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Onde o Mar Encontra as Palavras

Entre silêncios, memórias e aquilo que ainda quero dizer

Onde o Mar Encontra as Palavras

Entre silêncios, memórias e aquilo que ainda quero dizer

Seg | 06.10.25

"Como Matar Homens e Sair Impune" de Katy Brent

Nelson Pradinhos

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Há livros que nos conquistam logo pelo título — e este foi um deles. Como Matar Homens e Sair Impune soa provocador, irónico e promete exatamente aquilo que entrega: uma história cheia de humor negro, crítica social e uma protagonista que é, no mínimo, inesquecível.

Kitty Collins parece ter a vida perfeita: é linda, influenciadora digital com mais de um milhão de seguidores, adora viagens, moda e bons vinhos. Mas, por detrás do glamour e das selfies, esconde-se uma assassina fria — e curiosamente, bastante cativante.

Cansada da forma como os homens tratam as mulheres, Kitty decide fazer justiça pelas próprias mãos. Entre o sarcasmo e a fúria, transforma-se numa espécie de “Dexter feminista”, eliminando predadores e abusadores. O resultado? Uma narrativa divertida, ácida e surpreendentemente viciante.

O livro mistura sátira, crítica social e empoderamento com uma escrita leve e ritmada. A autora consegue equilibrar o humor e a tensão de forma inteligente, mesmo que o final me tenha deixado um pouco dividido entre o riso e a reflexão.

Kitty é uma personagem que não se esquece: carismática, impulsiva, e com um sentido de justiça muito próprio. É impossível não simpatizar com ela, mesmo quando faz coisas… moralmente duvidosas.

No fundo, Como Matar Homens e Sair Impune é uma leitura divertida, mordaz e muito atual. Faz-nos rir, mas também pensar — sobre o medo que tantas mulheres sentem, sobre o poder, e sobre até onde alguém pode ir quando se cansa de ter medo.

Um livro que é tão afiado quanto a sua protagonista.
Recomendo a quem gosta de humor negro, de histórias ousadas e de protagonistas femininas que quebram todas as regras.

 

⭐ Classificação: 4 / 5

 

Dom | 05.10.25

Dia Mundial do Professor: Reconhecer, Valorizar, Apoiar

Nelson Pradinhos

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O Dia Mundial do Professor celebra-se a 5 de outubro, instituído em 1994 para homenagear todos os docentes que, com dedicação, transformam vidas. Não se trata apenas de ensinar conteúdos: o professor modela futuros — ajudando alunos a crescerem não só em conhecimento, mas em valores, confiança, senso crítico e humanidade. 

 

O papel do professor vai muito além da sala de aula:

Os professores são um pilar essencial numa sociedade que pretende ser justa e progressista. São eles que:

1.promovem igualdade de oportunidades entre alunos, proporcionando suporte educativo e emocional; 

2.ajudam a construir identidades, fomentam sonhos, raciocínio e cidadania;

3.mantêm-se presentes mesmo quando o sistema enfrenta desafios: falta de recursos, burocracia, condições de trabalho exigentes;

 

A realidade em Portugal: desafios urgentes

Apesar de todo o esforço e da importância indiscutível da profissão, os professores em Portugal enfrentam problemas que continuam a dificultar que a educação seja tudo aquilo que poderia (e deveria) ser:

1.Sindicatos como a Federação Nacional da Educação (FNE) alertam que é urgente valorizar a carreira docente, garantir salários dignos, condições de trabalho decentes e estabilidade.

2.No arranque do ano letivo, muitos professores manifestam preocupações acerca do Orçamento do Estado: cortes ou insuficiências orçamentais são vistos como retrocessos num setor que reclama investimento. 

3.Há também queixas sobre burocracia excessiva, exigências para além do horário letivo formal, e de que nem sempre existe apoio suficiente, técnico ou material, para que possam exercer o seu trabalho com a qualidade que desejam.

 

Porque celebrar hoje é também exigir amanhã:

Hoje celebramos os professores com carinho, agradecimento e aplausos. Mas a verdadeira homenagem exige algo mais: transformar o reconhecimento em ação concreta. Valorizar não só com palavras, mas também com políticas que assegurem condições dignas, formação contínua, reconhecimento profissional e recursos que permitam um ensino de qualidade.

