Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Onde o Mar Encontra as Palavras

Entre silêncios, memórias e aquilo que ainda quero dizer

Onde o Mar Encontra as Palavras

Entre silêncios, memórias e aquilo que ainda quero dizer

Seg | 27.10.25

"No Final, Morrem os Dois" de Adam Silvera

Nelson Pradinhos

20251027_114202.jpg

Antes de mais, o quão assustador seria receber uma chamada a dizer que íamos morrer no espaço de 24 horas?
Essa é a premissa sombria e fascinante de No Final, Morrem os Dois, de Adam Silvera — um livro que, mesmo partindo da certeza da morte, celebra a vida de uma forma profundamente comovente.

A narrativa é simples, fluida e viciante, mas contrasta com o peso constante de sabermos que Mateo e Rufus estão a viver as suas últimas horas. É impossível ler sem sentir o nó na garganta — cada gesto, cada palavra e cada olhar ganha um significado maior.
Acompanhamos os dois jovens enquanto tentam resolver o que ficou por dizer, por fazer e, acima de tudo, aprender a viver verdadeiramente, ainda que por um breve instante.

Apesar da atmosfera melancólica, o livro é surpreendentemente doce, terno e humano.
Há amor, amizade, vulnerabilidade e uma urgência em ser — em sentir, em existir. Silvera cria uma história que não é apenas sobre a morte, mas sobre o que significa estar vivo com intenção.

E se fossemos nós?
O que nos faltava concluir?
Podemos olhar para trás e dizer: “aproveitei cada segundo da minha vida”?
O livro deixa-nos a pensar nestas perguntas muito depois da última página.

 

Um livro que me marcou — duas vezes

Foi o primeiro livro que li de Adam Silvera, quando foi lançado pela TOP Seller, e desde então fiquei completamente apaixonado pela sua escrita — delicada, sincera e emocional.
O exemplar foi-me oferecido pelo meu noivo no Natal, o que o tornou ainda mais especial.

Este mês, voltei a relê-lo, agora na nova edição da Secret Society, e o impacto foi o mesmo — ou talvez ainda maior. Adam Silvera tem esse dom raro de escrever histórias sobre dor e perda que, paradoxalmente, nos enchem de amor e esperança.

 

No final, é sobre o que escolhemos viver

No Final, Morrem os Dois é uma leitura que nos lembra que não precisamos de saber quando vamos morrer para começar a viver.
É um livro sobre coragem, amor e o poder de uma conexão genuína, mesmo quando o tempo se esgota.
Um romance trágico, sim — mas também uma celebração da vida e da beleza de cada instante.

Um livro perfeito, tocante e inesquecível.

 

🏠 Edição: Secret Society (2025) / TOP Seller (edição anterior)

Avaliação: 5/5

 

Seg | 27.10.25

“O Outono que Espirrava Folhas: O Segredo das Bolachas Mágicas”

Capítulo 4: “O Guardião do Bosque”

Nelson Pradinhos

1.png

O silêncio voltou ao Bosque Douramel depois da dança dos fantasmas.
O Outono e o Samuel ficaram algum tempo a olhar para as luzes que brilhavam no chão — pequenas como estrelas, delicadas como promessas.
— Acho que foi o Halloween a ensaiar a sua primeira dança — dissera Samuel.
E o Outono ainda sorria ao lembrar-se dessa frase, tão bonita e estranha ao mesmo tempo.
O vento começou a soprar de novo, suave e quente, e as folhas formaram um trilho dourado que se perdia entre as árvores.
— As folhas cor-de-mel! — exclamou o Outono. — O corvo Baltazar falou disto! É o caminho!
Samuel esfregou as mãos, animado.
— E no fim desse caminho, aposto que estão as bolachas mágicas de abóbora!

E lá foram os dois, lado a lado, rindo e tropeçando nas raízes, enquanto o bosque se tornava mais denso e o ar cheirava cada vez mais a canela e mel.

