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Onde o Mar Encontra as Palavras

Entre silêncios, memórias e aquilo que ainda quero dizer

Onde o Mar Encontra as Palavras

Entre silêncios, memórias e aquilo que ainda quero dizer

Sex | 24.10.25

Colorir pela Palestina — quando a arte se torna um gesto de esperança

Nelson Pradinhos

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Há livros que nascem de um desejo profundo de mudar o mundo — nem que seja apenas um bocadinho.
Colorir pela Palestina é um desses livros: um livro de colorir para crianças, mas também um ato de solidariedade e resistência pacífica, feito com o coração e com o poder da arte.

Editado pelo coletivo Parents for Peace Portugal (PfP) — um grupo de mães, pais e cuidadores que defendem os direitos humanos e a libertação do povo palestiniano — este projeto reúne o talento e a generosidade de 22 ilustradores portugueses que se uniram por uma causa maior: dar cor à esperança.

 

Um livro que faz mais do que colorir

À primeira vista, é um livro de atividades infantis.
Mas nas suas páginas vive muito mais do que desenhos para pintar:
há mensagens de empatia, liberdade e humanidade — um convite para que crianças e adultos pensem, sintam e, sobretudo, não fiquem indiferentes.

Cada ilustração é uma janela aberta para a ternura, a cultura e a dignidade de um povo que continua a lutar pela vida.
É uma forma simples, mas profundamente simbólica, de educar para a paz através da arte e do diálogo.

 

100% solidário: todas as cores ajudam

Todo o valor angariado com a venda de Colorir pela Palestina é doado integralmente (100%) a projetos humanitários que atuam no terreno, prestando assistência médica, alimentação e alojamento às famílias palestinianas.
As organizações apoiadas são:

Heal Palestine

Sun of Freedom

Seeds of Hope

Amsterdam/Palestine

Cada página colorida é, assim, uma forma de dar vida a quem mais precisa, de transformar o simples ato de desenhar numa ação concreta de ajuda.

 

Um gesto pequeno, um impacto profundo

Colorir pela Palestina mostra-nos que há muitas maneiras de resistir à indiferença.
Algumas começam com uma folha em branco, uma caixa de lápis e um coração disposto a agir.
É um projeto que fala de paz, mas também de empatia — e que lembra que a arte pode ser um refúgio, uma linguagem universal e um instrumento de mudança.

Neste tempo em que a dor parece ocupar o lugar da esperança, colorir torna-se uma forma de cuidar.

 

Porque a paz também se aprende em família

Mais do que um livro, este é um ponto de partida para conversas importantes entre gerações: sobre justiça, humanidade e o que significa ajudar o outro.
É um gesto que nasce do amor — e que mostra às crianças que até os pequenos gestos podem iluminar o mundo.

💚 Colorir pela Palestina é um livro para todos os que acreditam que a paz também se desenha, se pinta e se partilha.

 

Disponível através da Parents for Peace Portugal.
Saiba mais sobre o projeto e como adquirir o livro em: [Parents for Peace Portugal]

OU

Pode adquirir também na Editora Flâneur 

 

 

Sex | 24.10.25

Campanha “Papel por Alimentos” — o papel que faz a diferença

Nelson Pradinhos

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Nem sempre é preciso muito para mudar o mundo. Às vezes, basta um simples gesto — como reciclar.
A Federação Portuguesa dos Bancos Alimentares Contra a Fome volta a lançar, em 2025, a campanha “Papel por Alimentos”, uma iniciativa que junta solidariedade e sustentabilidade numa ação que transforma resíduos em esperança.

 

Como funciona a campanha?

A ideia é simples:
todo o papel recolhido é convertido em produtos alimentares, que depois são distribuídos pelos Bancos Alimentares às famílias mais carenciadas do país.

Jornais, revistas, cadernos, folhas soltas, caixas de papel, livros antigos — tudo conta.
Cada quilo de papel entregue é transformado em comida que chegará à mesa de quem mais precisa.

Ao participar, está não só a ajudar a combater a fome, mas também a proteger o ambiente, contribuindo para a redução de resíduos e promovendo a economia circular.

