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Onde o Mar Encontra as Palavras

Entre silêncios, memórias e aquilo que ainda quero dizer

Onde o Mar Encontra as Palavras

Entre silêncios, memórias e aquilo que ainda quero dizer

Ter | 28.10.25

"Onde as Peras Caem" de Nana Ekvtimishvili

Nelson Pradinhos
Ter | 28.10.25

Festival de Filosofia de Abrantes 2025 — O poder da palavra para pensar, agir e transformar

Nelson Pradinhos

Festival de Filosofia de Abrantes regressa com reflexão sobre “O poder da palavra: pensar, agir, transformar”

De 20 a 22 de novembro, Abrantes volta a ser o ponto de encontro para quem acredita que a palavra ainda tem poder — poder para inspirar, questionar e transformar.
A 8.ª edição do Festival de Filosofia de Abrantes traz como tema central “O poder da palavra: pensar, agir, transformar”, propondo uma reflexão profunda sobre a forma como as palavras moldam o nosso pensamento, emoções e a própria realidade.

Organizado pela Câmara Municipal de Abrantes, este festival celebra o Dia Mundial da Filosofia (20 de novembro) com um programa diversificado que junta escritores, académicos, sociólogos, jornalistas e investigadores, num diálogo entre saberes, ideias e emoções.

 

Quando a palavra ganha corpo e sentido

Durante três dias, a Biblioteca Municipal António Botto será o palco de painéis, debates e residências filosóficas dedicadas ao poder da linguagem — o seu papel na transformação social, a sua dimensão ética e política, e os desafios da comunicação na era digital.

O evento será inaugurado pelo presidente da autarquia, Manuel Jorge Valamatos, com uma conferência inaugural do filósofo e ensaísta José Gil, homenageado desta edição e reconhecido pelo seu contributo à filosofia portuguesa contemporânea.

A programação inclui também momentos de participação ativa do público e das escolas, através de atividades como a Assembleia da Palavra e as Residências de Perguntas e Respostas, dinamizadas por Joana Rita Sousa.
Estas iniciativas envolvem alunos do 1.º ciclo ao ensino profissional, promovendo o pensamento crítico nas novas gerações, e mostrando que filosofar é, acima de tudo, aprender a perguntar.

 

Entre livros, arte e pensamento

O festival não se limita às palavras faladas.
Paralelamente, haverá uma feira do livro e duas exposições artísticas — “Traços impercetíveis de resistência”, de Susana Rosa, e uma mostra dos trabalhos resultantes da residência filosófica.

Durante os três dias, o público poderá ainda visitar gratuitamente o Museu Ibérico de Arqueologia e Arte de Abrantes (MIAA), distinguido como Museu do Ano 2023.

O encerramento, a 22 de novembro, será marcado por um momento de arte e emoção: o espetáculo “Mulheres Poema”, interpretado por Maria Caetano Villalobos, acompanhada por Rute Rocha Ferreira na guitarra e teclado — uma homenagem à poesia e à voz feminina na filosofia da vida.

 

Pensar é resistir

Mais do que um evento cultural, o Festival de Filosofia de Abrantes é um convite à pausa — a parar, ouvir, e refletir sobre a força e a responsabilidade das palavras.
Num tempo dominado pela velocidade e pela desinformação, pensar torna-se um ato de resistência, e a palavra, uma ferramenta essencial para agir e transformar o mundo.

Com entrada livre e um programa que une filosofia, literatura, arte e comunidade, este festival reafirma o compromisso de Abrantes com o pensamento livre e a partilha de ideias — lembrando-nos que a filosofia vive em cada conversa, em cada livro e em cada gesto de escuta.

 

Ter | 28.10.25

LeYa leva bibliotecas a hospitais de Lisboa: quando os livros também curam

Nelson Pradinhos

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Ler é, muitas vezes, uma forma de respirar.
Num hospital — espaço onde a dor, a ansiedade e a esperança convivem — os livros podem ser mais do que passatempo: podem ser companheiros silenciosos, capazes de aliviar o peso dos dias e despertar emoções que ajudam a curar por dentro.

