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Onde o Mar Encontra as Palavras

Entre silêncios, memórias e aquilo que ainda quero dizer

Onde o Mar Encontra as Palavras

Entre silêncios, memórias e aquilo que ainda quero dizer

Dom | 30.11.25

"A Lei do Espelho" de Yoshinori Noguchi

Nelson Pradinhos

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A Lei do Espelho, de Yoshinori Noguchi, um pequeno livro japonês que, apesar da sua brevidade, carrega uma mensagem poderosa sobre responsabilidade emocional, perdão e autoconhecimento. 

A obra apresenta-se como uma história — quase uma fábula contemporânea — sobre uma mãe que enfrenta um problema com o filho e procura ajuda para compreender e resolver a situação. É então que entra o conceito central: a ideia de que a forma como vemos os outros é, muitas vezes, um reflexo do que carregamos dentro de nós. Daí o título: a vida funciona como um espelho, devolvendo-nos os nossos medos, feridas e crenças, mesmo quando não temos plena consciência disso.

O livro é muito direto, escrito de forma simples e acessível, e talvez seja justamente por isso que a sua mensagem atinge com tanta facilidade. Fala sobre como guardamos mágoas antigas sem nos darmos conta, e como essas mesmas feridas moldam a forma como reagimos às pessoas que nos rodeiam — especialmente às mais próximas.

O ponto alto para mim foi o capítulo sobre o poder do perdão. Não um perdão ingênuo, mas um perdão consciente, que serve para libertar quem perdoa e não necessariamente para absolver quem fez mal. O autor relembra que guardar ressentimento é um fardo pesado, e que muitas vezes o sofrimento nasce muito mais do que nos recusamos a soltar, do que propriamente do que nos fizeram.

É um livro que se lê numa tarde, mas que fica ecoar por dias. A minha classificação de 4 estrelas prende-se com o facto de algumas reflexões soarem um pouco simplistas demais para realidades mais complexas — mas, mesmo assim, reconheço-lhe mérito, profundidade emocional e uma capacidade genuína de tocar o leitor.

Se procuras uma leitura curta, sensível e que te faça pensar sobre a forma como te relacionas contigo e com os outros, A Lei do Espelho é uma boa escolha.

Uma história que nos lembra que, às vezes, o maior ato de amor é aquele que dirigimos a nós próprios.

 

⭐ Classificação: 4 / 5

 

Qui | 27.11.25

Uma visita à Livraria Zumbido — um refúgio de livros, café e liberdade em Matosinhos

Nelson Pradinhos

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Na semana passada decidi conhecer um espaço que já me tinha despertado curiosidade só pelo nome: Livraria Zumbido, em Matosinhos.
E que surpresa boa foi entrar ali.

O nome parece pequeno, simples, mas carrega aquele som vibrante de vida — um “zumbido” bom, de movimento, criatividade e encontros. E é exatamente isso que a livraria transmite: uma energia suave, acolhedora, íntima, que nos convida a abrandar e a estar.

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Um sonho que trocou o ecrã pelas páginas

A Zumbido abriu portas a 20 de setembro, fruto do sonho da Joana Domingues, que deixou o mundo da televisão e do cinema para criar algo seu — um espaço onde os livros fossem mais do que objetos, fossem pontes.
Pontes entre pessoas, entre ideias, entre mundos.

Aqui, Joana imaginou (e concretizou) um lugar onde se entra devagar, sem pressas, onde cada canto nos chama a folhear, a descobrir, a conversar. A sentir.
E é isso que torna a Zumbido especial: ela foi pensada como um ponto de encontro, não apenas como uma livraria.

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Livros que ensinam liberdade

O propósito da Zumbido encantou-me profundamente.
Num tempo acelerado, cheio de desinformação e ruído, Joana acredita — e com toda a razão — que os livros continuam a ser uma das ferramentas mais bonitas e honestas para aprendermos sobre liberdade, democracia, empatia e felicidade.

Por isso, entre livros infantis e infantojuvenis, também encontramos obras que falam de cidadania, direitos humanos e temas atuais, explicados com uma sensibilidade que toca leitores de todas as idades.