Se queremos escolas onde todos os alunos possam aprender bem, sentir-se seguros e motivados, precisamos de professores motivados, reconhecidos e apoiados. O investimento em educação não é gasto: é investimento no futuro de todos.

 

Nelson Pradinhos 

Dom | 05.10.25

🌸 Outubro Rosa: memória, coragem e prevenção

Nelson Pradinhos

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Outubro traz consigo uma cor especial — o rosa — que não é apenas símbolo de prevenção do cancro da mama, mas também de coragem e de esperança. Para mim, esse mês carrega histórias muito pessoais que nunca esquecerei.

A minha irmã foi uma lutadora. Enfrentou o cancro com uma determinação imensa, mas infelizmente a sua vida foi interrompida demasiado cedo. No entanto, a sua batalha deixou marcas de amor e de cuidado. Graças aos exames e aos testes clínicos que realizou, a minha mãe pôde descobrir a doença ainda a tempo de agir.

Ela própria passou por um caminho duro: quimioterapia, mastectomia, a retirada dos ovários e do útero. Foi doloroso, mas foi também o que lhe permitiu continuar cá connosco. Hoje, a sua presença é um lembrete diário de que o diagnóstico precoce salva vidas.

Ao longo desta caminhada, conheci também histórias de outras mulheres que atravessaram os mesmos corredores de hospital. Muitas delas sobreviveram. Elas provam-nos que há sempre espaço para acreditar e lutar.

Outubro Rosa não é apenas um mês de campanhas, mas um momento para falarmos sobre isto sem medo, para lembrarmos quem partiu e celebrarmos quem venceu. É um apelo à prevenção, aos exames regulares, ao autocuidado.

Trago comigo a memória da minha irmã, o exemplo de resiliência da minha mãe, das amigas da minha irmã e a certeza de que falar sobre o cancro pode mudar futuros. Porque Outubro Rosa é, no fundo, sobre vida.

 

Nelson Pradinhos

 

Sab | 04.10.25

Moda que apoia: Conchita Bijuteria x As Rosinhas 💗

Nelson Pradinhos

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Outubro é o mês em que o mundo se veste de rosa para lembrar a importância da prevenção e da luta contra o cancro da mama. É também o mês em que surgem iniciativas que unem criatividade, solidariedade e esperança — e este ano, uma delas merece todo o destaque.

A @conchita_bijuteria, conhecida pelo detalhe e pela originalidade das suas peças, juntou-se às @asrosinhas_, uma marca que dá voz e apoio às mulheres que enfrentam o cancro da mama, para criar algo verdadeiramente especial.

Desta parceria nasceu um acessório exclusivo, feito com amor e propósito. Mais do que uma peça de moda, ele carrega uma mensagem: parte da receita reverte a favor da Associação, contribuindo para sensibilizar, apoiar e fortalecer mulheres nesta dura batalha.

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Este projeto mostra-nos como a moda pode ir além da estética e transformar-se num veículo de empatia. Cada acessório é um símbolo de força, união e esperança. Comprar é, ao mesmo tempo, um gesto de estilo e de solidariedade.

Porque, no fundo, o que usamos pode também dizer quem somos — e, neste caso, pode dizer ainda mais: que acreditamos num futuro mais corajoso e humano.

 

www.asrosinhas.org

 

Sab | 04.10.25

Dia Mundial do Animal 🐾

Nelson Pradinhos

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O Dia Mundial do Animal celebra-se a 4 de outubro e é um momento para refletirmos sobre a importância que os animais têm nas nossas vidas — desde os nossos companheiros de quatro patas até às espécies selvagens que habitam o planeta connosco.

É um dia que nos lembra que cada animal merece respeito, proteção e cuidado. Não se trata apenas de amar os nossos cães ou gatos, mas também de reconhecer que todos os seres vivos têm um papel fundamental no equilíbrio da Terra.

Infelizmente, este também é um dia que expõe a outra face da realidade: o abandono, os maus-tratos, a destruição dos habitats e a exploração. Em Portugal, milhares de animais continuam a ser deixados nas ruas todos os anos, muitos deles precisamente no verão, quando as famílias partem de férias.