É com esse propósito que o Grupo LeYa, em parceria com a Unidade Local de Saúde de Lisboa Ocidental (ULSLO), lançou o projeto “LeYa para Cuidar”, criando bibliotecas hospitalares abertas a pacientes, visitantes e profissionais de saúde.
Atualmente, o projeto já está presente nos hospitais Egas Moniz, São Francisco Xavier e Santa Cruz, com planos de expansão para o Hospital de Santa Maria até meados de novembro.

 

Ler para cuidar

Cada biblioteca conta com cerca de 500 livros, cuidadosamente escolhidos de acordo com o perfil e as necessidades de cada hospital.
Nos espaços destinados aos adultos, predominam títulos de romance, desenvolvimento pessoal e literatura contemporânea; já no Hospital São Francisco Xavier, a coleção tem uma forte componente infantojuvenil, pensada para as crianças internadas e para os pais que as acompanham.

Como explica Marta Branquinho, diretora de Recursos Humanos da LeYa, o objetivo é claro:

“Promover a leitura como motor de transformação social e humanizar o ambiente hospitalar.”

A iniciativa começou com um convite do Hospital de Santa Cruz e cresceu rapidamente, mobilizando voluntários, leitores e profissionais da editora.
E, de forma simbólica e poderosa, a LeYa reforça a ideia de que a leitura também é um ato de cuidado — um gesto que acalma, inspira e aproxima.

 

Contar histórias que fazem bem

Paralelamente às bibliotecas, a editora mantém o projeto “Os Contadores de Histórias LeYa”, no qual colaboradores voluntários visitam o Hospital de Santa Maria todas as sextas-feiras para ler histórias a crianças internadas.

Marta Branquinho descreve essas visitas como momentos transformadores:

“Estamos a modificar pelo menos uma parte do dia daquele miúdo, daquela miúda, mas também daquela mãe ou daquele pai.”

São ações simples, mas com impacto profundo.
Um conto pode ser uma pausa na dor, uma história pode ser um refúgio, e um livro pode tornar-se uma janela aberta para o mundo — mesmo entre as paredes de um hospital.

 

Mais do que um projeto — um compromisso

A iniciativa integra um movimento mais amplo da LeYa em torno da responsabilidade social e cultural.
No primeiro semestre de 2025, o grupo doou mais de 11 mil livros, muitos deles destinados a prisões e escolas africanas em países como Guiné-Bissau, São Tomé e Príncipe e Angola.

O objetivo é o mesmo em todos os contextos: levar a leitura a quem mais precisa dela, transformando o livro num instrumento de liberdade, dignidade e esperança.

 

LeYa para Cuidar — porque ler também é curar

A LeYa promete continuar a expandir o projeto, reforçando a parceria com os hospitais já envolvidos e criando novas ações, como sessões de leitura ao vivo e atividades literárias.
O sonho? Que esta rede de bibliotecas hospitalares cresça para todo o país, tornando os hospitais lugares mais humanos — onde a medicina cuida do corpo e a literatura cuida da alma.

 

Ter | 28.10.25

🍒 "Cherry Magic! THE MOVIE"

Nelson Pradinhos

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Há histórias que são tão genuínas que parecem um abraço — e Cherry Magic! é uma delas.
Depois da série que conquistou corações pelo mundo, Cherry Magic! THE MOVIE veio como uma continuação natural e necessária, mostrando que o amor, mesmo quando parece simples, é sempre um ato de coragem e crescimento.

No filme, reencontramos Adachi e Kurosawa, agora a viver uma fase mais madura da relação.
O dom mágico de Adachi — conseguir ler os pensamentos das pessoas — continua a ser o fio condutor da narrativa, mas aqui ganha uma nova dimensão: a de aprender a confiar, não apenas nos outros, mas em si próprio.