Há de tudo um pouco:

literatura infantojuvenil

banda desenhada

novelas gráficas

manga

livros para adultos curiosos e inquietos

Mas todos têm um ponto em comum: abrem portas à reflexão e ao diálogo.

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☕🍪 Uma livraria com cheiro a café e bolos portuenses

Outro encanto da Zumbido é a sua pequena cafeteria.
Café de especialidade, bolachas caseiras, rolinhos de canela e outras delícias portuenses convidam-nos a ficar mais um pouco — a saborear, a ler, a estar presentes.

É um convite à pausa.
Aquele tipo de pausa que a vida urbana tende a engolir, mas que ali, na Zumbido, volta a encontrar espaço.

 

 Fins de semana cheios de vida

Aos fins de semana, o espaço transforma-se:

Hora do conto

Ludoteca com jogos de tabuleiro

Piano livre, para quem quiser deixar uma melodia no ar

Uma cave multifunções que recebe exposições, filmes e outras atividades culturais

E há um detalhe que adorei:
🐾 é pet friendly, o que significa que podemos partilhar a experiência com os nossos amigos de quatro patas.

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Uma exposição para sentir

No dia em que visitei, estava patente a exposição “Miríade – A viagem da cor entre o nascer e o morrer”, da artista Daniela Vilas-Boas — uma mostra delicada, sensorial, que complementou na perfeição o ambiente calmo e contemplativo da livraria.

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A Zumbido não é apenas uma livraria — é um lugar que nos devolve ao essencial

Saí dali com um livro na mão, um doce na memória e uma sensação de que ainda existem espaços que nos devolvem o tempo — e isso, nos dias de hoje, é quase magia.

Se passarem por Matosinhos, visitem a Zumbido.
Entrem devagar. Escutem o zumbido.
E deixem-se ficar.

 

📍 Zumbido – Rua Conde S. Salvador 324 r/c 4450-264 Matosinhos
 HORÁRIO:
Terça a sexta-feira das 11 às 19 horas
Sábado das 10 às 17 horas
Domingo e segunda-feira fechado

::::

REDES SOCIAIS: 

Instagram

Website

 

Qua | 26.11.25

No Facho Day: sai à rua em todo o país!

Nelson Pradinhos

 

1 de Dezembro — Restaurar a liberdade, a empatia e a resistência

No próximo dia 1 de Dezembro, Portugal volta a viver um momento crucial de mobilização cívica com o No Facho Day, iniciativa inspirada no protesto internacional No Kings Day e que convoca a sociedade a ocupar as ruas contra o ódio, a intolerância e a crescente normalização do discurso desumanizante no espaço público.

Numa data historicamente ligada à Restauração da Independência, este movimento pretende recuperar algo igualmente essencial: a liberdade, a dignidade e o direito coletivo a uma sociedade justa.

 

Porquê agora? Porque o país atravessa uma crise profunda — social, laboral, humana

O No Facho Day surge como resposta a um conjunto de sinais alarmantes que marcam o presente:

 

 1. Ataques aos direitos laborais

O novo pacote laboral, classificado por muitos como um retrocesso histórico, levou à convocação de uma greve geral a 11 de Dezembro. Há um sentimento generalizado de ameaça aos trabalhadores, à sua estabilidade e dignidade.

 

 2. Aumento dos crimes de ódio

Os números são claros: xenofobia, transfobia, homofobia e racismo estão a aumentar — e estão a atingir pessoas cada vez mais jovens.
O caso chocante da criança de 9 anos em Cinfães, que perdeu as pontas dos dedos num episódio de xenofobia e bullying, tornou visível o que muitos já sentem diariamente.

 

 3. Violência doméstica em escalada

Os dados nacionais continuam a subir, com mulheres e crianças entre as principais vítimas. O país não está a conseguir proteger quem mais precisa.

 

 4. A ascensão da extrema-direita

De ataques verbais a agressões físicas, de perseguições online a discursos organizados de ódio, a extrema-direita tem vindo a ganhar força — e as suas vítimas são as mesmas de sempre: minorias, migrantes, pessoas LGBTQ+, famílias pobres, mulheres, artistas, ativistas.