De repente, ouviram um som suave — um ronronar grave e ritmado, como um tambor que ecoava entre as árvores.
Do meio da neblina, surgiram dois olhos dourados, brilhantes como luas pequenas.
Os dois pararam, atentos.
De entre as sombras, apareceu um gato majestoso, de pelo bicolor — escuro e arroxeado, com manchas claras que pareciam brilhar sob a luz do luar.
Andava com passo elegante, a cauda erguida, e os olhos observavam-nos com curiosidade e sabedoria.
— Quem és tu? — perguntou o Outono, com voz hesitante.
O gato parou diante deles e respondeu com voz firme, mas serena:
— Sou Falco, guardião do bosque e mensageiro entre o mundo dos vivos e o dos sonhos.
O Outono sentiu um arrepio percorrer-lhe o casaco de vento.
- Eu sou…
- O Outono, - disse o gato.
— Tu… tu sabes o meu nome? — murmurou, maravilhado.
Falco ronronou.
— Sei mais do que isso. Sei que és o rapaz que espalha o outono com espirros. O bosque adora o teu perfume de vento. Cada Atchimm! teu faz as árvores dançar.
O Outono corou.
— Eu… eu só espirro.
— Só? — Falco arqueou uma sobrancelha felina. — Chamas-lhe “só” a dar cor ao mundo?
Samuel interrompeu, espantado:
— Um gato falante… e com ar de quem sabe mais do que todos nós juntos!
Falco esticou o pescoço, ajeitou o bigode e respondeu, divertido:
— Eu sei o suficiente para nunca correr atrás da própria cauda. Já é meio caminho para ser sábio, não achas?
O gato esticou as patas, bocejou com elegância e completou:
— O Bosque Douramel é como eu — bonito, cheio de segredos e com cheiro irresistível a bolachas que ninguém consegue encontrar!
Samuel riu-se.
— Então viemos ao sítio certo!
— Talvez… — respondeu Falco, com um olhar brilhante. — Mas as bolachas mágicas não aparecem a qualquer um.
O Outono deu um passo à frente, curioso.
— Mas nós viemos de longe! Seguimos o trilho das folhas cor-de-mel, dançámos com fantasmas e até levámos com chuva de folhas no nariz!
— E ainda não comemos nada! — acrescentou Samuel, com ar dramático.
Falco sorriu, como quem se diverte com dois alunos traquinas.
— Então talvez mereçam uma pista.
O gato levantou a cauda e o ar à volta pareceu brilhar.
De repente, as folhas começaram a mover-se sozinhas, formando desenhos no chão: uma abóbora, uma estrela e uma colher de pau.
— O que é isto? — perguntou o Outono.
— Uma receita perdida — murmurou Falco. — A das Bolachas de Abóbora Mágicas.
Samuel deu um salto.
— Sabes a receita?!
Falco piscou o olho.
— Saber, sei…, mas não a posso dar assim, de mão beijada. A magia dessas bolachas não está nos ingredientes — está em quem as prepara.
O vento soprou mais forte e as folhas começaram a rodopiar.
O gato olhou o horizonte, onde o luar começava a iluminar o bosque.
— Há muito tempo, duas bruxas — Hilda Maldita e Laurinha — criaram essas bolachas para celebrar a amizade.
Cada abóbora usava uma pitada de riso, uma folha de coragem e uma lasca de luar.
O Outono ouviu, encantado.
— Que bonito…
— E delicioso! — completou Samuel, já a salivar.
Falco continuou:
— Mas este bosque não pertence ao mesmo mundo de onde vieram essas bruxas. Aqui, o tempo corre de outro modo — o passado e o presente andam de mãos dadas, e até o vento guarda lembranças.