 

Doce, sincero e profundamente humano

O que mais encanta neste filme é o equilíbrio perfeito entre romance, humor e emoção.
A relação entre Adachi e Kurosawa continua terna e cheia de respeito, mostrando um amor feito de gestos pequenos, olhares e silêncios cheios de significado.
É uma história sobre crescimento emocional, sobre aprender a comunicar, a partilhar medos e a aceitar que amar alguém também é permitir-se ser vulnerável.

O filme expande o universo da série sem o perder — continua a mesma delicadeza, o mesmo ritmo tranquilo, e aquela luz suave que transforma cada cena numa pintura de emoções simples e verdadeiras.

 

Uma mensagem sobre amor e aceitação

Mais do que uma história de amor, Cherry Magic! fala sobre autoaceitação.
Sobre a descoberta de que o amor mais importante é o que temos por nós próprios.
E, talvez por isso, o filme emocione tanto — porque reflete o medo que todos temos de não sermos “suficientes” e a alegria de perceber que, afinal, alguém nos vê exatamente como somos e, ainda assim, escolhe ficar.

Adachi e Kurosawa representam essa delicadeza rara: dois corações que se encontram, tropeçam, crescem e continuam a caminhar juntos — de mãos dadas, mesmo que o mundo lá fora seja barulhento.

 

Conclusão

Cherry Magic! THE MOVIE é um fecho perfeito para uma história que nos ensinou que o amor não precisa ser grandioso para ser verdadeiro.
É um filme sobre empatia, carinho e autenticidade, com personagens que continuam a cativar pela simplicidade e pela verdade dos seus sentimentos.

Se a série já era um bálsamo para o coração, o filme é um abraço final cheio de ternura — e uma lembrança de que a magia do amor está, afinal, nas coisas mais simples.

 

⭐⭐⭐⭐⭐ (5/5)

 

Um filme que é puro encanto, para ver com o coração aberto.

 

Ter | 28.10.25

Séries que me encantaram este mês

Nelson Pradinhos

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🌸 Blueming — ⭐⭐⭐⭐⭐ (5/5)

Delicada, introspectiva e lindamente filmada, Blueming é uma daquelas séries que nos conquista aos poucos.
Acompanha dois jovens universitários que, entre inseguranças e expectativas, aprendem o verdadeiro significado de se aceitarem e permitirem ser amados.
A cinematografia é suave, a narrativa é sincera — e o romance floresce de forma natural, sem pressas.
É uma história sobre o crescimento pessoal, a empatia e a beleza de nos mostrarmos como somos.
Simplesmente linda. 💙

 

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🎶 Happy Merry Ending — ⭐⭐⭐⭐⭐ (5/5)

Uma série curta, mas que toca fundo.
Happy Merry Ending fala de dor, de recomeços e de encontrar amor quando menos esperamos.
Entre notas de piano e silêncios cheios de significado, acompanhamos dois homens marcados pelo passado que aprendem a acreditar novamente na felicidade.
É sensível, honesta e transmite uma mensagem poderosa: o amor pode mesmo curar.

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🦇 My Secret Vampire — ⭐⭐⭐⭐⭐ (5/5)

Esta foi uma surpresa deliciosa!
Com humor, fantasia e um toque de mistério, My Secret Vampire combina o sobrenatural com o quotidiano de forma leve e envolvente.
É divertida, romântica e cheia de momentos inesperados — uma mistura perfeita entre o absurdo e o adorável.
Para quem gosta de histórias que fogem ao cliché e trazem algo novo, esta série é um verdadeiro guilty pleasure. 🩸💋

 

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Cherry Magic! Thirty Years of Virginity Can Make You a Wizard?! — ⭐⭐⭐⭐⭐ (5/5)

Um clássico moderno do romance asiático, Cherry Magic! é ternura em estado puro.
A ideia é simples e mágica: um homem descobre que pode ler os pensamentos das pessoas depois de completar 30 anos… virgem.
Mas o que começa como uma comédia encantadora torna-se uma das histórias mais bonitas sobre vulnerabilidade, amor e confiança.
Cada episódio é um abraço no coração — com personagens carismáticos, um humor doce e uma mensagem sobre sermos amados exatamente como somos. 