 

 5. Crise na habitação

Com o preço das casas a aumentar todos os meses, despejos e famílias obrigadas a viver em barracas, a habitação tornou-se um direito cada vez mais inacessível — sem soluções robustas à vista.

 

 6. Fragilização do SNS

Cortes anunciados pela tutela, urgências de obstetrícia encerradas, grávidas a dar à luz em ambulâncias, estações de serviço — e em alguns casos sem sobrevivência possível.
A saúde pública está a aproximar-se de um ponto crítico.

 

Por tudo isto, o No Facho Day convoca-nos: saiam à rua. Tomem o espaço público. Não normalizem o inaceitável.

O movimento sublinha:

“Não iremos tolerar políticas públicas que desvalorizam a vida, aprofundam desigualdades e permitem que a opressão cresça dia após dia.”

É um movimento apartidário, aberto a todas as pessoas que se revêm na luta por justiça, liberdade e dignidade humana.

 

MANIFESTAÇÕES | 1 DE DEZEMBRO | 15h30

Várias cidades vão receber o protesto em simultâneo:

Coimbra – Praça 8 de Maio

Faro – Praça D. Francisco Gomes

Lisboa – Assembleia da República

Porto – Avenida dos Aliados

 

Um ato de resistência — e uma homenagem

Neste 1 de Dezembro, não se trata apenas de protestar.
Trata-se de homenagear todos os que, ao longo da história, deram a vida pela liberdade.
De lembrar que a democracia só vive quando a defendemos.
De afirmar que o fascismo, o ódio e a desumanização não podem — e não vão — passar.

Este dezembro, Portugal levanta-se.
Porque a liberdade não se celebra sentada.

 

Manifesto NoFachoDay – É urgente o amor, é urgente tomar as ruas (Manifesto)

 

Qua | 26.11.25

Presentes Solidários Helpo: Este Natal, o seu presente é Obra!

Nelson Pradinhos

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Este ano, o seu presente solidário de Natal vai ajudar a reconstruir escolas destruídas pelos ciclones Chido, Dikeledi e Jude que, há cerca de 1 ano, atingiram violentamente o norte de Moçambique.

São milhares de crianças, que continuam a estudar em salas de aula fortemente danificadas, sem teto e sem condições de segurança.

Oferecer um Presente Solidário Helpo é pôr Mãos à Obra! e apoiar a educação destas crianças.

Mas é também pôr as Mãos na Obra!

Os Presentes Solidários Helpo deste ano contam com a generosa colaboração da artista Kruella d’Enfer, que criou a ilustração “Rise” em exclusivo para esta campanha, e que vai poder oferecer em diferentes formatos aos seus amigos e familiares.

A partir de 10€, que simbolicamente representam 10 tijolos para a reabilitação das escolas, vai poder oferecer um postal, um tangram, um saco de pano ou uma risografia* numerada e assinada pela prestigiada artista visual portuguesa.

Juntamente com o seu presente, segue uma carta que explica o apoio e identifica as escolas a ser reconstruídas, bem como o link para a página online desta campanha solidária, onde será possível acompanhar a reabilitação das salas de aula danificadas.

É obra, não é?

https://presentessolidarios.helpo.pt/

 

Qua | 26.11.25

Violência Contra as Mulheres: APAV regista aumento superior a 11% no número de vítimas apoiadas em três anos

Nelson Pradinhos

Número de vítimas femininas apoiadas pela Associação Portuguesa de Apoio à Vítima (APAV) aumenta mais de 11% nos últimos três anos

No Dia Internacional para a Eliminação da Violência Contra as Mulheres, a Associação Portuguesa de Apoio à Vítima (APAV) divulgou novos dados que revelam uma realidade preocupante: entre 2022 e 2024, o número de vítimas femininas apoiadas aumentou mais de 11%, contrariando a expectativa de descida ou, pelo menos, estabilização dos casos.

