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Onde o Mar Encontra as Palavras

Entre silêncios, memórias e aquilo que ainda quero dizer

Onde o Mar Encontra as Palavras

Entre silêncios, memórias e aquilo que ainda quero dizer

Sex | 24.10.25

“Heartstopper” inspira livro com 50 histórias reais de transformação e esperança

Nelson Pradinhos

Há histórias que ultrapassam o ecrã — e Heartstopper é, sem dúvida, uma delas.
A série que começou como uma novela gráfica criada por Alice Oseman, e que conquistou o mundo através da adaptação da Netflix, tornou-se muito mais do que uma história sobre dois adolescentes que se apaixonam. Tornou-se um símbolo de esperança, aceitação e amor em todas as suas formas.

Agora, esse impacto ganha nova vida num livro emocionante:

Why Are We Like This? Stories of Transformation, escrito por Rowan Murphy (homem trans de 53 anos) e George Hightower (homem gay de 61 anos), que será lançado a 8 de novembro.

 

“Estas são histórias de força, coragem e inspiração”

A obra reúne 50 histórias reais de fãs de todo o mundo, que partilham como Heartstopper transformou — e até salvou — as suas vidas.
Desde jovens que encontraram coragem para se assumirem, a pessoas que aprenderam a amar quem são, a pais que reconstruíram pontes com os seus filhos, o livro mostra o poder que uma simples história pode ter quando é contada com verdade e empatia.

“Estas são histórias de força, coragem e inspiração”, afirmam os autores.
“Representam o melhor de quem somos — enquanto humanos, e enquanto membros ou aliados da comunidade LGBTQIA+. Estas vozes precisam de ser ouvidas, agora mais do que nunca.”

Why Are We Like This? book cover


Um fenómeno que acendeu luzes no mundo inteiro

Heartstopper nasceu de forma simples — um romance gráfico sobre dois rapazes, Nick e Charlie, que se apaixonam na escola.
Mas a forma como Alice Oseman retratou o amor, o respeito, a descoberta e a vulnerabilidade, tocou milhões de pessoas em todo o mundo.
A série da Netflix, protagonizada por Joe Locke e Kit Connor, levou essa ternura a outro nível, transformando-se num refúgio emocional para quem sempre sonhou ver o amor representado com naturalidade e beleza.

Os autores do novo livro reconhecem esse poder

“Para muitos, Heartstopper foi um farol”, dizem. “Esperamos que, ao partilhar estas histórias, possamos manter essa luz acesa.”

 

“Lembrou-me o que é sentir-me verdadeiramente viva”

Entre os 50 testemunhos, há frases que ficam connosco.
Michelle, uma das participantes, partilhou:

Heartstopper despertou uma parte de mim que estava adormecida. Lembrou-me o que é sentir-me verdadeiramente viva.”

Outro fã, Braeden, escreveu:

Heartstopper não me deu apenas representação. Deu-me esperança, autoaceitação e a crença de que o amor — verdadeiro, suave e significativo — é possível para mim também.”

 

Uma carta de amor à comunidade

Why Are We Like This? é, acima de tudo, uma carta de amor à comunidade Heartstopper — e a todos os que, em algum momento, se viram refletidos nas suas páginas ou episódios.
É um lembrete de que a arte pode curar, unir e inspirar.
E que, mesmo num mundo que tantas vezes tenta apagar o que é diferente, há histórias que continuam a brilhar — e a fazer-nos acreditar que o amor é o nosso maior superpoder.

 

🌈 Why Are We Like This? Stories of Transformation chega às livrarias a 8 de novembro e promete emocionar tanto quanto inspirar.

Já a sexta e última parte da saga literária de Heartstopper será lançada a 2 de julho de 2026, encerrando com ternura uma das histórias mais queridas da literatura contemporânea.

 

“Há histórias que mudam vidas. Heartstopper foi uma delas — e este novo livro é a prova viva de que o amor continua a transformar o mundo, uma história de cada vez.” 

 

Sex | 24.10.25

🎒 "Tomás na Escola dos Grandes" — crescer é uma aventura!

