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Onde o Mar Encontra as Palavras

Entre silêncios, memórias e aquilo que ainda quero dizer

Onde o Mar Encontra as Palavras

Entre silêncios, memórias e aquilo que ainda quero dizer

Dom | 19.10.25

“O Outono que Espirrava Folhas: O Segredo das Bolachas Mágicas”

Capítulo 1: “Um Espirro Colorido”

Nelson Pradinhos

tira a linha do meio da imagem como se fosse livro

Era uma vez o Outono, um rapazinho simpático com cabelo de folhas douradas e um casaco feito de vento.
Ele andava de um lado para o outro, soprando brisas fresquinhas e pintando as árvores com cores quentes.
Mas havia um pequeno problema…
O Outono tinha alergia a si mesmo!
Sempre que soprava muitas folhas, começava a espirrar:
- Atchimm! – e lá iam folhas para todos os lados!
As folhas dançavam no ar, faziam cócegas nas janelas, entravam nos bolsos das pessoas e até se escondiam dentro das botas esquecidas na varanda.
Os esquilos adoravam.
As crianças também.
Mas o Outono ficava todo envergonhado.
Um dia, enquanto tentava limpar o nariz com um guardanapo de neblina, ouviu uma voz vindo do bosque:
- Cuidado aí com esses espirros! Quase me enterras vivo de folhas!
O Outono olhou em volta, curioso.
Não viu ninguém.
- Quem está aí? – perguntou.
De repente, uma mão verde e cheia de lama saiu de baixo de uma montanha de folhas!
O Outono deu um salto tão grande que quase virou vento de inverno.
- Sou eu… o Samuel Zombie. – disse o rapaz, espreguiçando-se. – Acordaste-me do meu soninho de outono!
O Outono piscou os olhos, ainda sem saber se ria ou corria.
Mas Samuel Zombie parecia mais desajeitado do que assustador: tinha um sapato de cada cor, o cabelo cheio de folhas e um sorriso tão torto que até dava vontade de rir.
- Desculpa, eu não sabia que alguém dormia debaixo das minha folhas! – disse o Outono, tentando ser educado.
- Tudo bem, respondeu Samuel Zombie, coçando a cabeça. – Mas já que estou acordado, tens aí um lanche? Estou com fome de… bolachas de abóbora!
O Outono riu-se, curioso.
— Eu chamo-me Outono, e acho que o meu lanche não é lá muito saboroso para zombies.
— Prazer, Outono! — disse Samuel, estendendo-lhe a mão suja de terra. — Tu espirras folhas, eu durmo nelas. Acho que vamos dar-nos bem!

E assim começou uma amizade improvável e engraçada entre um rapaz que espirrava folhas e um Zombie que adorava bolachas de abóbora.
Mal sabiam eles que, naquele outono, cada espirro traria um pouco mais de magia ao bosque.

 

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Dom | 19.10.25

Outubro Rosa, cancro da mama e um olhar que se faz revista

Nelson Pradinhos

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Outubro é o mês em que o laço cor-de-rosa se torna símbolo global de uma causa vital: a luta contra o Cancro da Mama. Um mês para iluminar, sensibilizar, educar — mas também para lembrar que a consciencialização tem de durar todo o ano, e que a doença toca vidas, famílias, histórias.

 

Porque este mês importa:

O cancro da mama continua a ser um dos mais diagnosticados entre as mulheres em Portugal e no mundo — a deteção precoce faz-se, muitas vezes, pela combinação de auto-exame, rastreio e sensibilização.

O Outubro Rosa serve como alerta: que cada mulher conheça o seu corpo, que cada sociedade promova o acesso a rastreios, que cada comunidade apoie quem enfrenta o diagnóstico.

Mas também serve para lembrar que o diagnóstico não é o fim: há tratamentos, há sobreviventes, há reinvenção, há vida depois. E que o apoio psicológico, social e emocional é tão essencial como o tratamento clínico.

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 A revista OncoGlam e a sua nova edição

Neste contexto, a revista OncoGlam assume uma voz singular. Com o lema “O cancro não é bonito, mas nós podemos ser”, esta publicação portuguesa dedica-se às mulheres que enfrentam ou enfrentaram o cancro, aos seus cuidadores e aos profissionais de saúde. 

Na sua loja online, está já anunciada a nova edição: OG Magazine #9 – Outono 25 (à venda por cerca de 5,50 €) — com artigos sobre saúde da mulher, bem-estar, moda, beleza e, claro, sobre cancro ginecológico e cancro da mama. 

Um exemplo concreto de como a comunicação pode ir além do diagnóstico, mostrando que o tratamento inclui cuidar da autoestima, da imagem, do corpo, da mente.

 

A nova edição da OncoGlam inclui artigos como:

Cancro da mama em mulheres jovens: genética, estilo de vida e deteção precoce.

Histórias de vida de mulheres que venceram — ou convivem com — o cancro, mostrando resiliência.

