar tudo, deixar algum mistério, deixar a magia no espaço entre o que se mostra e o que se sente.

 

O que mais gostei:

1.A fotografia e os cenários: há uma beleza visual que toca, que faz querer respirar fundo e deixar-se levar pela estrada e pelo mar.

2.A química entre Tian-Yu e A-Xiang: mesmo que não seja declarado de forma explícita como um romance gay (muitos comentam que há esse “código” romântico), senti uma ligação verdadeira, emocional. Isso para mim bastou para acreditar no que via. 

3.A premissa de buscar um lugar mítico como metáfora para buscar cura, esperança, sentido — adoro quando os filmes fazem isso, quando uma viagem física se torna também uma viagem interior.

 

Algumas reservas:

1.Tem alguns momentos em que a narrativa parece hesitar, como se tivesse mais potencial do que consegue cumprir. Há cenas que poderiam ter sido aprofundadas para dar mais peso emocional.

2.A mistura de fantasia / elementos “quase mágicos” com realismo nem sempre está perfeitamente equilibrada — às vezes senti que partes do filme ficavam ambíguas demais, ou deixavam-me confuso sobre o que era literal e o que era simbólico.

 

Veredicto pessoal:

A Balloon’s Landing não é perfeito, mas é lindo no que escolhe mostrar — na luz suave, nos silêncios, nos olhares que falam. E isso para mim é o bastante. Depois de ver o filme fiquei com uma sensação de paz, de saudade, de querer revisitar aquelas paisagens e aquelas emoções. Recomendo sem reservas, especialmente para quem gosta de histórias que se sentem tanto quanto se vêem.

 

⭐ Classificação: 5/5

 

Dom | 21.09.25

"Apartamento em Crise", de Bruno Leão

Nelson Pradinhos

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O título promete caos… e entrega muito mais!

Tiago pode até começar como um cliché — madeirense em Lisboa, pais controladores, vida aparentemente perfeita — mas rapidamente percebemos que este é um livro que brinca com estereótipos e os vira do avesso com humor, autenticidade e muita alma.

O apartamento, oferecido como símbolo de uma vida estável, transforma-se num cenário caótico onde vivem 5 pessoas, um cão, às vezes um gato e uma vizinha inesperadamente… intensa 😅. Entre dramas, traições, risos e amor (sim, há um rapaz fofo que derrete corações!), acompanhamos a jornada de Tiago na busca pela sua verdadeira identidade, pelo seu espaço e, sobretudo, pela liberdade de ser ele mesmo.

O pano de fundo da crise na habitação torna tudo ainda mais real e próximo. É um YA que não subestima o leitor: aborda temas LGBTQIA+, amizade, saúde mental e a pressão familiar com uma escrita leve mas certeira.

A escrita do Bruno é envolvente, cinematográfica até — conseguimos ver tudo como se fosse uma série (Netflix, estás a ouvir?). E o design do livro? Simplesmente incrível! As ilustrações das personagens, o marcador, os detalhes gráficos… é uma experiência completa, da capa à última página.

Se me perguntarem se quero mais deste grupo? SIM, por favor!
Se adorei o livro? Muito mesmo.
Se recomendo? Sem hesitar.

Parabéns, Bruno Leão, por mais um livro que é tudo menos um cliché. ❤️
E que venham mais capítulos (e talvez uma continuação?) porque o caos bonito do Tiago e companhia deixou saudade.

 

⭐ Classificação: 5/5

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Dom | 21.09.25

"Por Fim em Silêncio", de Bruno Leão

Nelson Pradinhos

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Quando o Samu conhece o Martim, tudo parece perfeito: um rapaz lindo de morrer, com um sorriso capaz de apagar qualquer dúvida.
A atração entre os dois é imediata, inevitável. Mas nem sempre as aparências correspondem à realidade… e Samu descobre da pior forma que Martim não é quem parecia ser.

É nesse turbilhão que surge Filipe, e com ele um novo caminho — cheio de promessas, mas também de riscos. Um caminho que pode não ter regresso.

Por Fim em Silêncio é uma história poderosa sobre relações tóxicas queer, sobre as dores e dificuldades de nos encontrarmos a nós próprios e, acima de tudo, sobre a coragem de descobrir como brilhar na nossa verdadeira forma.

⭐️⭐️⭐️⭐️⭐️ [ 5 / 5 ]

Adorei! Adorei! Adorei!!!!! 💜💜💜

Este era um dos lançamentos que mais aguardava este ano e digo-vos: valeu totalmente a espera!
É uma narrativa cheia de emoções, de tirar o fôlego, com uma escrita maravilhosa que prende da primeira à última página.

Muitos parabéns ao Bruno Leão por este primeiro livro — fiquei mesmo feliz por ti. Sou um grande fã do teu trabalho e já estou ansioso pelo próximo! 🥰

 

(Esta Review foi escrita na altura que saiu o livro)