Nelson Pradinhos

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Há histórias que nos lembram como o crescer é, ao mesmo tempo, uma alegria e um desafio.
"Tomás na Escola dos Grandes", de Marisa Lemos, é uma dessas histórias encantadoras — uma viagem leve e divertida pelo mundo das primeiras descobertas, dos medos e das conquistas que acompanham o início de uma nova etapa na vida das crianças.

Tomás é um menino curioso e sonhador que está prestes a começar a escola “dos grandes”.
Entre expectativas, ansiedade e curiosidade, ele vai aprendendo o significado da coragem, da amizade e da confiança.
A história conduz-nos com ternura através desse momento tão especial — o primeiro dia de escola — que marca o início de uma nova fase, não só para as crianças, mas também para os pais que as acompanham.

O livro fala de mudança, adaptação e crescimento, com uma sensibilidade que só a autora consegue transmitir.
As ilustrações (cheias de cor e emoção) tornam a leitura ainda mais cativante, ajudando os mais novos a reconhecerem-se nas expressões, nas pequenas vitórias e até nos receios de Tomás.

É um livro que acolhe as emoções infantis — sem pressa, sem julgamentos.
Mostra que ter medo é natural, mas que é possível transformá-lo em curiosidade e entusiasmo.
E é também um lembrete para os adultos: que a empatia e o encorajamento são as melhores ferramentas para ajudar as crianças a crescerem felizes e confiantes.

No fim, Tomás na Escola dos Grandes deixa-nos com um sorriso no rosto e o coração cheio — porque todos nós, em algum momento, fomos o “Tomás” que enfrentava o desconhecido com um misto de nervos e esperança.

💛 Uma leitura doce, educativa e inspiradora, perfeita para partilhar com os mais pequenos.

 

Classificação: 5 / 5

Temas: Primeiros dias de escola, amizade, autoconfiança, emoções infantis
Público-alvo: Leitores a partir dos 5 anos e famílias que vivem a transição para o 1.º ciclo

 

“O primeiro dia de escola pode assustar um bocadinho… mas com amor, coragem e um sorriso, o mundo dos grandes torna-se uma nova aventura.” ✨

 

Sex | 24.10.25

💕 Séries que me apaixonaram nestes dias...

Nelson Pradinhos

Nestes últimos dias mergulhei em várias séries que, de formas diferentes, me tocaram o coração.
São histórias sobre amor, amizade, crescimento e, acima de tudo, sobre o direito de sentir — sem medo, sem desculpas, com verdade.

 

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 Oh, Otto! — ★★★★★ (5/5)

Uma série doce, divertida e incrivelmente humana.
Oh, Otto! é sobre um rapaz peculiar e carismático que, apesar das suas manias e do seu jeito diferente de ver o mundo, conquista todos à sua volta com a sua autenticidade.
Mais do que uma história romântica, é uma série sobre aceitar as diferenças e celebrar o que nos torna únicos.
Otto é aquele tipo de personagem que nos faz rir, emocionar e refletir sobre como o amor pode ser leve e sincero — mesmo quando a vida é confusa.
É impossível não se apaixonar pela sua forma de ver o mundo.

🧡 Uma série que deixa o coração mais quente e o olhar mais doce sobre os outros.

 

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 ThamePo: Heart That Skips a Beat — ★★★★★ (5/5)

Se o amor tivesse um som, seria o de um coração a bater fora do compasso.
ThamePo: Heart That Skips a Beat é uma série tailandesa sobre dois jovens que descobrem o amor de forma inesperada, entre olhares tímidos, medos e gestos de ternura.
É sobre primeiros amores, autoaceitação e o medo (e encanto) de sentir algo tão novo que quase assusta.
A cinematografia é linda, o ritmo é calmo e poético — e a química entre os protagonistas é simplesmente perfeita.

💗 Uma série que nos lembra que o amor não precisa ser grandioso — basta ser verdadeiro.

 

 

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Semantic Error — ★★★★☆ (4/5)

Uma das séries coreanas BL mais conhecidas — e com razão.
Semantic Error junta o rigor e a racionalidade de um estudante de programação com o caos criativo de um artista.
O resultado? Uma história divertida, inteligente e com uma dinâmica deliciosa entre opostos.
Há tensão, humor e um crescimento emocional que faz toda a diferença.