Mas o Dia Mundial do Animal também é um convite à ação:

 

Adotar em vez de comprar 🐶🐱;

Apoiar associações e abrigos locais;

Contribuir para a preservação das espécies ameaçadas;

Educar os mais novos sobre o respeito pelos animais.

 

Os animais ensinam-nos sobre amor incondicional, lealdade e companheirismo. Quem tem um animal sabe que eles não pedem muito: apenas cuidado, carinho e presença.

Hoje, mais do que celebrar, é preciso lembrar que o bem-estar dos animais é também o bem-estar da humanidade. Porque cuidar deles é cuidar da vida. 

 

Sab | 04.10.25

"Frankie – Um Gato e o Sentido da Vida" de Jochen Gutsch , Maxim Leo

Nelson Pradinhos

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 Richard, um homem despedaçado pela dor da perda, à beira de desistir da vida, cruza-se com um gato de rua — Frankie — que, tal como ele, viveu nas sombras. E a partir desse encontro improvável, ambos começam a reaprender a viver. A premissa é simples mas poderosa.

 

O que gostei:

A relação entre Richard e Frankie — há algo de mágico em ver um gato transformar a vida de alguém que já não tinha esperança.

A leveza e o humor que o gato traz, mesmo em momentos difíceis. Porque rir em meio à dor é um ato de coragem.

As reflexões simples mas profundas sobre amizade, sentido de vida, solidão e reconexão.

A forma como o livro mostra que, às vezes, a mudança vem de fora — de alguém (ou algo) inesperado — que nos obriga a olhar para dentro.

 

 O que me deixou com sentimentos mistos:

O livro é relativamente curto, e acho que alguns temas complexos poderiam ter sido mais explorados.

Há passado de Richard que ficou meio à sombra; senti falta de conhecer mais da sua vida antes da tristeza para entender melhor a sua dor.

Frankie, embora adorável, é quase perfeito demais no papel de curador de almas — às vezes a sua presença parece demasiado boa para ser real.

 

 A mensagem final:

Apesar dos meus reparos, acredito que este livro faz algo essencial: lembrar que nunca somos tão perdidos que não possamos ser encontrados. Apesar da tristeza, da culpa, do silêncio que pesa — há sempre uma porta aberta, uma luz suave, uma presença inesperada que pode reavivar o querer viver.

Para mim, Frankie é um bom livro para os tempos em que precisamos de conforto, de palavras que nos façam acreditar que, mesmo no inverno da alma, pode haver calor. E que um bichinho, um gesto simples, pode ser o gatilho que nos leva de novo à vida.

 

⭐ Classificação: 4 / 5

 

Sex | 03.10.25

"Vamos receitar-lhe um gato" de Syou Ishida

Nelson Pradinhos

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"A cat a day keeps the doctor away."

Esta é a premissa que guia o livro de Syou Ishida, uma obra que mistura ternura, comédia e um toque de realismo mágico.

A história desenrola-se na enigmática Clínica Kokoro, um espaço escondido, quase impossível de encontrar, e que só aparece a quem mais precisa. Ali, o excêntrico Doutor Nikke e a sua recepcionista pouco simpática prescrevem… gatos. Sim, gatos como forma de terapia, de companhia e, no fundo, como remédio para a alma.

Cada capítulo apresenta-nos um novo paciente: alguém perdido, cansado, a precisar de um abraço silencioso que só um felino pode dar. E cada gato “receitado” torna-se a chave para reequilibrar a vida dessas pessoas. O formato repete-se de forma algo previsível, mas ao mesmo tempo cria um padrão reconfortante, quase como um ritual de cura.

O livro é charmoso e leve, mas não deixa de ter momentos de grande emoção. O último capítulo, em especial, é de cortar o coração, ao abordar a perda de um gato — uma dor que qualquer tutor de felinos conhece bem.

Apesar de ter achado a leitura simpática e acolhedora, senti que faltou alguma profundidade e variação na narrativa. Talvez por isso a minha avaliação tenha ficado pelas ⭐⭐⭐ em 5. Ainda assim, recomendo-o a quem gosta de histórias curtas, que misturam fantasia com reflexões simples sobre a vida — e, claro, a quem não resiste à magia dos gatos. 

