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Onde o Mar Encontra as Palavras

Entre silêncios, memórias e aquilo que ainda quero dizer

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Entre silêncios, memórias e aquilo que ainda quero dizer

Sab | 27.09.25

Quando o Apoio Não Chega: O Desafio das Famílias com Crianças Doentes

Nelson Pradinhos

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Todos os anos, centenas de famílias em Portugal recebem um dos diagnósticos mais duros: o cancro infantil. É uma realidade que muda radicalmente rotinas, prioridades e vidas inteiras. E, além do enorme impacto emocional, há uma outra dimensão que muitas vezes fica na sombra — o peso financeiro.

O subsídio de acompanhamento deveria ser uma resposta eficaz do Estado. No entanto, ao garantir apenas 65% da remuneração de referência (com um limite máximo pouco superior a mil euros), cria um fosso significativo entre aquilo que as famílias realmente precisam e o que efetivamente recebem.

As contas não batem certo: os rendimentos caem drasticamente enquanto as despesas aumentam com deslocações, tratamentos, produtos de apoio, alimentação especializada e tantas outras necessidades. Para muitas famílias, viver com esta realidade significa fazer escolhas impossíveis: entre pagar a renda ou custear as viagens ao hospital; entre o essencial para o lar ou o bem-estar da criança doente.

De acordo com um inquérito nacional da Acreditar, em 2024, a diferença média mensal entre perda de rendimento e aumento de despesas ultrapassa os 650€, um número que só cresce com o passar dos anos.

O modelo atual não reconhece as exigências reais destes contextos: a necessidade de flexibilidade, de presença e de suporte integral aos cuidadores. Não se trata apenas de números, mas da dignidade de famílias que não escolheram este caminho e que, no entanto, enfrentam todos os dias as suas consequências.

É urgente repensar estas políticas. O apoio não pode ser apenas simbólico — tem de ser suficiente para garantir estabilidade. Porque nenhum pai ou mãe deveria ter de escolher entre cuidar do filho e garantir a sobrevivência financeira da família.

 

👉 É tempo de repensar o subsídio de acompanhamento.
👉 É tempo de ouvir as famílias.
👉 É tempo de proteger quem mais precisa.

 

Sab | 27.09.25

"Como Ser Feliz Até aos 100: Segredos para Uma Vida Longa e Bem-Sucedida" de Rhee Kun Hoo

Nelson Pradinhos

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Este foi um daqueles livros que se lê de forma rápida, mas que deixa várias reflexões para pensar mais tarde. A escrita flui quase como se estivéssemos à conversa com um avô a partilhar as suas histórias de vida, experiências e ensinamentos.

Os temas abordados são muito variados — desde como viver sem arrependimentos, passando pelas relações entre pais e filhos, até ao burnout no trabalho. Claro que nem todos os capítulos foram igualmente relevantes para mim, por isso houve partes que li com mais atenção e outras que acabei por passar mais rápido.

Ainda assim, é um livro cheio de pequenos conselhos e pensamentos inspiradores, daqueles que nos fazem parar e pensar no que realmente importa. Não é preciso lê-lo de uma só vez — pelo contrário, pode ser um daqueles livros que pegamos quando precisamos de algo leve, mas que nos inspire a viver de forma mais consciente e serena.

🌟 Uma leitura simples, inspiradora e cheia de sabedoria.

 

⭐ Classificação: 3,5/5

 

Sab | 27.09.25

"Nata Per Te"

Nelson Pradinhos

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Nata per te conta a história verídica de Luca Trapanese, um homem gay, solteiro e católico, que trava uma batalha emocionante e repleta de obstáculos legais e sociais para adotar Alba, uma bebé com síndrome de Down abandonada no hospital pouco depois do nascimento.

Luca, que já trabalhava com pessoas com deficiência, sente um forte desejo de paternidade. Apesar das leis italianas e dos preconceitos vigentes — que favorecem famílias “tradicionais” — ele não desiste. Com o apoio de uma advogada dedicada (Teresa) e de pessoas próximas, ele enfrenta entrevistas, tribunais e a resistência de quem acredita que um homem solteiro, homossexual, não pode ser “a família certa” para uma criança. 

Finalmente, a justiça reconhece-lhe a guarda de Alba, dando-lhe o direito de ser pai, mostrando que o amor, a determinação e a compaixão podem, sim, mudar leis e corações. 

 

 O que gostei: 

A força da história real: O facto de o filme estar baseado em acontecimentos reais traz uma carga emocional muito forte. Sabermos que não é ficção torna cada cena de espera, cada lágrima, cada incerteza ainda mais tocante. 

Personagens humanas e complexas: Luca não é um herói idealizado; ele tem dúvidas, culpa, resistência interna e externa, medos. As pessoas à sua volta — a advogada, os familiares, a criança — são retratadas com nuances e empatia.

Registo cinematográfico sensível: A direção de Fabio Mollo, com simplicidade e delicadeza, evita melodramas exagerados e insiste na autenticidade. Os cenários (Napoli, Ischia), os momentos do quotidiano, contribuem para uma narrativa que se sente “real” e íntima. 

Mensagem social forte: O filme é uma declaração de esperança para famílias modernas, direitos LGBTQ+, aceitação das diferenças, da deficiência, e de que amar é o que conta, mesmo quando o sistema e a sociedade não estão preparados para aceitar.

 

 Algumas reservas:

Alguns momentos, talvez se note uma ligeira previsibilidade narrativa — certas cenas de drama legal ou confrontos judiciais seguem um padrão que já vimos em outras histórias semelhantes. Mas mesmo assim, o filme consegue surpreender pela emocionalidade e honestidade.

Pode haver momentos em que a trilha sonora ou certas falas pareçam puxar mais para o emotivo do que o necessário, mas isso não compromete o impacto geral.

 

 Porque merece 5 estrelas:

Dou 5 estrelas a Nata per te porque é raro ver uma obra que combine autenticidade, coragem moral e sensibilidade cinematográfica num conjunto tão harmonioso. O filme não só conta uma história — ele inspira, ensina e emociona profundamente. Fiquei com o coração apertado, mas também cheio de esperança. É uma daquelas narrativas que ficam connosco muito tempo depois dos créditos finais.

 

⭐ Classificação: 5/5