💬 Se fosse um código, esta série seria um erro perfeito — porque é nesse erro que nasce o amor.

 

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Ball Boy Tactics — ★★★★★ (5/5)

Uma verdadeira surpresa.
Ball Boy Tactics é uma série sobre amizade, sonhos e a descoberta do amor num ambiente desportivo.
Entre treinos, rivalidades e momentos de superação, a história desenvolve-se com leveza e emoção.
Os protagonistas têm uma química encantadora, e o tom da série mistura humor com momentos de vulnerabilidade genuína.

🎾 Uma série sobre correr atrás da bola, mas também dos próprios sentimentos.

 

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 Boots — ★★★★★ (5/5)

Boots é daquelas séries que falam baixinho — e mesmo assim nos arrebatam.
Trata de reencontros, feridas antigas e segundas oportunidades.
Com um tom melancólico e cinematográfico, é uma história sobre amadurecimento, perdão e amor em tempos de mudança.
A fotografia é lindíssima e a trilha sonora combina perfeitamente com o tom emocional da narrativa.

 Uma série sobre caminhar, tropeçar e, ainda assim, continuar — com o coração aberto.

 

 No fim, o que fica…

Cada uma destas séries, à sua maneira, fala sobre emoções sinceras, vulnerabilidade e coragem.
Entre um “olá” tímido e um “adeus” com lágrimas nos olhos, há o mesmo fio invisível que une todas: a esperança de encontrar alguém que nos veja exatamente como somos.

Foram dias de maratonas, risos e suspiros — e, no final, o sentimento é simples:
 o amor, em qualquer língua, continua a ser a história mais bonita de todas.

 

Classificações gerais:

Oh, Otto! — ⭐⭐⭐⭐⭐

ThamePo: Heart That Skips a Beat — ⭐⭐⭐⭐⭐

Semantic Error — ⭐⭐⭐⭐☆

Ball Boy Tactics — ⭐⭐⭐⭐⭐

Boots — ⭐⭐⭐⭐⭐

 

Sex | 24.10.25

“No Kings” — Um Manifesto pela Democracia e Contra o Poder Absoluto

Nelson Pradinhos

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O que é o “No Kings”?

O movimento “No Kings” surge nos Estados Unidos em 2025 como uma mobilização de larga escala contra aquilo que os organizadores descrevem como tendência autoritária do governo do Donald Trump.

O slogan — “No Kings” (sem reis) — resume uma ideia simples, mas potente: nas democracias, ninguém está acima da lei, ninguém deve governar como monarca ou ditador.

As manifestações em torno desta linha-mestra contaram com milhares de eventos sincronizados por todo o país — mais de 2.000 ou mesmo 2.600 locais em diferentes estados, numa escala que se aproximou dos milhões de participantes.

 

Principais motivações e mensagens

1.Resistência à concentração de poder executivo e à militarização aparente de ações governamentais;

2.Reafirmação de que a democracia pertence ao povo — e não a figuras que se comportam como “reis” ou que tratam instituições públicas como seus feudos.

3.Mobilização descentralizada: o movimento não se define por um líder borgista, mas por acções locais, independentes, em comunidades espalhadas — reforçando a ideia de que a mudança vem de baixo, de muitas vozes, não de um único “chefe”.

 

Como se manifesta?

No dia-ação principal (por exemplo, 14 de junho e depois 18 de outubro de 2025) os participantes vestem-se de amarelo, carregam cartazes com slogans como “No Thrones. No Crowns. No Kings.”, marcham em ruas, organizam piquetes, e fazem ruído simbólico e real.

Embora o tom seja de protesto, há também elementos de celebração — bandas de rua, fantasias, criatividade visual.

 

Por que importa?

Vivemos num momento em que, em várias democracias, surgem sinais de erosão de freios e contra-poderes: abuso de poderes executivos, desrespeito por instituições, retrocessos em direitos civis. O “No Kings” serve como aviso: as liberdades não são garantidas; é preciso protegê-las ativamente.
Para quem não vive nos EUA, também é valioso porque mostra que a vigilância democrática é universal — que a defesa da igualdade perante a lei, da transparência, da participação real, não é apenas para “outros países”.