Samuel cruzou os braços.
— Parece que temos trabalho a fazer.
— Trabalho? — resmungou o zombie. — Pensei que fosse só comer!
Falco soltou um ronronar divertido.
— Oh, meu caro Samuel… até as melhores bolachas precisam de um pouco de esforço. O sabor só é mágico quando se mistura com aventura!
O gato levantou a cauda e piscou o olho.
— Sigam-me, pequenos caçadores de bolachas.
Conheço um lugar onde o tempo tirou uma soneca e o cheiro a canela nunca foi embora.
Samuel ergueu uma sobrancelha.
— E lá há bolachas?
— Talvez — respondeu o gato, ronronando. — Ou talvez só o eco do riso das bruxas que as fizeram.
— Como se chama esse lugar? — perguntou o Outono.
— O Forno da Meia-Lua. Lá, dizem que as histórias doces nunca se apagam.
Samuel sorriu de orelha a orelha.
— Histórias doces? Isso soa delicioso!
O gato caminhou à frente, com passos silenciosos e elegantes, enquanto o luar penetrava pelas copas douradas.
O Outono e Samuel seguiram-no, rindo e tropeçando nas raízes, com o vento a soprar melodias que cheiravam a canela e aventura.
A cada passo, o Bosque Douramel parecia despertar — as folhas sussurravam segredos, as sombras dançavam nas árvores e, ao longe, uma luz suave piscava como um convite.
O Outono respirou fundo. O ar parecia mais leve, e o seu nariz… curioso, mas calmo.
Talvez, pela primeira vez, o vento estivesse em paz dentro dele.
Enquanto desapareciam entre as árvores, o bosque parecia sorrir…
e um aroma doce espalhou-se no ar.
Cheirava a abóbora, a magia e a algo prestes a acontecer.

 

:::

Convido-te a ler, sentir e partilhar a tua opinião nos comentários:
✨ O que mais te encantou?
🍪 Qual foi a tua parte favorita?
💭 E o que mudarias, se fosses tu a soprar o vento desta história?

As tuas palavras ajudam esta aventura a crescer — como folhas novas a nascer no coração do bosque.
Obrigada por caminhares comigo nesta estação de magia e imaginação.

Com carinho,
Nelson Pradinhos

 

Seg | 27.10.25

"Let’s Eat Together, Aki and Haru" e "Let’s Eat Together, Aki and Haru: More Please!"

Nelson Pradinhos

MV5BYTNjOTU5MDQtMTg4YS00MDE1LWE5ZDAtZDFkMGU2MzViMj

Let’s Eat Together, Aki and Haru é um filme delicado, cheio de ternura e significado, que transforma o quotidiano em algo extraordinário.

 

Comida, afeto e o poder dos pequenos momentos:

Neste primeiro filme, acompanhamos Aki e Haru, dois jovens com personalidades muito diferentes, mas que encontram na comida um ponto de encontro e de afeto.
A cada refeição, as barreiras vão caindo e o que começa por ser uma relação simples e discreta transforma-se numa amizade — e, aos poucos, em algo mais.

Há algo de profundamente reconfortante em ver como a partilha de um prato quente pode simbolizar tanto: cuidado, amor e presença.
O filme é visualmente bonito, com uma fotografia suave, cores quentes e uma atmosfera acolhedora que nos faz sentir em casa.

 

4,5 estrelas em 5

 

Porque é impossível não sorrir ao ver Aki e Haru a encontrarem o seu próprio ritmo, entre risos, silêncios e receitas improvisadas.

 

MV5BZDBmODJjMzQtOWQ3Mi00NDkyLWExZTQtODdlZDNhZTYwYj

A continuação, Let’s Eat Together, Aki and Haru: More Please!, é tudo aquilo que o título promete — mais emoção, mais química, mais doçura e ainda mais coração.

Aqui, Aki e Haru já estão mais próximos, e a história aprofunda o que começou no primeiro filme.
Não é apenas sobre partilhar refeições — é sobre partilhar a vida, o tempo e as pequenas rotinas que constroem o amor.

Os momentos entre eles são simples, mas cheios de significado: cozinhar juntos, rir de algo sem importância, olhar o outro como quem encontra um lar.
A relação cresce de forma orgânica, honesta e muito humana.

É uma daquelas histórias em que o amor não precisa de ser gritado — ele é sentido em cada gesto, em cada prato colocado na mesa, em cada “fica mais um bocadinho”.

 

5 estrelas em 5


Porque é impossível não se apaixonar por esta continuação, que consegue ser ainda mais terna, calorosa e bonita do que o primeiro filme.

 

Um par perfeito e uma história que alimenta a alma

Juntos, os dois filmes criam uma narrativa suave e profunda sobre afeto, intimidade e partilha.
É sobre amor, mas também sobre cuidado e conforto, sobre encontrar o outro e, ao mesmo tempo, encontrar-se a si próprio.

