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Onde o Mar Encontra as Palavras

Entre silêncios, memórias e aquilo que ainda quero dizer

Onde o Mar Encontra as Palavras

Entre silêncios, memórias e aquilo que ainda quero dizer

Qua | 15.10.25

🕊️ A Paz Frágil em Gaza — O Acordo de Paz e os Desafios que lhe Ficaram

Nelson Pradinhos

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Nas últimas semanas, foi assinado um novo acordo de paz entre Israel e o Hamas que trouxe consigo esperança, alívio imediato para muitos, mas também grandes incertezas. A paz, neste momento, parece frágil — uma trégua que tem de resistir em meio a ruínas, perdas humanas e tensões profundas. Vamos ver o que este acordo promete, o que já se sabe, e por que muitos observadores destacam que ainda há um caminho longo pela frente.

 

 O que o acordo encaixa:

1.O acordo, mediado por países como os EUA, Catar e Egipto, inclui a libertação de reféns em troca de prisioneiros, a retirada progressiva de tropas israelitas de Gaza e a entrada de ajuda humanitária. 

2.Também está prevista a criação de algum tipo de autoridade de transição para gerir Gaza, com elementos internacionais e tecnocratas apoiados para garantir assistência e estabilidade. 

3.O mundo reagiu com otimismo cauteloso: líderes internacionais elogiaram o passo, mas insistem que o sucesso dependerá da implementação real de tudo aquilo que foi acordado. 

 

 Por que a paz está no limite:

Embora o novo acordo ofereça uma luz depois de tanta escuridão, há sinais claros de que ele pode se quebrar facilmente:

Limitações no acesso humanitário: Há queixas de que a ajuda ainda está a ser bloqueada em algumas fronteiras, que alguns cruzamentos permanecem fechados (como Rafah), e que Israel reduziu ou limitou o transporte de bens essenciais, citando questões sobre restos mortais de reféns ou incumprimento por parte do Hamas. 

Implementação faseada, falta de confiança: O acordo está estruturado em fases — isto significa que tudo depende de cada etapa ser cumprida. Se uma das partes deixar de cumprir (por qualquer motivo), o efeito dominó pode desestabilizar o resto do processo. Observadores internacionais alertam para o risco de retrocesso. 

Desconfiança mútua: Há feridas recentes, mortes, destruição, famílias partidas. Estas memórias alimentam um clima de suspeita. Qualquer incidente de violência, real ou alegado, pode ser usado como justificativa para retomar as hostilidades. 

Reconstrução e vida depois do conflito: Gaza está destruída em muitas áreas. Infraestruturas de água, energia, hospitais, habitação, tudo precisa de ser reconstruído. O custo humano e económico deste processo é gigantesco — e as populações civis não podem esperar muito para começar essa reconstrução. 

 

 Reflexão: Será desta vez?

Pessoalmente, acredito que este acordo é um passo significativo — talvez um dos mais importantes dos últimos anos. Ele oferece algo que a população de Gaza precisava desesperadamente: um intervalo, uma pausa para respirar, um vislumbre de normalidade depois da dor.

 

Mas a paz duradoura exigirá algo mais do que assinar papéis:

Compromisso real e contínuo de todas as partes envolvidas: Israel, Hamas, países mediadores, organizações internacionais.

Supervisão independente e transparente para garantir que cada fase seja cumprida — que reféns sejam libertados, que prisioneiros sejam trocados, que ajuda chegue onde for necessária.

Recuperação material e reconstrução psicológica: embora a guerra se detenha, as cicatrizes não vão desaparecer sozinhas. Apoio à saúde mental, apoio social, retorno seguro para deslocados, reconstrução de lares e serviços básicos — tudo isto deve ser parte do plano.

Diálogo político mais amplo: a paz militar é só parte do que é necessário. Questões como soberania, futuro político de Gaza, direitos civis, justiça para vítimas também têm de entrar nas conversas sérias.

 

 Em conclusão: 

A paz em Gaza hoje está como uma flor à beira de um penhasco: delicada, precisa de muita proteção, pouco pode resistir sozinha. Este acordo é uma promessa — e promessas são problemas cheios de potencial. O mundo está a vigiar, o povo de Gaza espera, e cada dia em que o silêncio se mantém é uma vitória pequena, mas importante.

 

Qua | 15.10.25

Dia Internacional dos Pronomes — Celebrar a Identidade e o Respeito

Nelson Pradinhos

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O Dia Internacional dos Pronomes celebra-se todos os anos na terceira quarta-feira de outubro. É uma data dedicada a algo que pode parecer pequeno, mas que tem um enorme peso na forma como comunicamos respeito, empatia e reconhecimento pela identidade de cada pessoa: os pronomes pessoais.

Dizer corretamente “ela”, “ele”, “elu” ou outro pronome com que alguém se identifica é mais do que uma questão linguística — é um gesto de respeito. É reconhecer que a identidade de género de cada pessoa é válida e merece ser tratada com dignidade.

A ideia deste dia nasceu em 2018, impulsionada por comunidades LGBTQIA+ e por ativistas de direitos humanos, com o objetivo de sensibilizar para a importância de usar os pronomes corretos e combater o preconceito e a discriminação que muitas pessoas enfrentam diariamente.

 

👉 Por que é importante?
Porque os pronomes fazem parte da nossa identidade. Errar de propósito ou ignorar o pronome de alguém pode causar desconforto, exclusão e ferir a autoestima. Já usar o pronome certo é uma forma simples, mas poderosa, de dizer: “Eu vejo-te. Eu respeito-te.”

 

👉 Como podemos celebrar este dia?

1.Começa por perguntar a alguém quais são os pronomes que prefere.

2.Partilha os teus pronomes nas tuas redes sociais, na assinatura de e-mails ou até em reuniões.

3.Informa-te sobre identidades de género e sobre como a linguagem pode ser mais inclusiva.

4.E, sobretudo, ouve — porque ouvir é o primeiro passo para compreender.

 

Neste Dia Internacional dos Pronomes, lembremos que as palavras têm poder. E que, quando usadas com cuidado e empatia, podem ajudar a construir um mundo mais igualitário, seguro e humano para todas as pessoas.