 

Reflexão para Portugal (e para nós)

Mesmo que o contexto seja americano, a mensagem ressoa: “Nenhum reino, nenhuma coroa, nenhum rei” aplica-se a qualquer democracia onde poder pode subir-se acima do povo.

Em Portugal e na União Europeia, é útil questionar até que ponto os cidadãos estão vigilantes ao poder — local, nacional ou supra­nacional.

Movimentos como este convidam a pensar: como participamos? Quantas vezes agimos apenas como espectadores?

A descentralização do “No Kings” mostra que mudar não depende apenas de grandes líderes ou partidos — depende de pequenas acções, locais, regulares.

 

No entanto…

Como todo movimento, “No Kings” enfrenta desafios: evitar que o protesto se torne polarizado, garantir que a acção não se torne espetáculo sem impacto, transformar mobilização em resultado (legislativo, institucional). Também há o risco de que símbolos visuais substituam conversas profundas. 

 

 Conclusão:

O “No Kings” não é apenas mais uma marcha — é um lembrete de que a democracia exige participação contínua.
Enquanto o lema “não aos reis” soa simples, o desafio é concreto: manter o poder subordinado ao povo, nunca o povo subordinado ao poder.
Em cada país, em cada comunidade, podemos convir que ninguém deve governar como rei, e que o poder serve quando se dobra ao bem comum — não quando se ergue acima dele.

 

Qui | 23.10.25

Porque ler é o melhor feitiço — livros e magia para um Halloween encantado

Nelson Pradinhos

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Há algo de profundamente mágico no mês de outubro.
O ar torna-se mais fresco, as folhas ganham tons de fogo, as abóboras iluminam janelas e o mundo parece sussurrar histórias antigas.
É o tempo em que o real e o imaginário se misturam — onde o medo se disfarça de fantasia e a curiosidade das crianças acende-se como velas na noite escura.

O Halloween, com todo o seu encanto e mistério, é muito mais do que uma celebração de bruxas e fantasmas.
É também um convite à imaginação — uma porta aberta para mundos onde tudo é possível.
E talvez por isso, seja também o momento perfeito para redescobrir o poder dos livros.

Porque, no fundo, ler é o melhor feitiço que existe.
Cada palavra é uma poção, cada página um espelho, cada história um feitiço que nos transforma um bocadinho mais.
Quando abrimos um livro, não apenas viajamos — renascemos.
Rimos, tememos, sonhamos.
E, como num encanto silencioso, encontramos dentro de nós a coragem e a ternura das personagens que amamos.

 Este Halloween, entre vassouras, gargalhadas e fantasmas simpáticos, há uma história que aquece o coração e brilha com uma luz muito especial:

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Camila e a Aventura no Dia das Bruxas

de Nelson Pradinhos

No livro Camila e a Aventura no Dia das Bruxas, as bruxas não são más, os medos não são inimigos e a amizade é o feitiço mais poderoso de todos.
Camila é uma menina curiosa e destemida, que descobre que a verdadeira magia vive no coração de quem acredita — e que até no Halloween, entre sombras e gargalhadas, há espaço para a bondade e a esperança.

Entre poções, gatos falantes e noites iluminadas pela lua, Camila ensina-nos algo precioso:
✨ que a coragem é feita de gestos pequenos;
✨ que a amizade vence qualquer feitiço;
✨ e que há sempre luz, mesmo na noite mais escura.

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Ler Camila e a Aventura no Dia das Bruxas é mergulhar num mundo doce e encantador, onde o Halloween ganha um novo significado — não como tempo de sustos, mas de descoberta e imaginação.
É uma história perfeita para partilhar em família, ler à luz das velas, e deixar que a magia das palavras se espalhe como faíscas no ar.

Porque, afinal, há feitiços que não precisam de varinha — basta um livro aberto e um coração disposto a sonhar. 

 

Lê, encanta-te e acredita.

“Abracadabra!
Palavras de encantar,
no livro da Camila
tudo pode mudar.”

 

Nelson Pradinhos

 

Qui | 23.10.25

"Um Milhão de Finais Felizes" de Vitor Martins

Nelson Pradinhos

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Há livros que chegam com uma doçura tão grande que parecem um abraço em dias nublados. "Um Milhão de Finais Felizes", de Vitor Martins, é exatamente isso — um romance juvenil cheio de cor, humor e emoção, que fala sobre amor, aceitação e coragem de ser quem somos num mundo que nem sempre é gentil.