No fim, fica uma sensação boa — como depois de uma refeição feita com amor.
É reconfortante, leve e deixa-nos com vontade de mais.

Tal como o título diz: More, please! 💛

 

Seg | 27.10.25

"Esteros"

Nelson Pradinhos

Esteros_-_poster.jpg

Esteros é um delicado drama argentino-brasileiro-francês realizado por Papu Curotto, que narra a história de dois amigos de infância — Matías e Jerónimo — que, na adolescência, partilham uma ligação intensa, silenciosa e cheia de desejo, antes de serem forçados a separar-se. Anos depois, já adultos, reencontram-se e encaram o que ficou por dizer, o que foi evitado e o que ainda pode florescer. 

 

Os pontos fortes:

Ambiente e estética – A ambientação rural argentina (na zona dos Esteros do Iberá) confere ao filme uma beleza calma e contemplativa, que se torna parte essencial da narrativa. A natureza aqui quase representa o inconsciente dos protagonistas.

Química entre atores e representação da amizade/amor – A relação entre Matías e Jerónimo é construída com subtileza, evitando o excesso de dramatização e valorizando os olhares, os silêncios, o ambiente partilhado. O intérprete de Jerónimo, Esteban Masturini, destaca-se por uma presença natural que evita estereótipos LGBTQI+. 

Temas reais e sensíveis – O filme aborda de modo adulto e sensível a homofobia interiorizada, a separação por circunstâncias, o retorno ao passado e a reconciliação com aquilo que se evitou. 

Ritmo contemplativo – Para quem aprecia um filme que respira, com vindas e voltas temporais, olhares prolongados e menos diálogos explícitos, Esteros entrega esse ritmo com elegância.

 

A que prestar atenção / reservas:

O enredo não foge muito aos clássicos da temática “amigos que se amam, se separam, voltam a encontrar-se”. Alguns momentos soam previsíveis.

O ritmo lento pode não agradar a todos: se procura ação, viragens rápidas ou drama super-intenso, talvez sinta que falta algo.

Certas conveniências narrativas aparecem, especialmente no “momento de clímax” ou na mudança de vida dos protagonistas. 

 

Por que dei 4 estrelas?

Porque Esteros é uma obra sensível e bonita, que merece ser vista — sobretudo dentro do panorama de cinema LGBTQI+ que valoriza histórias humanas e interiores mais do que grandes extravagâncias.

As 4 estrelas refletem que, apesar de não ser perfeita ou revolucionária, o filme cumpre aquilo que se propõe com alma, elegância e coerência.

Vale pela autenticidade, pela paisagem emocional que pinta e pela forma como leva o espectador a reflectir sobre o tempo, o amor, o que ficou por dizer.

 

Conclusão:

Se procura um filme que seja mais “sentido” do que “barulhento”, que valorize olhares e silêncios, e que trate de uma história gay com honestidade e coração — este é um título a não deixar de lado.
Esteros reserva-se para quem aprecia o quase-silêncio, o quase-beijo, o quase-acontecer — e encontra-se aí a beleza.

 

⭐ Classificação: 4 / 5

 

Dom | 26.10.25

Fundação do Prémio Booker lança novo galardão dedicado à literatura infantil

Nelson Pradinhos

Fundação do Prémio Booker lança galardão para literatura infantil

A literatura infantil vai finalmente ter um lugar de destaque entre os grandes prémios literários internacionais.
A Fundação do Prémio Booker, responsável pelos prestigiados Booker Prize e Booker Internacional, anunciou a criação de um novo galardão dedicado à literatura infantil, que será lançado oficialmente no próximo ano.

 

 Um prémio para celebrar a imaginação:

Segundo o comunicado da Fundação, o novo Prémio Booker para Crianças vai celebrar “a melhor ficção contemporânea para leitores entre os 8 e os 12 anos”, abrangendo tanto obras escritas originalmente em inglês como livros traduzidos de outras línguas, desde que publicados no Reino Unido e/ou na Irlanda.