 

Um gesto duplamente solidário

A campanha “Papel por Alimentos” é um exemplo perfeito de como pequenas ações podem ter grande impacto.
É uma oportunidade para envolver escolas, empresas, autarquias e famílias inteiras num movimento que une duas causas essenciais:

1.o apoio social a quem enfrenta dificuldades;

1.e o respeito pelo planeta que todos partilhamos.

Porque cada folha de papel reciclada é também um ato de consciência, um sinal de empatia e um passo rumo a um futuro mais justo e sustentável.

 

 O seu papel é essencial!

Até o gesto mais simples — aquele caderno que já não usa, o jornal de ontem, a pilha de papéis esquecida na gaveta — pode transformar-se em alimento e esperança para alguém.
É essa a magia desta campanha: dar novo valor ao que parecia não ter valor nenhum.

Participe, divulgue, envolva os seus amigos, colegas e familiares.
Juntos, podemos transformar toneladas de papel em milhares de refeições.

 

📍 Mais informações:
Saiba como doar o seu papel e encontrar o ponto de recolha mais próximo em www.bancoalimentar.pt

💚 Campanha “Papel por Alimentos” — porque a solidariedade também se escreve no papel.

 

Sex | 24.10.25

“Todos os Passos Contam” — Caminhar para Alimentar o Coração

Nelson Pradinhos

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De 8 de outubro a 10 de dezembro de 2025, o desafio volta a repetir-se: transformar quilómetros em refeições.
A campanha solidária da Fundação Galp, em parceria com a Rede de Emergência Alimentar e os Bancos Alimentares Contra a Fome, regressa com um objetivo simples e poderoso — fazer com que cada passo conte para quem mais precisa.

 

👣 Como funciona?

A iniciativa é aberta a todos: basta caminhar, correr, dançar ou pedalar — cada quilómetro percorrido é convertido numa refeição para uma família carenciada.
A Fundação Galp compromete-se a oferecer uma refeição por cada quilómetro registado, garantindo que a energia de cada participante se transforma em alimento real e esperança concreta.

 

O processo é simples:

1.Registe os seus quilómetros numa aplicação de fitness (telemóvel, relógio ou pulseira inteligente).

2.Submeta as distâncias percorridas em 👉 todosospassoscontam.galp.com.

3.Escolha participar individualmente ou em equipa, somando quilómetros diariamente ou semanalmente.

 

Cada quilómetro vale uma refeição.
Quanto mais se movimentar, mais está a ajudar!

 

Um gesto pequeno, um impacto imenso:

Esta campanha é mais do que uma simples corrida solidária — é uma forma de unir movimento e empatia.
Num tempo em que tantas famílias continuam a lutar contra a insegurança alimentar, esta é uma oportunidade para agir de forma concreta, sem complicações.
Basta um passeio diário, uma volta de bicicleta ou uma caminhada entre amigos para fazer a diferença.

 

Todos juntos por uma causa maior:

O Banco Alimentar Contra a Fome tem sido, ao longo das décadas, uma das maiores redes de solidariedade em Portugal, apoiando milhares de famílias em situação de vulnerabilidade.
Com esta parceria, a Fundação Galp reforça o seu compromisso com a comunidade, mostrando que a energia do bem é a que mais alimenta.

Participe, motive os seus colegas, partilhe nas redes, desafie a sua família.
Cada passo conta. Cada quilómetro é um gesto de amor.

 

De 8 de outubro a 10 de dezembro, mova-se com o coração.

Porque caminhar é bom — mas caminhar para ajudar é ainda melhor. 

 

Nelson Pradinhos

 

 

Sex | 24.10.25

“Heartstopper” inspira livro com 50 histórias reais de transformação e esperança

Nelson Pradinhos

Há histórias que ultrapassam o ecrã — e Heartstopper é, sem dúvida, uma delas.
A série que começou como uma novela gráfica criada por Alice Oseman, e que conquistou o mundo através da adaptação da Netflix, tornou-se muito mais do que uma história sobre dois adolescentes que se apaixonam. Tornou-se um símbolo de esperança, aceitação e amor em todas as suas formas.

Agora, esse impacto ganha nova vida num livro emocionante:

Why Are We Like This? Stories of Transformation, escrito por Rowan Murphy (homem trans de 53 anos) e George Hightower (homem gay de 61 anos), que será lançado a 8 de novembro.