Jonas é um rapaz simples, cheio de sonhos, que trabalha numa cafetaria e que escreve uma história sobre piratas — uma metáfora poética para a sua própria jornada de autodescoberta.
Entre cafés servidos, páginas escritas e silêncios que dizem mais do que palavras, ele vai aprendendo o valor da amizade, do amor e, acima de tudo, da aceitação.

Mas o que mais encanta neste livro é o olhar do autor sobre as relações humanas.

Vitor Martins escreve sobre temas delicados — como religião, homossexualidade, solidão e família — com uma sensibilidade rara.

Nada é forçado, nada é pesado. Tudo flui de forma natural, sincera e, ao mesmo tempo, profundamente emocional.

Ao longo das páginas, sentimos o coração de Jonas bater junto ao nosso.

Sentimos a ternura do Arthur, a força de Karina e o carinho de Danilo — personagens que parecem pessoas reais, que poderiam estar à nossa mesa, a rir ou a ouvir-nos quando precisamos.

E a cada capítulo, o livro vai oferecendo o que promete no título: um milhão de pequenas possibilidades de finais felizes.

É uma leitura que conforta, aquece e inspira — sobretudo para quem atravessa momentos difíceis ou se sente deslocado.

É sobre encontrar o nosso lugar, mesmo que seja fora do mapa.
É sobre família — a de sangue, e a que escolhemos.

E é, acima de tudo, sobre a coragem de amar sem pedir desculpa por isso.

O que mais admiro na escrita de Vitor Martins é a forma delicada e intensa como ele transforma o quotidiano em algo poético.

Mesmo quando fala de dor, há sempre esperança.

Mesmo quando fala de rejeição, há sempre amor.

E é impossível não sorrir — e não se emocionar — com o desfecho, que é tudo aquilo que o título promete: um final feliz, e mais uns quantos guardados no coração.

 

5 estrelas em 5.


Porque há livros que não terminam — apenas continuam dentro de nós.

“No fim, o que ‘Um Milhão de Finais Felizes’ nos ensina é que todos merecemos o nosso — e, quem sabe, um milhão deles.” ✨

 

Qua | 22.10.25

“O Outono que Espirrava Folhas: O Segredo das Bolachas Mágicas”

Capítulo 2 – "A Caça às Bolachas de Abóbora"

Nelson Pradinhos

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O Outono ainda tentava perceber se estava a sonhar.
Tinha acabado de conhecer um rapaz zombie simpático, com um sapato de cada cor, o cabelo despenteado cheio de folhas, a pele verde clarinha como relva molhada e uns pingos de lama que brilhavam como pintas de chocolate.
O seu sorriso era torto, mas tão bem-disposto que parecia um raio de sol perdido num dia nublado.
O Outono tentou cumprimentar Samuel…, mas o seu nariz começou a formigar.
— Atchimm! — E lá foi mais um vendaval de folhas douradas.
— Cuidado! — gritou Samuel, a rir-se. — Se continuares assim, o bosque vai pensar que é hora de hibernar!
O Outono riu-se, já sem tanta vergonha.
— É mais forte do que eu. Acho que o ar do outono me faz cócegas por dentro!
Samuel coçou a cabeça e bocejou.
— Sabes, espirrar folhas deve dar uma fome danada.
— Um bocadinho…, mas eu costumo lanchar bolachas de vento e batido de cheiro de maçã assada.
Samuel fez uma careta.
— Isso não enche barriga nenhuma! — disse, cruzando os braços. — O que tu precisas é de bolachas de abóbora!
— Bolachas de quê? — perguntou o Outono, franzindo o nariz.
— De abóbora! — exclamou Samuel. — As bolachas mais deliciosas do mundo! Comi-as uma vez, no Halloween do ano passado, e nunca mais as encontrei. Tinham um sabor mágico, doce e quentinho, como um abraço.
O Outono ficou de olhos muito abertos.
— Nunca provei uma coisa dessas.
— Então é o que vamos fazer hoje! — decidiu Samuel. — Vamos encontrá-las antes do Halloween chegar!