Num período de apenas três anos, 36.489 mulheres recorreram à APAV, com a violência doméstica a representar 85% das situações registadas — um número expressivo que continua a mostrar a dimensão deste problema estrutural na sociedade portuguesa.

 

 Um crescimento que não deveria existir

Os números falam por si:

2022: 11.410 mulheres apoiadas

2023: 12.398

2024: 12.681

Paralelamente, foram registados 70.179 crimes e formas de violência, um aumento superior a 10%.

Em média, 20 mulheres por dia procuraram ajuda da APAV.
A maioria situa-se entre os 18 e os 64 anos, mas os pedidos incluem ainda:

5.451 crianças e jovens até aos 17 anos

3.765 mulheres com mais de 65 anos

Estes números evidenciam que a violência de género atravessa todas as idades.

 

 “Não há tendência de descida” — alerta da APAV

Para Daniel Cotrim, assessor técnico da APAV, a esperança de que os casos diminuíssem não se confirmou:

“Não existe estabilidade nos dados. Não há tendência de descida, que era aquilo que esperávamos.”

Ao mesmo tempo, acredita que o aumento dos pedidos de ajuda pode também ser um reflexo positivo:

“As mulheres estão mais informadas, mais alertas para os seus direitos. Querem quebrar relações abusivas.”

Ainda assim, a realidade que chega à associação é cada vez mais grave.

 

 Violência mais rápida, mais letal e mais jovem

Um dos sinais mais alarmantes é o tempo médio entre o primeiro episódio de violência e o pedido de ajuda: entre dois e seis anos. Embora este intervalo mostre maior consciência da gravidade das situações, a escalada de violência tem sido mais rápida:

começa com abusos emocionais,

passa para agressões físicas,

e chega, em poucos meses, a tentativas de homicídio.

Segundo Cotrim, esta tendência está relacionada com a propagação de discursos de ódio, misoginia e machismo, visíveis tanto na esfera pública como nas redes sociais.

E alerta para outro fenómeno:

“As pessoas agressoras são cada vez mais jovens — e as vítimas também.”

 

Quem são as agressoras e as vítimas?

Dos casos acompanhados pela APAV:

70% das pessoas agressoras são homens

A maioria tem entre 26 e 55 anos

Em 47,8% dos casos, a pessoa agressora está ou esteve numa relação íntima com a vítima

A violência baseia-se, segundo Cotrim, em ideias profundamente enraizadas no patriarcado, em perceções desiguais dos papéis de género e numa “falsa ciência” amplificada online.

 

 Uma violência endémica que exige prevenção

A APAV reforça que a violência contra as mulheres continua a ser um fenómeno estrutural, e não uma exceção. Está na cultura, na educação, nas relações e até nos algoritmos das redes sociais.

Por isso, as soluções passam pela prevenção, antes que o retrocesso dos direitos das mulheres se torne realidade:

educação emocional

promoção da igualdade de género

literacia digital

combate ao discurso de ódio

formação contínua para jovens, pais e comunidades

Como sublinha Cotrim:

“Temos de agir para prevenir, e não apenas reagir quando o perigo se concretiza.”

 

 Porque falar é proteger

Partilhar estes dados é essencial para perceber que a violência não está a diminuir — está a intensificar-se.
É um alerta para toda a sociedade e um apelo à ação.

Se tu ou alguém que conheces precisa de ajuda:
📞 116 006 — Linha de Apoio à Vítima (gratuita e confidencial)
🌐 www.apav.pt

Porque ninguém deve enfrentar a violência sozinho.

 

Ter | 25.11.25

União Europeia passa a reconhecer casamentos entre pessoas do mesmo sexo celebrados em qualquer país do bloco

Nelson Pradinhos

Países da UE devem reconhecer casamento entre casal do mesmo sexo celebrado  em outro Estado-membro - SIC Notícias

Num passo histórico rumo à igualdade, o Tribunal de Justiça da União Europeia (TJUE) decidiu que todos os Estados-membros são obrigados a reconhecer casamentos entre pessoas do mesmo sexo celebrados legalmente em qualquer país da UE — mesmo que esses mesmos países não prevejam esse tipo de união na sua legislação interna.