 

“Estas são histórias de força, coragem e inspiração”

A obra reúne 50 histórias reais de fãs de todo o mundo, que partilham como Heartstopper transformou — e até salvou — as suas vidas.
Desde jovens que encontraram coragem para se assumirem, a pessoas que aprenderam a amar quem são, a pais que reconstruíram pontes com os seus filhos, o livro mostra o poder que uma simples história pode ter quando é contada com verdade e empatia.

“Estas são histórias de força, coragem e inspiração”, afirmam os autores.
“Representam o melhor de quem somos — enquanto humanos, e enquanto membros ou aliados da comunidade LGBTQIA+. Estas vozes precisam de ser ouvidas, agora mais do que nunca.”

Why Are We Like This? book cover


Um fenómeno que acendeu luzes no mundo inteiro

Heartstopper nasceu de forma simples — um romance gráfico sobre dois rapazes, Nick e Charlie, que se apaixonam na escola.
Mas a forma como Alice Oseman retratou o amor, o respeito, a descoberta e a vulnerabilidade, tocou milhões de pessoas em todo o mundo.
A série da Netflix, protagonizada por Joe Locke e Kit Connor, levou essa ternura a outro nível, transformando-se num refúgio emocional para quem sempre sonhou ver o amor representado com naturalidade e beleza.

Os autores do novo livro reconhecem esse poder

“Para muitos, Heartstopper foi um farol”, dizem. “Esperamos que, ao partilhar estas histórias, possamos manter essa luz acesa.”

 

“Lembrou-me o que é sentir-me verdadeiramente viva”

Entre os 50 testemunhos, há frases que ficam connosco.
Michelle, uma das participantes, partilhou:

Heartstopper despertou uma parte de mim que estava adormecida. Lembrou-me o que é sentir-me verdadeiramente viva.”

Outro fã, Braeden, escreveu:

Heartstopper não me deu apenas representação. Deu-me esperança, autoaceitação e a crença de que o amor — verdadeiro, suave e significativo — é possível para mim também.”

 

Uma carta de amor à comunidade

Why Are We Like This? é, acima de tudo, uma carta de amor à comunidade Heartstopper — e a todos os que, em algum momento, se viram refletidos nas suas páginas ou episódios.
É um lembrete de que a arte pode curar, unir e inspirar.
E que, mesmo num mundo que tantas vezes tenta apagar o que é diferente, há histórias que continuam a brilhar — e a fazer-nos acreditar que o amor é o nosso maior superpoder.

 

🌈 Why Are We Like This? Stories of Transformation chega às livrarias a 8 de novembro e promete emocionar tanto quanto inspirar.

Já a sexta e última parte da saga literária de Heartstopper será lançada a 2 de julho de 2026, encerrando com ternura uma das histórias mais queridas da literatura contemporânea.

 

“Há histórias que mudam vidas. Heartstopper foi uma delas — e este novo livro é a prova viva de que o amor continua a transformar o mundo, uma história de cada vez.” 

 

Sex | 24.10.25

🎒 "Tomás na Escola dos Grandes" — crescer é uma aventura!

Nelson Pradinhos

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Há histórias que nos lembram como o crescer é, ao mesmo tempo, uma alegria e um desafio.
"Tomás na Escola dos Grandes", de Marisa Lemos, é uma dessas histórias encantadoras — uma viagem leve e divertida pelo mundo das primeiras descobertas, dos medos e das conquistas que acompanham o início de uma nova etapa na vida das crianças.

Tomás é um menino curioso e sonhador que está prestes a começar a escola “dos grandes”.
Entre expectativas, ansiedade e curiosidade, ele vai aprendendo o significado da coragem, da amizade e da confiança.
A história conduz-nos com ternura através desse momento tão especial — o primeiro dia de escola — que marca o início de uma nova fase, não só para as crianças, mas também para os pais que as acompanham.

O livro fala de mudança, adaptação e crescimento, com uma sensibilidade que só a autora consegue transmitir.
As ilustrações (cheias de cor e emoção) tornam a leitura ainda mais cativante, ajudando os mais novos a reconhecerem-se nas expressões, nas pequenas vitórias e até nos receios de Tomás.

É um livro que acolhe as emoções infantis — sem pressa, sem julgamentos.
Mostra que ter medo é natural, mas que é possível transformá-lo em curiosidade e entusiasmo.
E é também um lembrete para os adultos: que a empatia e o encorajamento são as melhores ferramentas para ajudar as crianças a crescerem felizes e confiantes.