 

E lá foram os dois — um rapaz de vento e folhas, e um zombie curioso — a caminhar pelo Bosque Douramel à procura das bolachas perdidas.
Enquanto caminhavam, o Outono pensava como era estranho: antes escondia os seus espirros, agora eles pareciam abrir caminhos — o vento guiava-os sempre para algum lugar novo.


O Bosque Douramel parecia saído de um sonho dourado.
As árvores vestiam-se de cores quentes — laranja, cobre e mel — e o chão estava coberto de folhas e ramos que estalavam alegremente a cada passo.
O ar cheirava a canela, maçã assada e um leve toque de abóbora.
Um vento doce brincava entre os galhos, fazendo as folhas rodopiarem como pequenas bailarinas.
O Outono fungou.
— Cheira a algo doce!
— Isso é um bom sinal — respondeu Samuel. — As bolachas de abóbora deixam sempre um rasto de cheiro mágico.
De repente, ouviram um grasnar rouco vindo do alto de uma árvore.
— Graaak! Vocês aí em baixo, parem de farejar o chão como esquilos!
Os dois olharam para cima.
Num ramo alto, estava um corvo preto de olhos brilhantes e uma pequena pena branca no peito.
— Sou o Baltazar! — disse o corvo, com ar importante. — E vocês parecem perdidos.
— Não estamos perdidos — respondeu Samuel. — Estamos à caça das bolachas de abóbora mágicas!
O corvo inclinou a cabeça, interessado.
— Ah, essas bolachas... — disse, com voz arrastada. — Já não as vejo desde o último Halloween.
Dizem que aparecem apenas quando o bosque desperta para a festa dos espíritos.
O Outono sentiu o nariz a formigar, e antes que pudesse dizer alguma coisa…
— Atchimm! — Um turbilhão de folhas douradas subiu no ar, fazendo o corvo dar um salto e bater as asas, ofendido.
— Cuidado com esses espirros, rapaz do vento! — grasnou Baltazar. — Espirros desses mexem com a magia antiga do bosque!
O Outono ficou corado, tentando conter o riso.
— Desculpe… eu não consigo evitar.
— Hmpf! — fez o corvo, ajeitando as penas. — Pois talvez seja exatamente isso que o bosque precisa: um pequeno empurrão de vento.
Baltazar pousou num galho mais baixo e continuou:
— Se quiserem encontrar o que procuram, sigam o trilho das folhas cor-de-mel e escutem bem — a música do vento guiará o vosso caminho.
O corvo riu — o seu riso soava como o bater de asas ao amanhecer.
— Sigam o trilho e talvez encontrem o sabor que procuram… ou algo ainda mais mágico.
Antes que pudessem perguntar mais, Baltazar levantou voo, deixando para trás uma pena branca que flutuou suavemente até cair na mão do Outono.
O rapaz olhou-a com espanto e guardou-a no bolso do seu casaco de vento.
— Folhas cor-de-mel, música do vento… parece um bom começo.
— E se vierem bolachas no fim, melhor ainda! — disse Samuel, esfregando as mãos.

 

Os dois riram-se, sem imaginar que o rasto das folhas os levaria a uma noite diferente de todas as outras.

:::

Convido-te a ler, sentir e partilhar a tua opinião nos comentários:
✨ O que mais te encantou?
🍪 Qual foi a tua parte favorita?
💭 E o que mudarias, se fosses tu a soprar o vento desta história?

As tuas palavras ajudam esta aventura a crescer — como folhas novas a nascer no coração do bosque.
Obrigada por caminhares comigo nesta estação de magia e imaginação.

Com carinho,
Nelson Pradinhos

 

Qua | 22.10.25

"Liuben"

Nelson Pradinhos

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Liuben, do realizador Venci Kostov, é o primeiro longa-metragem da Bulgária com temática abertamente LGBTQIA+. 
O enredo acompanha Victor (27 anos), que vive em Madrid e regressa à sua vila natal na Bulgária para o funeral do avô. Ao prolongar a estadia, reencontra-se com o ambiente de infância, o pai, memórias e, inesperadamente, aproxima-se de Liuben (18 anos), jovem de origem cigana, orfão, marginalizado. A relação que se desenha entre eles une dois mundos muito diferentes — classe, etnia, identidade, pertença.