A decisão, anunciada esta terça-feira, representa uma vitória significativa para a comunidade LGBTQ+ europeia, reforçando direitos fundamentais como a liberdade de circulação, o respeito pela vida familiar e a proteção da dignidade humana.

 

O caso que mudou tudo

A decisão nasce do caso de dois cidadãos polacos que se casaram em Berlim em 2018 e, ao regressarem à Polónia, solicitaram a transcrição da certidão de casamento para o registo civil polaco.
O pedido foi recusado, já que a Polónia não reconhece casamentos entre pessoas do mesmo sexo.

O casal recorreu aos tribunais, e o processo acabou por chegar ao TJUE, que foi claro:

Recusar o reconhecimento de um casamento legal celebrado noutro Estado-membro é contrário ao Direito da União, por violar a liberdade de circulação e o direito à vida privada e familiar.

Com esta decisão, o casamento do casal é válido em todo o bloco europeu, independentemente das leis internas da Polónia.

 

 O que muda com esta decisão?

Embora o acórdão não obrigue os países a legalizar o casamento entre pessoas do mesmo sexo, obriga-os a:

Reconhecer, para efeitos de residência, direitos familiares e vida conjugal, qualquer casamento celebrado noutra parte da UE.

Aplicar este reconhecimento sem obstáculos, discriminações ou burocracia acrescida.

Garantir que casais do mesmo sexo podem viver como família ao regressarem aos seus países de origem.

Na prática, isto significa que um casal casado legalmente em Espanha, Portugal, França ou Alemanha não pode ser considerado “solteiro” apenas porque regressa a um país com legislação mais restritiva.

 

 Onde estamos na Europa?

Atualmente:

Mais de metade dos Estados-membros da UE reconhecem o casamento igualitário.

Os Países Baixos foram pioneiros, em 2001, tornando-se o primeiro país do mundo a legalizá-lo.

Outros países, como Itália, Hungria ou Grécia (antes da sua recente mudança), reconhecem apenas uniões civis.

Países como Polónia, apesar dos esforços do governo de Donald Tusk, não reconhecem qualquer forma de união LGBTQ+.

A decisão do TJUE coloca agora um caminho comum para todos:
nenhum Estado pode apagar um casamento que existe legalmente dentro da União Europeia.

 

 Um marco para a liberdade e para a dignidade

A decisão reafirma o princípio central da UE:
quem casa, casa para toda a Europa.

Casais LGBTQ+ passam finalmente a ter a garantia de que:

o seu casamento não desaparece ao cruzar fronteiras;

podem viver juntos, trabalhar juntos e construir família;

a sua vida conjugal é reconhecida de forma igual a outras famílias.

É um avanço jurídico, mas também um avanço simbólico — num momento em que, em várias partes da Europa, os direitos LGBTQ+ enfrentam retrocessos e hostilidade política.

 

🌈 Uma Europa mais igualitária é possível

Esta decisão não põe fim à luta por direitos iguais nos 27 Estados-membros, mas representa um passo firme em direção a uma Europa que protege as suas minorias, respeita a dignidade humana e valoriza todas as formas de família.

Porque a liberdade de circular, amar e viver com quem escolhemos não deveria depender de um código postal.

 

Ter | 25.11.25

Campanha Nacional de Recolha de Alimentos: 42 mil voluntários unidos por uma mesma causa

O melhor presente deste Natal

Nelson Pradinhos

Campanhas de recolha de alimentos do Banco Alimentar

 

No fim de semana de 29 e 30 de novembro, Portugal volta a mobilizar-se para uma das iniciativas solidárias mais importantes do ano: a Campanha de Recolha de Alimentos dos Bancos Alimentares Contra a Fome.
Ao longo de dois dias, mais de 42 mil voluntários estarão presentes em 2.000 lojas de todo o país, convidando cada um de nós a partilhar alimentos — e esperança — com quem mais precisa.