No fim, Tomás na Escola dos Grandes deixa-nos com um sorriso no rosto e o coração cheio — porque todos nós, em algum momento, fomos o “Tomás” que enfrentava o desconhecido com um misto de nervos e esperança.

💛 Uma leitura doce, educativa e inspiradora, perfeita para partilhar com os mais pequenos.

 

Classificação: 5 / 5

Temas: Primeiros dias de escola, amizade, autoconfiança, emoções infantis
Público-alvo: Leitores a partir dos 5 anos e famílias que vivem a transição para o 1.º ciclo

 

“O primeiro dia de escola pode assustar um bocadinho… mas com amor, coragem e um sorriso, o mundo dos grandes torna-se uma nova aventura.” ✨

 

Sex | 24.10.25

💕 Séries que me apaixonaram nestes dias...

Nelson Pradinhos

Nestes últimos dias mergulhei em várias séries que, de formas diferentes, me tocaram o coração.
São histórias sobre amor, amizade, crescimento e, acima de tudo, sobre o direito de sentir — sem medo, sem desculpas, com verdade.

 

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 Oh, Otto! — ★★★★★ (5/5)

Uma série doce, divertida e incrivelmente humana.
Oh, Otto! é sobre um rapaz peculiar e carismático que, apesar das suas manias e do seu jeito diferente de ver o mundo, conquista todos à sua volta com a sua autenticidade.
Mais do que uma história romântica, é uma série sobre aceitar as diferenças e celebrar o que nos torna únicos.
Otto é aquele tipo de personagem que nos faz rir, emocionar e refletir sobre como o amor pode ser leve e sincero — mesmo quando a vida é confusa.
É impossível não se apaixonar pela sua forma de ver o mundo.

🧡 Uma série que deixa o coração mais quente e o olhar mais doce sobre os outros.

 

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 ThamePo: Heart That Skips a Beat — ★★★★★ (5/5)

Se o amor tivesse um som, seria o de um coração a bater fora do compasso.
ThamePo: Heart That Skips a Beat é uma série tailandesa sobre dois jovens que descobrem o amor de forma inesperada, entre olhares tímidos, medos e gestos de ternura.
É sobre primeiros amores, autoaceitação e o medo (e encanto) de sentir algo tão novo que quase assusta.
A cinematografia é linda, o ritmo é calmo e poético — e a química entre os protagonistas é simplesmente perfeita.

💗 Uma série que nos lembra que o amor não precisa ser grandioso — basta ser verdadeiro.

 

 

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Semantic Error — ★★★★☆ (4/5)

Uma das séries coreanas BL mais conhecidas — e com razão.
Semantic Error junta o rigor e a racionalidade de um estudante de programação com o caos criativo de um artista.
O resultado? Uma história divertida, inteligente e com uma dinâmica deliciosa entre opostos.
Há tensão, humor e um crescimento emocional que faz toda a diferença.

💬 Se fosse um código, esta série seria um erro perfeito — porque é nesse erro que nasce o amor.

 

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Ball Boy Tactics — ★★★★★ (5/5)

Uma verdadeira surpresa.
Ball Boy Tactics é uma série sobre amizade, sonhos e a descoberta do amor num ambiente desportivo.
Entre treinos, rivalidades e momentos de superação, a história desenvolve-se com leveza e emoção.
Os protagonistas têm uma química encantadora, e o tom da série mistura humor com momentos de vulnerabilidade genuína.

🎾 Uma série sobre correr atrás da bola, mas também dos próprios sentimentos.

 

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 Boots — ★★★★★ (5/5)

Boots é daquelas séries que falam baixinho — e mesmo assim nos arrebatam.
Trata de reencontros, feridas antigas e segundas oportunidades.
Com um tom melancólico e cinematográfico, é uma história sobre amadurecimento, perdão e amor em tempos de mudança.
A fotografia é lindíssima e a trilha sonora combina perfeitamente com o tom emocional da narrativa.

 Uma série sobre caminhar, tropeçar e, ainda assim, continuar — com o coração aberto.