 

Conclusão

Cada uma destas séries me deixou algo — um sorriso, uma lágrima ou uma reflexão.
São histórias sobre aceitação, amor, recomeço e coragem.
Provas de que o romance pode ser leve sem deixar de ser profundo, e que mesmo nas narrativas mais simples encontramos humanidade.

Para quem procura algo que aqueça o coração — recomendo todas. 🌈

 

Ter | 28.10.25

"Um Gato em Tóquio" de Nick Bradley

Nelson Pradinhos

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Há livros que nos transportam. Que nos fazem viajar sem sair do lugar, sentir o pulsar de cidades distantes e perder-nos nas suas ruas, sons e cheiros.
Um Gato em Tóquio, de Nick Bradley, é exatamente isso — uma carta de amor a Tóquio, aos seus habitantes e à magia silenciosa que existe nas pequenas histórias que se cruzam no meio do caos urbano.

Tudo começa com um tatuador que recebe um pedido invulgar de Naomi, uma rapariga de olhos verdes e enigmáticos. Ela quer tatuar nas costas uma recriação minuciosa da cidade de Tóquio — mas vazia, sem ninguém. O artista, intrigado, decide incluir um pequeno gato junto à estação de Shibuya.
E é então que o improvável acontece: o gato começa a mover-se.

A partir desse momento, o leitor é levado por uma teia de histórias interligadas — pessoas que se cruzam, que se tocam brevemente e seguem as suas vidas.
Há solidão e calor humano, rotina e sonho, tecnologia e tradição. É uma narrativa fragmentada, mas bela, que espelha a própria cidade: imensa, contraditória e viva.

 

Uma viagem literária a Tóquio

Bradley utiliza o gato — uma figura recorrente e quase mística — como fio condutor de todas as histórias, unindo personagens e lugares de forma subtil.
O que mais me encantou foi precisamente essa teia de ligações invisíveis: um olhar partilhado no metro, uma conversa ouvida ao acaso, um gesto esquecido que acaba por mudar o rumo de outra vida.

O autor faz um retrato sensível da Tóquio contemporânea — dos hotéis cápsula às ruas apinhadas de Shinjuku, das cerejeiras em flor aos videojogos, dos templos silenciosos ao brilho das luzes de néon.
Como alguém que sonha visitar o Japão, senti-me completamente imerso na cultura, como se cada página me deixasse ouvir o som distante de um comboio a passar ou o miar suave de um gato perdido na cidade.

 

Um livro sobre solidão, conexão e humanidade

Mais do que um retrato urbano, Um Gato em Tóquio é uma reflexão sobre o que nos une — mesmo quando acreditamos estar sozinhos.
Cada personagem traz uma faísca de humanidade, e Bradley revela com ternura as fragilidades e esperanças escondidas no meio do ritmo frenético da cidade.

É um livro que combina a estética japonesa com uma escrita poética e cinematográfica.
Há nele um toque de Murakami, um sopro de magia e uma melancolia bonita — aquela que só os bons livros deixam.

 

 Conclusão

Um Gato em Tóquio é um livro cativante e diferente, que mistura realismo, fantasia e humanidade. Uma leitura que nos lembra que, mesmo na maior das metrópoles, há sempre histórias a acontecer em paralelo — e que talvez, sem sabermos, também sejamos parte delas.

Uma obra que recomendo especialmente a quem ama o Japão, os gatos e as narrativas que se cruzam como fios de seda no coração de uma cidade viva.

 

⭐ Classificação: 4 / 5

 

Porque, tal como o pequeno gato de Shibuya, este livro passeia-se entre a fantasia e a realidade com uma graciosidade impossível de não admirar.