Este detalhe é especialmente relevante, pois abre espaço a autores e ilustradores de todo o mundo, permitindo que a diversidade cultural e linguística também seja reconhecida e celebrada.

Tal como os outros dois prémios Booker, o valor do galardão será de 50 mil libras (cerca de 43.600 euros), a dividir entre autor e ilustrador, ou entre autor e tradutor, consoante o caso.

 

Literatura, imaginação e futuro:

O primeiro presidente do júri será o escritor Frank Cottrell-Boyce, autor britânico amplamente reconhecido pelas suas obras para crianças e jovens.
O júri contará ainda com adultos e crianças, um detalhe encantador e simbólico que pretende equilibrar o olhar técnico com o olhar genuíno dos pequenos leitores — afinal, ninguém sabe melhor o que encanta uma criança do que ela própria.

Nas palavras de Gaby Wood, diretora executiva da Fundação do Prémio Booker, este novo prémio “quer ser várias coisas em simultâneo: um reconhecimento de futuros clássicos, uma intervenção social que inspire mais jovens a ler e uma semente a partir da qual novas gerações de leitores possam crescer.”

 

Calendário e expectativas:

As candidaturas à primeira edição abrem na primavera de 2026, com os finalistas a serem revelados em novembro do mesmo ano.
O livro vencedor será anunciado em fevereiro de 2027.

Até lá, a expectativa é grande. O lançamento do Booker para Crianças promete não apenas valorizar autores e ilustradores, mas também reacender a importância da literatura infantil como espaço de descoberta, empatia e criatividade.

 

Porque ler na infância é plantar o futuro:

Este novo galardão representa muito mais do que um reconhecimento literário — é um gesto simbólico de respeito pelo poder transformador dos livros.
As histórias que lemos em crianças moldam a forma como olhamos o mundo, como imaginamos, como sentimos e como sonhamos.

Ao dar à literatura infantil o mesmo estatuto dos grandes prémios literários internacionais, o Booker Prize abre caminho para uma nova era: uma em que as histórias para crianças são reconhecidas não apenas como entretenimento, mas como arte essencial para o crescimento humano.

 


“Os livros infantis são o primeiro espelho do mundo — e o novo Prémio Booker quer garantir que esse reflexo continua a ser luminoso, inclusivo e inspirador.”

 

Sab | 25.10.25

"As Regras do Fred" de Bruno Leão

Um conto divertido, inesperado e cheio de amor

Nelson Pradinhos

Orange and Black Neon Halloween Party Instagram Po

Em "As Regras do Fred", Bruno Leão volta a mostrar o porquê de a sua escrita ser tão viciante: leve, divertida e ao mesmo tempo cheia de emoção.
Foi uma leitura rápida, deliciosa e, como sempre, com aquele toque de humor e ternura que o autor sabe equilibrar tão bem.

 

Fred e Thor: o reencontro que todos queríamos

Neste conto, acompanhamos o Fred — uma personagem super divertida, espontânea e cheia de energia — e descobrimos como o Thor apareceu na sua vida e como ele e o André se conheceram.
É o tipo de história que aquece o coração e arranca gargalhadas, com aquele ritmo natural e envolvente que já é marca registada do Bruno.

O melhor?
A dinâmica entre as personagens é simplesmente INCRÍVEL — cheia de química, humor e momentos que nos fazem sorrir do início ao fim.

 

 Surpresas (muito) inesperadas:

De todas as pessoas e situações possíveis de surgir neste conto, o aparecimento da Maria Leal foi, sem dúvida, o momento mais inesperado — e hilariante!
É aquele tipo de plot twist que nos apanha completamente desprevenidos, mas que torna a leitura ainda mais divertida.

Bruno Leão tem essa capacidade rara de brincar com o improvável, mantendo o tom leve e sempre coerente com o universo das suas personagens.

 

Uma escrita que vicia: 

A escrita é, mais uma vez, viciante — direta, fluida e cheia de personalidade.
Bruno tem uma forma muito própria de escrever: faz-nos rir, mas também sentir.
E isso é o que torna as suas histórias tão especiais.

Neste conto, voltamos a ver o quanto ele domina o equilíbrio entre o humor e o afeto, entre o inesperado e o profundamente humano.