A campanha continuará também online até 7 de dezembro, em:
👉 www.alimentestaideia.pt

 

Uma rede social real, movida por pessoas

O mote deste ano reforça algo que sempre esteve no coração desta iniciativa:
partilhar alimentos é partilhar tempo, cuidado e humanidade.

Ao contrário das redes virtuais, esta é uma rede social real, feita de gestos simples que, juntos, fazem a diferença para milhares de famílias. Cada contribuição — pequena ou grande — fortalece a teia de apoio que sustenta quem vive em condições de vulnerabilidade alimentar.

 

Como participar na campanha?

A mecânica é simples e já familiar aos portugueses:

Visita uma das 2.000 lojas entre 29 e 30 de novembro.

Aceita o saco entregue pelos voluntários.

Coloca alimentos não perecíveis como:

leite; azeite; conservas; açúcar; massas; arroz; farinha

Entrega o saco à saída — e o teu gesto segue direto para quem mais precisa.

É rápido. É simples. E muda vidas.

 

 Para onde vão as doações?

Os alimentos recolhidos são encaminhados para os 21 Bancos Alimentares ativos no país, onde são:

pesados

triados

organizados

e distribuídos

Sempre em proximidade com mais de 2.400 instituições de solidariedade social, que acompanham diariamente cerca de 380 mil pessoas em situação de carência alimentar.

Isabel Jonet, presidente da Federação Portuguesa dos Bancos Alimentares, descreve-o como um modelo que aproxima quem dá de quem recebe, criando comunidade, dignidade e autonomia — os pilares de uma resposta social eficaz.

 

 Vales nas caixas e doações online até 7 de dezembro

Para quem não pode estar presente nas lojas, existem duas alternativas igualmente valiosas:

Vales de produtos no supermercado, disponíveis até 7 de dezembro.

Doação online através da plataforma:
👉 www.alimentestaideia.pt

Estas opções permitem participar de qualquer lugar, seja em Portugal ou no estrangeiro.

 

Os números que mostram a urgência

Em 2024, os Bancos Alimentares distribuíram:

27.448 toneladas de alimentos

equivalente a 45 milhões de euros

numa média de 109 toneladas por dia útil

A dimensão destes números diz tudo: a necessidade é real, urgente e contínua.

 

❤️ Um gesto que se multiplica

Criado em 1991, o Banco Alimentar tornou-se um símbolo de solidariedade em Portugal. E todos os anos, nesta campanha, somos lembrados de que a fome não está distante — está na porta ao lado.

A boa notícia?
A solução também está: somos nós.

Neste fim de semana, coloca um pouco mais no carrinho.
Doa o que puderes.
Participa nesta rede social que, há décadas, alimenta dignidade.

A fome não espera — mas a nossa generosidade também não deve esperar.

 

Para mais informações:
Banco Alimentar Contra a Fome
919 000 263
www.bancoalimentar.pt

 

 

Dom | 23.11.25

Profissionais de saúde LGBTQ+ continuam a enfrentar discriminação no trabalho — e os números são alarmantes

Nelson Pradinhos

Estudo do CES expõe discriminação contra profissionais LGBTQ+ na saúde

Apesar dos avanços na legislação e no reconhecimento de direitos, a discriminação contra pessoas LGBTQ+ continua presente onde menos deveria existir: nos serviços de saúde.
Um novo estudo do Centro de Estudos Sociais (CES) da Universidade de Coimbra, divulgado esta quinta-feira, revela uma realidade que não pode ser ignorada.

 

 Quase metade sofreu discriminação — e quase metade assistiu a outras situações

O estudo, realizado no âmbito do projeto PULSAR — O papel de profissionais LGBTQ+ para uma saúde inclusiva, coordenado pela investigadora Mara Pieri, reuniu respostas de 178 profissionais de saúde: enfermeiros, médicos especialistas, médicos internos e técnicos de diversas áreas.

As conclusões são preocupantes:

47% afirmam ter sofrido pelo menos um episódio de discriminação no trabalho.

Foram relatados casos de ameaças, insultos, comentários homo ou transfóbicos e até impedimentos de desempenhar funções.
 Um exemplo marcante: um enfermeiro gay foi proibido de cuidar de jovens do sexo masculino.