 

O que me agradou:

A coragem de abordar, no contexto de uma comunidade rural búlgara, temas como discriminação étnica (Cigana), pertença, identidade sexual e desigualdade social. Liuben mostra que o amor queer também se vive nos cantos mais invisíveis, longe dos centros urbanos.

A ambientação e o contraste entre Madrid (o mundo “conhecido” de Victor) e a vila na Bulgária — permite sentir o deslocamento, a diferença de oportunidades, a tensão entre o que somos e de onde vimos. Isso enriquece o drama e a empatia.

As performances principais têm momentos de grande verdade: Liuben como figura de desejo e vulnerabilidade, Victor como alguém dividido entre o passado e o presente — geram juntas tensão e ternura.

 

O que me deixou com reservas:

Em alguns momentos, o filme parece querer abarcar demasiados temas (classe, etnia, identidade, cidade vs campo, amor proibido) e isso dilui um pouco o focar-se mais profundo nas motivações de certos personagens.

A narrativa não sempre encerra de forma completamente satisfatória: há ambiguidade nos sentimentos, e quem procura desenlaces claros pode sentir que falta algo.

Algumas transições de ritmo ou de cena parecem mais abruptas — o que pode tirar ligeiramente a imersão.

 

Minha avaliação final:

Dou 4 estrelas porque Liuben é um filme significativo, com voz própria, que nos confronta e nos sensibiliza. Porém, não atinge o “excelente” por sentir que poderia aprofundar mais algumas relações ou consequências. Mesmo assim, é uma excelente adição ao cinema queer contemporâneo — especialmente relevante para quem procura histórias que vão além da cidade, além do óbvio, e rompem silêncios.

 

Para quem recomendo:

Quem aprecia romances LGBTQIA+ que se passam em contextos de diferença social e étnica.

Leitores/espectadores interessados em cinema independente e narrativas fora das grandes metrópoles.

Quem procura um filme que, mesmo tendo melancolia, oferece humanidade, questionamento e beleza visual.

 

⭐ Classificação: 4 / 5

 

Ter | 21.10.25

Camila e a Magia do Halloween — um livro que encanta corações

Nelson Pradinhos

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Há histórias que chegam até nós como um feitiço suave.
"Camila e a Aventura no Dia das Bruxas" é uma dessas histórias: uma história sobre coragem, amizade e o poder do bem — mesmo quando tudo parece envolto em sombras.

Neste livro cheio de cor e mistério, a pequena Camila embarca numa aventura mágica na noite de Halloween, onde bruxas, gatos falantes e poções secretas se cruzam com o brilho da esperança.
Mas, acima de tudo, esta é uma história sobre acreditar.
Acreditar que a magia está em nós, nas nossas escolhas e nas pessoas que nos rodeiam.

Halloween é a época perfeita para abrir este livro. Não só porque fala de bruxas e feitiços, mas porque nos recorda que, por detrás de cada máscara, há sempre uma história à espera de ser descoberta.

No universo de "Camila e a Aventura no Dia das Bruxas", o medo transforma-se em coragem, a solidão dá lugar à amizade e cada página é uma poção de ternura e encantamento.
É um livro para ler em família, à luz suave de uma vela, com o coração aberto à fantasia.

Porque a verdadeira magia não vive nas vassouras nem nas poções… vive nas palavras.

 

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Camila e a Aventura no Dia das Bruxas já está disponível!

O meu primeiro livro infantil, escrito com muito amor e imaginação, para leitores pequenos e corações grandes!

👉 Já disponível no site da editora: www.meialonga.pt

E em livrarias como FNAC, Bertrand e Wook online

 

Ter | 21.10.25

“O Nosso Sonho”, realizado por Pascal Plisson: cinco histórias verdadeiras de crianças extraordinárias

Nelson Pradinhos

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A Zero em Comportamento e a Projectos Paralelos estreiam em Portugal o documentário “O Nosso Sonho”, realizado por Pascal Plisson, um dos cineastas mais premiados do cinema documental contemporâneo, e produzido em parceria com a ONG Handicap International.