 

❤️ Conclusão:

As Regras do Fred é um conto cheio de ritmo, emoção e boas surpresas.
Gostei imenso de poder conhecer mais sobre o Fred e o Thor — duas personagens queridas que ganham ainda mais profundidade e carinho aqui.

É uma história curta, divertida e amorosa, perfeita para quem já acompanha o universo de Bruno Leão, mas também uma ótima porta de entrada para quem quer descobrir a leveza e o coração das suas palavras.

 

Classificação: 4 / 5

 

“O Fred é um caos adorável, o Thor é puro encanto, e o Bruno Leão continua a escrever com aquele humor e coração que nos vicia.” 

 

Sab | 25.10.25

“O Outono que Espirrava Folhas: O Segredo das Bolachas Mágicas”

Capítulo 3 – "A Dança dos Mortos"

Nelson Pradinhos

1.png

O Outono e o Samuel Zombie seguiam o trilho do cheiro a bolachas de abóbora pelo Bosque Douramel.

            Mas, à medida que a tarde se vestia de sombras, o bosque parecia mudar de tom.

            As folhas, antes douradas e alegres, começaram a rodopiar de forma mais lenta, quase como se dançassem ao som de uma música invisível.

            — Ouves isto? — perguntou o Outono, franzindo o nariz.

            — Ouço… — respondeu Samuel, erguendo a cabeça. — É uma música…, mas não vem de nenhum lado.

            De repente, um sopro gelado varreu a clareira.

            O chão tremeu ligeiramente e, debaixo das folhas secas, começaram a erguer-se figuras pálidas — sombras que se esticavam e tomavam forma.

            Eram fantasmas.

            Mas não tinham ar assustador; pareciam contentes… e elegantes.

            Usavam roupas antigas, translúcidas, e moviam-se com graça, como bailarinos de outro tempo.

            Samuel piscou os olhos, maravilhado.

            — Uau! Eles estão a dançar!

            O Outono sorriu, fascinado.

            — Parece que as tuas bolachas não são a única coisa mágica por aqui…

            Os fantasmas davam voltas e mais voltas, guiados por uma melodia que apenas o vento sabia tocar.

            Uma menina-fantasma, com o cabelo feito de fumo e pétalas, aproximou-se dos dois e curvou-se.

            — Querem juntar-se a nós na Dança dos Mortos?

            O Outono olhou para Samuel, meio assustado, meio curioso.

            Samuel deu um passo em frente e estendeu a mão à menina.

            — Eu danço, — disse ele com um sorriso torto.

            E assim começou a dança.

            O vento ganhou ritmo, e uma melodia misteriosa começou a ecoar entre as árvores — um som feito de guinchos suaves, risos ao longe e sinos pequeninos que tilintavam como gargalhadas de bruxas.

            Era uma música de Halloween — divertida, viva, impossível de ficar parado.

            O Outono foi levado pela brisa, e as suas folhas brilharam em tons de cobre e ouro, formando um redemoinho à volta dos fantasmas.

No meio da valsa, sentiu o nariz a coçar.

            — Atchimm! — espirrou, e as folhas levantaram-se num turbilhão luminoso.

            Rodopiaram à volta dos fantasmas como confetes de luar, iluminando o bosque inteiro.

            Os fantasmas riram, encantados.

            — Que entrada triunfal! — exclamou Samuel, aplaudindo.

            O Outono corou, mas o vento parecia rir com ele. Pela primeira vez, o seu espirro não lhe trouxe vergonha — trouxe encanto.

            A música continuou, leve e brincalhona:

            O som misturou-se à música do vento, e o bosque inteiro dançou.

            Samuel, que normalmente era desajeitado, movia-se com leveza — como se aquela melodia fosse feita para ele.

            Os fantasmas rodopiavam à volta, e o bosque inteiro parecia respirar ao ritmo da valsa encantada.

            Quando a última nota soou, tudo parou.

            Os fantasmas sorriram, curvaram-se e, um a um, dissolveram-se na neblina.

            A música desapareceu, mas o chão ficou salpicado de pequenas luzes, como estrelas caídas.