 

⭐ Classificação: 3 / 5

 

Sex | 03.10.25

"Il ragazzo dai pantaloni rosa"

Nelson Pradinhos

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Há filmes que nos emocionam pelo enredo, outros pela estética, e alguns que simplesmente nos marcam pela forma como espelham realidades que preferimos não ver. Il ragazzo dai pantaloni rosa pertence a este último grupo. É uma obra sensível, dura e ao mesmo tempo delicada, que aborda a adolescência, a identidade e o peso da diferença num mundo que tantas vezes não sabe lidar com quem foge à norma.

O protagonista carrega nas suas inseperáveis calças cor de rosa não apenas uma peça de roupa, mas um manifesto silencioso. O rosa, frequentemente associado à fragilidade ou ao não pertencer a um mundo masculinizado, torna-se símbolo de resistência. Cada passo que ele dá com elas vestidos é uma afirmação: este sou eu, e não vou esconder-me.

Ao longo da narrativa, acompanhamos as suas dores: os olhares desconfiados, os risos maldosos, o preconceito que se cola à pele. Mas também vemos os pequenos instantes de ternura, de amizade e até de amor, que mostram que a vida, mesmo nos momentos mais sombrios, sempre guarda uma fresta de luz.

 

Temas que atravessam o filme: 

Identidade – O filme questiona o que significa ser fiel a si mesmo numa fase tão frágil como a adolescência. O rapaz das calças rosa ensina-nos que identidade não é sobre agradar os outros, mas sim sobre aceitar quem somos.

Preconceito – Mostra de forma nua e crua o impacto da discriminação. Não apenas o bullying visível, mas também os silêncios, os olhares e as ausências que magoam tanto quanto as palavras.

Empatia e amor – Apesar da dureza, o filme recorda-nos que basta um gesto de compreensão para transformar a vida de alguém. Uma mão estendida, um sorriso, um “eu aceito-te” podem ser forças mais poderosas do que todo o ódio.

 

Uma experiência que fica

A fotografia do filme é poética: as cores, a luz e até os silêncios criam um contraste entre a dureza da realidade e a beleza daquilo que ainda é possível sonhar. É impossível não nos sentirmos tocados.

Apesar de triste, amei este filme. Amei porque me fez sentir. Amei porque me fez refletir sobre o quanto ainda falta caminharmos enquanto sociedade. E amei porque, no fundo, deixa uma mensagem de coragem: a de que ser diferente não é um defeito, é uma força.

Il ragazzo dai pantaloni rosa é um lembrete de que a empatia pode ser o antídoto contra o preconceito. E é também um abraço silencioso a todos os que já se sentiram deslocados, julgados ou incompreendidos.

 

⭐ Classificação: 5/5

 

 

Qua | 01.10.25

🌸 Outubro Rosa: a cor da prevenção e da esperança

Nelson Pradinhos

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Outubro é muito mais do que um mês pintado de rosa. É um mês que nos convida a parar, a refletir e, acima de tudo, a agir. O Outubro Rosa é o movimento mundial de sensibilização para a prevenção e o diagnóstico precoce do cancro da mama — a forma mais comum de cancro entre as mulheres em todo o mundo.

Este mês lembra-nos que falar sobre saúde é falar sobre vida. Que um simples gesto, como a autoexame da mama ou a realização de exames de rastreio regulares, pode fazer toda a diferença. A deteção precoce aumenta de forma significativa as hipóteses de sucesso no tratamento, e é por isso que a informação e a prevenção são as maiores armas que temos.

Mas o Outubro Rosa não é apenas sobre números ou estatísticas. É também sobre força, coragem e esperança. É sobre as mulheres (e também homens) que travam diariamente esta luta, sobre as famílias que se unem, sobre as comunidades que se mobilizam. É sobre estender a mão, apoiar, partilhar histórias de superação e lembrar que ninguém está sozinho neste caminho.

Vestir o rosa, partilhar informação, apoiar instituições que trabalham nesta causa — cada pequeno gesto ajuda a dar voz a uma mensagem maior: a vida é preciosa e merece ser cuidada.

Neste Outubro Rosa, deixo-te um convite: cuida de ti, cuida das mulheres à tua volta, fala sobre prevenção, partilha conhecimento. Que o rosa não seja apenas uma cor, mas sim um símbolo de amor, de empatia e de vida.

🌸 Porque prevenir é um ato de amor.

 

Nelson Pradinhos

 

 

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