49% presenciaram discriminação dirigida a colegas.

83% ouviram piadas homofóbicas ou ofensivas em contexto laboral.

A discriminação não depende sequer de alguém revelar a sua identidade:
mesmo protegidos pelo silêncio, muitos profissionais são afetados por comentários dirigidos a “terceiros” — uma homofobia difusa que se infiltra no ambiente de trabalho.

 

Ser LGBTQ+ no setor da saúde é uma fonte de stress

Mais de metade dos participantes — 53% — afirmam que a sua identidade LGBTQ+ é uma fonte de stress contínuo.
Os motivos mais apontados:

preconceito e estigma persistentes,

desconhecimento,

falta de formação,

ambientes de trabalho que não promovem segurança nem inclusão.

E isto tem impacto direto na saúde mental de quem passa os dias a cuidar da saúde dos outros.

 

Serviços de saúde ainda não respondem às necessidades LGBTQ+

Mais de 50% dos profissionais dizem que o seu local de trabalho não está preparado para receber utentes LGBTQ+.
E 73% defendem que é urgente implementar formação obrigatória sobre estas temáticas para todos os profissionais.

Segundo Mara Pieri, a falta de visibilidade agrava o problema:
muitos não se sentem em segurança para revelar a sua identidade, o que reforça a falsa perceção de que “não existem profissionais LGBTQ+” no setor — e, portanto, de que não é necessário criar medidas inclusivas.

É um ciclo de silêncio que protege o preconceito e prejudica tanto trabalhadores como doentes.

 

🌈 Inclusão não é um detalhe — é uma necessidade estrutural

Este estudo deixa claro que há um longo caminho a percorrer para garantir ambientes de trabalho seguros, dignos e respeitosos para todos os profissionais de saúde.
A mudança começa com formação, mas também com políticas institucionais, mecanismos de denúncia eficazes e uma cultura organizacional que não tolere qualquer forma de discriminação.

Porque profissionais de saúde LGBTQ+ merecem trabalhar sem medo.
Porque utentes LGBTQ+ merecem ser atendidos por equipas que compreendem e respeitam a sua realidade.
Porque a saúde só é verdadeiramente universal quando é inclusiva.

 

Dom | 23.11.25

Café Joyeux chega ao Norte — e abre pela primeira vez num centro comercial

Nelson Pradinhos

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O Norte ganhou hoje um novo espaço onde a inclusão é servida à mesa. O Café Joyeux, projeto solidário que emprega jovens adultos com dificuldades intelectuais e do desenvolvimento, acaba de abrir o seu sexto espaço em Portugal — e marca duas estreias: é o primeiro no norte do país e o primeiro instalado num centro comercial.

A inauguração decorreu este sábado, dia 23 de novembro, no NorteShopping, em Matosinhos, e contou com a presença de representantes da Associação VilacomVida, do fundador da marca e da secretária de Estado da Ação Social e Inclusão.

 

Uma marca que nasceu para incluir

Criado em França há oito anos, o Café Joyeux tem uma missão simples, mas profundamente transformadora:
integrar no mercado de trabalho jovens adultos com dificuldades intelectuais e do desenvolvimento, oferecendo-lhes formação, autonomia, estabilidade e um ambiente de trabalho onde a diferença é celebrada.

Portugal foi o primeiro país a acolher o conceito além-fronteiras, em 2021, através da Associação VilacomVida, que desde 2016 trabalha na criação de oportunidades reais para pessoas com necessidades específicas.

 

Seis espaços, uma mesma missão

Com esta abertura no NorteShopping, Portugal passa a ter seis Cafés Joyeux:

Lisboa – São Bento

Lisboa – Telheiras

Cascais

Ageas (espaço interno)

Nova SBE (espaço interno)

Matosinhos – NorteShopping (novo)

Durante a celebração do primeiro aniversário do café de São Bento, Filipa Pinto Coelho, presidente da VilacomVida, já anunciava a ambição de chegar a “toda a parte” até 2026. Este passo no Norte é mais um tijolo na construção dessa visão.