            — O que foi isto? — perguntou o Outono, ainda sem fôlego.

            Samuel pensou por um instante e respondeu com simplicidade:

            — Acho que foi o Halloween a ensaiar a sua primeira dança.

 

:::::

 

Convido-te a ler, sentir e partilhar a tua opinião nos comentários:

✨ O que mais te encantou?
🍪 Qual foi a tua parte favorita?
💭 E o que mudarias, se fosses tu a soprar o vento desta história?

As tuas palavras ajudam esta aventura a crescer — como folhas novas a nascer no coração do bosque.
Obrigada por caminhares comigo nesta estação de magia e imaginação.

Com carinho,
Nelson Pradinhos

 

Sex | 24.10.25

Colorir pela Palestina — quando a arte se torna um gesto de esperança

Nelson Pradinhos

unnamed_1.webp

Há livros que nascem de um desejo profundo de mudar o mundo — nem que seja apenas um bocadinho.
Colorir pela Palestina é um desses livros: um livro de colorir para crianças, mas também um ato de solidariedade e resistência pacífica, feito com o coração e com o poder da arte.

Editado pelo coletivo Parents for Peace Portugal (PfP) — um grupo de mães, pais e cuidadores que defendem os direitos humanos e a libertação do povo palestiniano — este projeto reúne o talento e a generosidade de 22 ilustradores portugueses que se uniram por uma causa maior: dar cor à esperança.

 

Um livro que faz mais do que colorir

À primeira vista, é um livro de atividades infantis.
Mas nas suas páginas vive muito mais do que desenhos para pintar:
há mensagens de empatia, liberdade e humanidade — um convite para que crianças e adultos pensem, sintam e, sobretudo, não fiquem indiferentes.

Cada ilustração é uma janela aberta para a ternura, a cultura e a dignidade de um povo que continua a lutar pela vida.
É uma forma simples, mas profundamente simbólica, de educar para a paz através da arte e do diálogo.

 

100% solidário: todas as cores ajudam

Todo o valor angariado com a venda de Colorir pela Palestina é doado integralmente (100%) a projetos humanitários que atuam no terreno, prestando assistência médica, alimentação e alojamento às famílias palestinianas.
As organizações apoiadas são:

Heal Palestine

Sun of Freedom

Seeds of Hope

Amsterdam/Palestine

Cada página colorida é, assim, uma forma de dar vida a quem mais precisa, de transformar o simples ato de desenhar numa ação concreta de ajuda.

 

Um gesto pequeno, um impacto profundo

Colorir pela Palestina mostra-nos que há muitas maneiras de resistir à indiferença.
Algumas começam com uma folha em branco, uma caixa de lápis e um coração disposto a agir.
É um projeto que fala de paz, mas também de empatia — e que lembra que a arte pode ser um refúgio, uma linguagem universal e um instrumento de mudança.

Neste tempo em que a dor parece ocupar o lugar da esperança, colorir torna-se uma forma de cuidar.

 

Porque a paz também se aprende em família

Mais do que um livro, este é um ponto de partida para conversas importantes entre gerações: sobre justiça, humanidade e o que significa ajudar o outro.
É um gesto que nasce do amor — e que mostra às crianças que até os pequenos gestos podem iluminar o mundo.

💚 Colorir pela Palestina é um livro para todos os que acreditam que a paz também se desenha, se pinta e se partilha.

 

Disponível através da Parents for Peace Portugal.
Saiba mais sobre o projeto e como adquirir o livro em: [Parents for Peace Portugal]

OU

Pode adquirir também na Editora Flâneur 

 

 

Sex | 24.10.25

Campanha “Papel por Alimentos” — o papel que faz a diferença

Nelson Pradinhos

569442624_18423423505107892_5576377217994959094_n.

Nem sempre é preciso muito para mudar o mundo. Às vezes, basta um simples gesto — como reciclar.
A Federação Portuguesa dos Bancos Alimentares Contra a Fome volta a lançar, em 2025, a campanha “Papel por Alimentos”, uma iniciativa que junta solidariedade e sustentabilidade numa ação que transforma resíduos em esperança.

 

Como funciona a campanha?