Cuidados de beleza, imagem corporal e bem-estar durante e após o tratamento.
Isto reflete bem a ideia de que a luta não é apenas contra células malignas, mas pela dignidade, pela normalização do cuidado, pela ruptura dos estigmas.

Outubro Rosa é mais do que usar o laço. É perguntar:

Conheço os sinais da doença?

Ouço quem recebe o diagnóstico?

Apoio quem está em tratamento ou em recuperação?

Encorajo a saúde preventiva e o bem-estar integral?

 

E, mesmo depois de Outubro, que nos mantenhamos atentos, informados e empáticos. Que lemos a nova edição da OncoGlam não apenas pela moda ou beleza, mas pela mensagem de força e comunidade que ela transmite.

 

Dom | 19.10.25

Proibição das burqas em Portugal: proteção das mulheres ou instrumentalização dos direitos sociais?

Nelson Pradinhos

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Recentemente, o Assembleia da República aprovou um projecto de lei que proíbe o uso de véus que cobrem todo o rosto — como a burqa ou o niqab — na maioria dos espaços públicos em Portugal.  A medida, impulsionada pelo partido Chega, com o apoio da coligação de direita-centro, invoca razões de igualdade de género, segurança pública e coerência com valores ocidentais.

Mas muitas perguntas ficam no ar:

 

 Quem se protege — e quem se restringe?

O projecto justifica-se com a ideia de que “nenhuma mulher deve ser obrigada a usar a burqa”, apresentando-se, ao mesmo tempo, como uma defesa dos direitos femininos. 
Por outro lado, se for proibida por lei a mulher que escolhe usar a burqa, não estaremos também a violar o seu direito de autodeterminação? Em ambos os casos retiramos a liberdade de escolha — ou porque é imposta, ou porque é banida. Alguém deste lado escutou realmente as mulheres que vestem estes véus — ou querem fazê-lo por convicção, cultura ou fé?

 

 Uma questão de prioridade?

Em Portugal, o uso da burqa é muito residual. Então porque motivo este tema ocupa agora espaço no Parlamento, quando tantas questões urgentes — habitação, saúde, desigualdade salarial, violência doméstica — continuam por resolver? Quem beneficia desta medida? E se o debate servir mais para alimentar narrativas de “integração versus identidade”, ou de “ocidente versus outrem”, do que para proteger efectivamente pessoas?

 

 E as mulheres que são obrigadas a usá-la?

Não podemos esquecer que existem mulheres que sim são forçadas a usar a burqa, encarceradas pelo silêncio, pela família ou pela comunidade. Para essas mulheres, a proibição pode significar redução ainda maior da liberdade de circulação — se o véu é banido, muitas podem ficar em casa, fechar-se ainda mais no lar, isoladas. Uma proibição sem mecanismo de apoio ou alternativas pode agravar a invisibilidade, e reforçar ciclos de violência doméstica ou exclusão social.

 

 Olhar ocidental, cuidado e nuance

Com o nosso viés ocidental, corremos o risco de pensar que “sabemos o que é melhor” para estas mulheres. Mas há quem por convicção opte por usar a burqa — e a proibição absoluta ignora essa voz. Há escolhas que não passam apenas por opressão ou imposição, mas por identidade, religião, pertença.
Impor-lhes o contrário pode ser, paradoxalmente, mais um gesto de violência simbólica do que libertador.

 

 Um precedente perigoso?

Se avançamos com medidas que restringem vestuário ou símbolos por “perceções de segurança” ou de “valores nacionais”, que outros direitos e liberdades fundamentais poderão vir a ser limitados sob o mesmo pretexto? Liberdade religiosa, direito à crença, direito à expressão? E se os olhos da lei se voltarem para outros grupos ou símbolos?

 

Sugestões de leitura:

1.It’s Not About the Burqa (Mariam Khan) — antologia de ensaios escritos por mulheres muçulmanas sobre liberdade, véu e autonomia. 

2.The Burqa Affair Across Europe: Between Public and Private Space (Edited by Alessandro Ferrari & Sabrina Pastorelli) — análise comparativa da proibição do véu facial na Europa, entre espaço público e privado. 

3.Artigo “Are burqa bans a blow to Muslim women’s rights?” — debate internacional sobre se as proibições afetam direitos humanos ou combatem-nos.

 

 Conclusão:

Proteger a liberdade das mulheres é urgente.
Mas cada lei que restringe ou proíbe também deve perguntar: a quem serve realmente?
Se o objectivo é garantir liberdade, perguntaríamos primeiro: liberdade para quem, em que termos, com que recursos de apoio?

Proibir o véu porque pode ser símbolo de opressão faz sentido, se vier acompanhado de empoderamento real, informação, oportunidades. Proibir o véu porque “não faz parte” dos nossos valores ocidentais corre o risco de alienar — e, no fim, de ferir as liberdades fundamentais que dizia proteger.