O filme fala-nos sobre a realidade de cinco crianças com diferentes tipos de deficiência, que enfrentam os desafios diários com coragem, humor e esperança. Apesar dos diagnósticos, barreiras sociais e contextos difíceis, cada uma delas tem um sonho – e a determinação para segui-lo.

“O Nosso Sonho” não é um filme sobre deficiência. É um filme sobre superação, amor e dignidade. Um retrato íntimo e profundamente humano que rejeita o dramatismo fácil e aposta na empatia, na força das famílias e na urgência de uma sociedade mais justa.

Para além das exibições comerciais, o filme será também apresentado para sessões com escolas, professores e organizações sociais, acompanhado de materiais pedagógicos desenvolvidos com especialistas em inclusão e direitos humanos.

O filme chega às salas portuguesas no momento em que a discussão sobre inclusão, equidade e educação para todos é mais urgente do que nunca.

SINOPSE

Maud, Charles, Antonio, Nirmala, Khendo e Xavier nasceram em diferentes partes do mundo e enfrentam desafios físicos, sensoriais ou mentais. Apesar das suas dificuldades, levam vidas incríveis, plenas de sonhos, atividades e aprendizagens. Neste documentário comovente e luminoso, Pascal Plisson leva-nos ao encontro destas crianças e jovens excecionais, acompanhando-os no seu dia a dia, junto das suas famílias, escolas, amigos e atividades. Com uma abordagem respeitosa e positiva, o filme celebra a diversidade e mostra que a deficiência não define quem somos.

AS CRIANÇAS

Maud, 14 anos, França
Amputada de uma perna e surda profunda, vive plenamente com a irmã gémea, Romy. Pratica vela, atletismo, dança contemporânea e toca violino.

Xavier, 14 anos, Ruanda
Com albinismo, sofreu rejeição familiar e risco de exploração. Hoje é um estudante de excelência e quer ser médico.

Charles, 11 anos, Quénia
Cego de nascença. Quer ser corredor de longa distância. Está a ser treinado por Wanyoïké, campeão paralímpico.

António, 8 anos, Brasil
Adotado. Autista, com TDAH e surdez parcial. Os pais, ambos com deficiência, dedicam-lhe a vida. Adora música e dança.

Nirmala e Khendo, 13 anos, Nepal
Perderam uma perna cada no terramoto de 2015. Tornaram-se melhores amigas. Vivem num internato e sonham com novas próteses para dançar.

APRESENTAÇÃO

O NOSSO SONHO é um documentário do realizador francês Pascal Plisson, que já nos habituou a filmes que acompanham jovens de diferentes partes do mundo em percursos de superação.
Depois de O Caminho para a Escola e Le Grand Jour, o cineasta volta a colocar o foco em crianças e adolescentes que, apesar das suas deficiências — físicas, sensoriais ou cognitivas — vivem com uma energia contagiante, uma coragem desarmante e uma vontade imensa de participar no mundo.

Neste novo filme, acompanhamos cinco histórias reais, filmadas em França, Quénia, Ruanda e Nepal, com uma abordagem próxima, respeitosa e luminosa.

O filme não pretende fazer um retrato dramático da deficiência, mas antes sublinhar o potencial de cada uma das crianças, destacando os laços familiares, a importância da escola e o papel das figuras adultas que as acompanham.

UM OLHAR POSITIVO SOBRE A DEFICIÊNCIA

Ao evitar cair na tentação do melodrama, O NOSSO SONHO oferece-nos um retrato realista, mas esperançoso da deficiência.

Cada uma das crianças retratadas tem limitações, sim, mas também sonhos, talentos, desejos e objetivos — como qualquer outra.

O filme convida-nos a mudar o foco: não ver o que falta, mas sim o que existe.
O realizador mostra, com sensibilidade, como estas crianças e jovens se constroem, com o apoio das famílias, das escolas e de adultos inspiradores.

A FORÇA DO VÍNCULO

É notável o papel desempenhado pelos adultos que acompanham estas crianças – pais, educadores, diretores de escola, médicos, técnicos.

O amor incondicional, a escuta, a confiança e a valorização são elementos-chave no desenvolvimento emocional e social de qualquer criança.

No filme, vemos como estas figuras contribuem para a autonomia e autoestima dos jovens protagonistas.

 

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