 

 Uma inauguração com significado

A abertura contou com a presença de:

Clara Marques Mendes, secretária de Estado da Ação Social e Inclusão

Yann Bucaille, fundador e CEO do Café Joyeux

Filipa Pinto Coelho, presidente da VilacomVida e diretora executiva do Café Joyeux Portugal

Um momento simbólico para celebrar a expansão do projeto e reforçar a importância da inclusão como prática diária — e não apenas como ideal.

 

Um café onde cada gesto importa

No Café Joyeux, cada pedido, cada mesa servida e cada sorriso partilhado têm um impacto direto:
ajudam a construir um mercado de trabalho mais justo, mais humano e mais representativo.

No NorteShopping, a partir de hoje, um café pode ser muito mais do que uma pausa — pode ser um gesto de apoio a um futuro mais inclusivo.

 

Dom | 23.11.25

Mais séries que vi nestes dias de novembro — emoções à flor da pele e novas favoritas

Nelson Pradinhos

Novembro continua imparável no que toca a boas séries! Entre reencontros, romances inesperados, histórias profundas e finais que nos deixam com o coração apertado, este mês tem sido uma verdadeira viagem emocional.
Aqui fica mais uma parte da minha lista — porque quando começo, não paro até ver tudo o que me desperta curiosidade.

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⭐ Unknown — 5 em 5 estrelas

Uma surpresa maravilhosa. Uma série envolvente, emocional e muito bem construída, daquelas que agarram desde o primeiro episódio. Personagens cativantes, ritmo perfeito e uma história que nos deixa a pensar. Gostei de tudo — absolutamente cinco estrelas.

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⭐ Kiseki Chapter 2 — 3,5 em 5 estrelas

Um capítulo que acrescenta à história, mas não tanto quanto eu esperava. Mantém o charme da série principal, mas perde-se um pouco no ritmo. Ainda assim, vale a pena ver pelas emoções sinceras e pela ligação entre as personagens.

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⭐ Season of Love in Shimane — 4 em 5 estrelas

Um romance sereno, aconchegante e cheio de paisagens lindas. A série tem aquele toque suave que só o Japão sabe dar — um enredo simples, mas carregado de sentimentos. Uma história doce sobre encontros, tempo e cura.

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⭐ The Miracle of Teddy Bear — 5 em 5 estrelas

Amei. Amei. Amei.
Uma narrativa épica, emocional e profunda, com camadas que se vão revelando lentamente. A série é lindíssima, com mensagens fortes sobre amor, perda, recomeço e identidade.
Mas o final… ai, o final. 💔
Perfeito na narrativa, doloroso para o coração. Fiquei triste, mas ainda assim rendido à beleza desta história.

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⭐ Kiseki: Dear To Me — 5 em 5 estrelas

Uma das minhas séries favoritas do mês! A conexão entre os protagonistas é genuína e a história é incrivelmente viciante. Um equilíbrio perfeito entre drama e romance — daqueles enredos que queremos ver de uma vez só.

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⭐ Jun & Jun — 5 em 5 estrelas

Encantadora, divertida e cheia de química. Jun & Jun é leve, mas cativante, com um ritmo rápido e personagens muito bem trabalhados. O tipo de série que faz sorrir, suspirar e querer mais episódios.

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⭐ Futtara Doshaburi (When It Rains, It Pours) — 5 em 5 estrelas

Uma joia inesperada.
Intimista, sensível e com uma aura melancólica maravilhosa, esta série fala sobre encontros no tempo certo — ou errado — e sobre como a chuva pode ser cenário de começos e reconciliações.
Amei cada detalhe. Um verdadeiro mimo.

 

💛 Conclusão:

Novembro está a ser um mês cheio de histórias que tocam, confortam e emocionam. Há séries que nos fazem rir, outras que nos fazem chorar, e algumas que simplesmente nos lembram porque é que adoramos tanto acompanhar estas narrativas.

E o mês ainda não acabou — o que significa que vêm aí mais títulos, mais emoções e mais reviews.

 

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