 

 No fim, o que fica…

Cada uma destas séries, à sua maneira, fala sobre emoções sinceras, vulnerabilidade e coragem.
Entre um “olá” tímido e um “adeus” com lágrimas nos olhos, há o mesmo fio invisível que une todas: a esperança de encontrar alguém que nos veja exatamente como somos.

Foram dias de maratonas, risos e suspiros — e, no final, o sentimento é simples:
 o amor, em qualquer língua, continua a ser a história mais bonita de todas.

 

Classificações gerais:

Oh, Otto! — ⭐⭐⭐⭐⭐

ThamePo: Heart That Skips a Beat — ⭐⭐⭐⭐⭐

Semantic Error — ⭐⭐⭐⭐☆

Ball Boy Tactics — ⭐⭐⭐⭐⭐

Boots — ⭐⭐⭐⭐⭐

 

Sex | 24.10.25

“No Kings” — Um Manifesto pela Democracia e Contra o Poder Absoluto

Nelson Pradinhos

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O que é o “No Kings”?

O movimento “No Kings” surge nos Estados Unidos em 2025 como uma mobilização de larga escala contra aquilo que os organizadores descrevem como tendência autoritária do governo do Donald Trump.

O slogan — “No Kings” (sem reis) — resume uma ideia simples, mas potente: nas democracias, ninguém está acima da lei, ninguém deve governar como monarca ou ditador.

As manifestações em torno desta linha-mestra contaram com milhares de eventos sincronizados por todo o país — mais de 2.000 ou mesmo 2.600 locais em diferentes estados, numa escala que se aproximou dos milhões de participantes.

 

Principais motivações e mensagens

1.Resistência à concentração de poder executivo e à militarização aparente de ações governamentais;

2.Reafirmação de que a democracia pertence ao povo — e não a figuras que se comportam como “reis” ou que tratam instituições públicas como seus feudos.

3.Mobilização descentralizada: o movimento não se define por um líder borgista, mas por acções locais, independentes, em comunidades espalhadas — reforçando a ideia de que a mudança vem de baixo, de muitas vozes, não de um único “chefe”.

 

Como se manifesta?

No dia-ação principal (por exemplo, 14 de junho e depois 18 de outubro de 2025) os participantes vestem-se de amarelo, carregam cartazes com slogans como “No Thrones. No Crowns. No Kings.”, marcham em ruas, organizam piquetes, e fazem ruído simbólico e real.

Embora o tom seja de protesto, há também elementos de celebração — bandas de rua, fantasias, criatividade visual.

 

Por que importa?

Vivemos num momento em que, em várias democracias, surgem sinais de erosão de freios e contra-poderes: abuso de poderes executivos, desrespeito por instituições, retrocessos em direitos civis. O “No Kings” serve como aviso: as liberdades não são garantidas; é preciso protegê-las ativamente.
Para quem não vive nos EUA, também é valioso porque mostra que a vigilância democrática é universal — que a defesa da igualdade perante a lei, da transparência, da participação real, não é apenas para “outros países”.

 

Reflexão para Portugal (e para nós)

Mesmo que o contexto seja americano, a mensagem ressoa: “Nenhum reino, nenhuma coroa, nenhum rei” aplica-se a qualquer democracia onde poder pode subir-se acima do povo.

Em Portugal e na União Europeia, é útil questionar até que ponto os cidadãos estão vigilantes ao poder — local, nacional ou supra­nacional.

Movimentos como este convidam a pensar: como participamos? Quantas vezes agimos apenas como espectadores?

A descentralização do “No Kings” mostra que mudar não depende apenas de grandes líderes ou partidos — depende de pequenas acções, locais, regulares.

 

No entanto…

Como todo movimento, “No Kings” enfrenta desafios: evitar que o protesto se torne polarizado, garantir que a acção não se torne espetáculo sem impacto, transformar mobilização em resultado (legislativo, institucional). Também há o risco de que símbolos visuais substituam conversas profundas. 

 

 Conclusão:

O “No Kings” não é apenas mais uma marcha — é um lembrete de que a democracia exige participação contínua.
Enquanto o lema “não aos reis” soa simples, o desafio é concreto: manter o poder subordinado ao povo, nunca o povo subordinado ao poder.
Em cada país, em cada comunidade, podemos convir que ninguém deve governar como rei, e que o poder serve quando se dobra ao bem comum — não quando se ergue acima dele.