A ideia é simples:
todo o papel recolhido é convertido em produtos alimentares, que depois são distribuídos pelos Bancos Alimentares às famílias mais carenciadas do país.

Jornais, revistas, cadernos, folhas soltas, caixas de papel, livros antigos — tudo conta.
Cada quilo de papel entregue é transformado em comida que chegará à mesa de quem mais precisa.

Ao participar, está não só a ajudar a combater a fome, mas também a proteger o ambiente, contribuindo para a redução de resíduos e promovendo a economia circular.

 

Um gesto duplamente solidário

A campanha “Papel por Alimentos” é um exemplo perfeito de como pequenas ações podem ter grande impacto.
É uma oportunidade para envolver escolas, empresas, autarquias e famílias inteiras num movimento que une duas causas essenciais:

1.o apoio social a quem enfrenta dificuldades;

1.e o respeito pelo planeta que todos partilhamos.

Porque cada folha de papel reciclada é também um ato de consciência, um sinal de empatia e um passo rumo a um futuro mais justo e sustentável.

 

 O seu papel é essencial!

Até o gesto mais simples — aquele caderno que já não usa, o jornal de ontem, a pilha de papéis esquecida na gaveta — pode transformar-se em alimento e esperança para alguém.
É essa a magia desta campanha: dar novo valor ao que parecia não ter valor nenhum.

Participe, divulgue, envolva os seus amigos, colegas e familiares.
Juntos, podemos transformar toneladas de papel em milhares de refeições.

 

📍 Mais informações:
Saiba como doar o seu papel e encontrar o ponto de recolha mais próximo em www.bancoalimentar.pt

💚 Campanha “Papel por Alimentos” — porque a solidariedade também se escreve no papel.

 

Sex | 24.10.25

“Todos os Passos Contam” — Caminhar para Alimentar o Coração

Nelson Pradinhos

valorgesto.jpg

De 8 de outubro a 10 de dezembro de 2025, o desafio volta a repetir-se: transformar quilómetros em refeições.
A campanha solidária da Fundação Galp, em parceria com a Rede de Emergência Alimentar e os Bancos Alimentares Contra a Fome, regressa com um objetivo simples e poderoso — fazer com que cada passo conte para quem mais precisa.

 

👣 Como funciona?

A iniciativa é aberta a todos: basta caminhar, correr, dançar ou pedalar — cada quilómetro percorrido é convertido numa refeição para uma família carenciada.
A Fundação Galp compromete-se a oferecer uma refeição por cada quilómetro registado, garantindo que a energia de cada participante se transforma em alimento real e esperança concreta.

 

O processo é simples:

1.Registe os seus quilómetros numa aplicação de fitness (telemóvel, relógio ou pulseira inteligente).

2.Submeta as distâncias percorridas em 👉 todosospassoscontam.galp.com.

3.Escolha participar individualmente ou em equipa, somando quilómetros diariamente ou semanalmente.

 

Cada quilómetro vale uma refeição.
Quanto mais se movimentar, mais está a ajudar!

 

Um gesto pequeno, um impacto imenso:

Esta campanha é mais do que uma simples corrida solidária — é uma forma de unir movimento e empatia.
Num tempo em que tantas famílias continuam a lutar contra a insegurança alimentar, esta é uma oportunidade para agir de forma concreta, sem complicações.
Basta um passeio diário, uma volta de bicicleta ou uma caminhada entre amigos para fazer a diferença.

 

Todos juntos por uma causa maior:

O Banco Alimentar Contra a Fome tem sido, ao longo das décadas, uma das maiores redes de solidariedade em Portugal, apoiando milhares de famílias em situação de vulnerabilidade.
Com esta parceria, a Fundação Galp reforça o seu compromisso com a comunidade, mostrando que a energia do bem é a que mais alimenta.

Participe, motive os seus colegas, partilhe nas redes, desafie a sua família.
Cada passo conta. Cada quilómetro é um gesto de amor.

 

De 8 de outubro a 10 de dezembro, mova-se com o coração.

Porque caminhar é bom — mas caminhar para ajudar é ainda melhor. 

 

Nelson Pradinhos