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Onde o Mar Encontra as Palavras

Entre silêncios, memórias e aquilo que ainda quero dizer

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Sab | 25.10.25

"As Regras do Fred" de Bruno Leão

Um conto divertido, inesperado e cheio de amor

Nelson Pradinhos

Orange and Black Neon Halloween Party Instagram Po

Em "As Regras do Fred", Bruno Leão volta a mostrar o porquê de a sua escrita ser tão viciante: leve, divertida e ao mesmo tempo cheia de emoção.
Foi uma leitura rápida, deliciosa e, como sempre, com aquele toque de humor e ternura que o autor sabe equilibrar tão bem.

 

Fred e Thor: o reencontro que todos queríamos

Neste conto, acompanhamos o Fred — uma personagem super divertida, espontânea e cheia de energia — e descobrimos como o Thor apareceu na sua vida e como ele e o André se conheceram.
É o tipo de história que aquece o coração e arranca gargalhadas, com aquele ritmo natural e envolvente que já é marca registada do Bruno.

O melhor?
A dinâmica entre as personagens é simplesmente INCRÍVEL — cheia de química, humor e momentos que nos fazem sorrir do início ao fim.

 

 Surpresas (muito) inesperadas:

De todas as pessoas e situações possíveis de surgir neste conto, o aparecimento da Maria Leal foi, sem dúvida, o momento mais inesperado — e hilariante!
É aquele tipo de plot twist que nos apanha completamente desprevenidos, mas que torna a leitura ainda mais divertida.

Bruno Leão tem essa capacidade rara de brincar com o improvável, mantendo o tom leve e sempre coerente com o universo das suas personagens.

 

Uma escrita que vicia: 

A escrita é, mais uma vez, viciante — direta, fluida e cheia de personalidade.
Bruno tem uma forma muito própria de escrever: faz-nos rir, mas também sentir.
E isso é o que torna as suas histórias tão especiais.

Neste conto, voltamos a ver o quanto ele domina o equilíbrio entre o humor e o afeto, entre o inesperado e o profundamente humano.

 

❤️ Conclusão:

As Regras do Fred é um conto cheio de ritmo, emoção e boas surpresas.
Gostei imenso de poder conhecer mais sobre o Fred e o Thor — duas personagens queridas que ganham ainda mais profundidade e carinho aqui.

É uma história curta, divertida e amorosa, perfeita para quem já acompanha o universo de Bruno Leão, mas também uma ótima porta de entrada para quem quer descobrir a leveza e o coração das suas palavras.

 

Classificação: 4 / 5

 

“O Fred é um caos adorável, o Thor é puro encanto, e o Bruno Leão continua a escrever com aquele humor e coração que nos vicia.” 

 

Sab | 25.10.25

“O Outono que Espirrava Folhas: O Segredo das Bolachas Mágicas”

Capítulo 3 – "A Dança dos Mortos"

Nelson Pradinhos

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O Outono e o Samuel Zombie seguiam o trilho do cheiro a bolachas de abóbora pelo Bosque Douramel.

            Mas, à medida que a tarde se vestia de sombras, o bosque parecia mudar de tom.

            As folhas, antes douradas e alegres, começaram a rodopiar de forma mais lenta, quase como se dançassem ao som de uma música invisível.

            — Ouves isto? — perguntou o Outono, franzindo o nariz.

            — Ouço… — respondeu Samuel, erguendo a cabeça. — É uma música…, mas não vem de nenhum lado.

            De repente, um sopro gelado varreu a clareira.

            O chão tremeu ligeiramente e, debaixo das folhas secas, começaram a erguer-se figuras pálidas — sombras que se esticavam e tomavam forma.

            Eram fantasmas.

            Mas não tinham ar assustador; pareciam contentes… e elegantes.

            Usavam roupas antigas, translúcidas, e moviam-se com graça, como bailarinos de outro tempo.

            Samuel piscou os olhos, maravilhado.

            — Uau! Eles estão a dançar!

            O Outono sorriu, fascinado.

            — Parece que as tuas bolachas não são a única coisa mágica por aqui…

            Os fantasmas davam voltas e mais voltas, guiados por uma melodia que apenas o vento sabia tocar.

            Uma menina-fantasma, com o cabelo feito de fumo e pétalas, aproximou-se dos dois e curvou-se.

            — Querem juntar-se a nós na Dança dos Mortos?

            O Outono olhou para Samuel, meio assustado, meio curioso.

            Samuel deu um passo em frente e estendeu a mão à menina.

            — Eu danço, — disse ele com um sorriso torto.

            E assim começou a dança.

            O vento ganhou ritmo, e uma melodia misteriosa começou a ecoar entre as árvores — um som feito de guinchos suaves, risos ao longe e sinos pequeninos que tilintavam como gargalhadas de bruxas.

            Era uma música de Halloween — divertida, viva, impossível de ficar parado.

            O Outono foi levado pela brisa, e as suas folhas brilharam em tons de cobre e ouro, formando um redemoinho à volta dos fantasmas.

No meio da valsa, sentiu o nariz a coçar.

            — Atchimm! — espirrou, e as folhas levantaram-se num turbilhão luminoso.

            Rodopiaram à volta dos fantasmas como confetes de luar, iluminando o bosque inteiro.

            Os fantasmas riram, encantados.

            — Que entrada triunfal! — exclamou Samuel, aplaudindo.

            O Outono corou, mas o vento parecia rir com ele. Pela primeira vez, o seu espirro não lhe trouxe vergonha — trouxe encanto.

            A música continuou, leve e brincalhona:

            O som misturou-se à música do vento, e o bosque inteiro dançou.

            Samuel, que normalmente era desajeitado, movia-se com leveza — como se aquela melodia fosse feita para ele.

            Os fantasmas rodopiavam à volta, e o bosque inteiro parecia respirar ao ritmo da valsa encantada.

            Quando a última nota soou, tudo parou.

            Os fantasmas sorriram, curvaram-se e, um a um, dissolveram-se na neblina.

            A música desapareceu, mas o chão ficou salpicado de pequenas luzes, como estrelas caídas.

            — O que foi isto? — perguntou o Outono, ainda sem fôlego.

            Samuel pensou por um instante e respondeu com simplicidade:

            — Acho que foi o Halloween a ensaiar a sua primeira dança.

 

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As tuas palavras ajudam esta aventura a crescer — como folhas novas a nascer no coração do bosque.
Obrigada por caminhares comigo nesta estação de magia e imaginação.

Com carinho,
Nelson Pradinhos