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Onde o Mar Encontra as Palavras

Entre silêncios, memórias e aquilo que ainda quero dizer

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Entre silêncios, memórias e aquilo que ainda quero dizer

Qua | 05.11.25

🌈 Portugal entre os seis países com lei contra o bullying LGBTI+, revela relatório da ILGA World

Nelson Pradinhos

Portugal é um dos poucos países com proteção legal contra o bullying LGBTI+

Numa altura em que o discurso de ódio e a violência contra pessoas LGBTQIA+ continuam a crescer em várias partes do mundo, há também motivos para esperança — e Portugal surge como um exemplo positivo.

De acordo com o mais recente relatório da ILGA World (Associação Internacional de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Trans e Intersexo), Portugal é um dos apenas seis países das Nações Unidas com legislação específica que protege alunos LGBTI+ do bullying.

Apenas Andorra, Finlândia, Grécia, Holanda, Espanha e Portugal possuem leis que abordam diretamente a discriminação e o assédio motivados pela orientação sexual, identidade e expressão de género e pelas características sexuais.

 

 O que diz a lei portuguesa:

A ILGA World destaca dois instrumentos centrais da legislação portuguesa:

O Estatuto do Aluno e Ética Escolar, que proíbe qualquer forma de discriminação com base na orientação sexual e identidade de género, garantindo o direito de todos os estudantes a serem tratados com respeito e dignidade.

A Lei da Autodeterminação da Identidade e Expressão de Género, que obriga as escolas a implementar medidas concretas para combater a exclusão, a violência e a discriminação em contexto educativo.

 

Estas leis reforçam o compromisso do Estado português em promover ambientes escolares seguros e inclusivos, onde cada criança e jovem possa aprender sem medo de ser quem é.

 

 O cenário global:

O relatório da ILGA World, que analisa políticas públicas em mais de 170 países, revela um dado preocupante:

“Quatro em cada cinco países no mundo não têm qualquer proteção legal para jovens LGBTI+ em contexto escolar.”

 

Dos 193 Estados-membros da ONU, apenas 40 mencionam em lei a proibição do bullying motivado por orientação sexual ou identidade de género.
Mesmo entre esses, as proteções são muitas vezes parciais ou desiguais, como acontece nos Estados Unidos, Reino Unido, Itália e Canadá, onde a aplicação da lei varia consoante a região.

Em contrapartida, países como Hungria e Bulgária vivem hoje um cenário de retrocesso, com leis contraditórias e um crescente clima de insegurança jurídica para as pessoas LGBTQIA+.

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As escolas são espaços fundamentais na formação da identidade e autoestima dos jovens. A ausência de proteção legal ou de políticas inclusivas aumenta o risco de exclusão, abandono escolar e problemas de saúde mental entre estudantes LGBTQIA+.

Ter uma legislação que reconhece e combate o bullying não é apenas uma vitória jurídica — é um passo decisivo na construção de uma sociedade mais justa, empática e igualitária.

Portugal, ao lado de poucos outros países, mostra que é possível transformar o respeito pela diversidade em política pública — e, sobretudo, em cultura de cuidado e solidariedade.

 

 Mensagem a reter:

A ILGA World recorda que a educação inclusiva é um pilar essencial dos direitos humanos.
Combater o bullying LGBTI+ é proteger vidas, criar empatia e promover um futuro em que todas as pessoas possam crescer em segurança, liberdade e amor.

 

 
Qua | 05.11.25

Valor do cheque-livro para jovens vai subir de 20 para 30 euros em 2026

Nelson Pradinhos

Valor do cheque-livro para jovens vai subir de 20 para 30 euros

Boas notícias para os jovens leitores — e também para o mundo dos livros e das livrarias independentes.
O Governo anunciou que o valor do cheque-livro, criado para incentivar a leitura e apoiar a compra de livros entre os mais novos, vai aumentar de 20 para 30 euros já na segunda edição do programa, que arranca em janeiro de 2026.

A ministra da Cultura, Margarida Balseiro Lopes, revelou no Parlamento que o aumento representa um esforço de valorização da leitura e uma aposta clara na cultura.

“O valor é baixo, e por isso será aumentado em 50%”, afirmou, sublinhando ainda a importância de corrigir os problemas técnicos que marcaram a primeira edição do programa.

 

Mais apoio, mais leitores

O novo cheque-livro contará com um orçamento de 2,3 milhões de euros, segundo a nota explicativa do Orçamento do Estado para 2026.
Na primeira edição, foram emitidos mais de 47 mil vales, embora apenas 20% tenham sido utilizados, o que demonstra a necessidade de melhor divulgação e acessibilidade — algo que o Governo promete reforçar.

A ministra destacou que o objetivo é que o programa chegue a mais jovens, em mais lugares, de norte a sul do país, e que continue a apoiar livrarias, editoras e autores portugueses.
Nesta nova fase, o programa será novamente destinado a residentes em Portugal, e o acesso continuará a ser feito através da chave móvel digital. As idades abrangidas serão definidas no regulamento oficial.

 

Promover o livro e a leitura:

Esta medida insere-se numa estratégia mais ampla de incentivo à cultura e à leitura, que inclui também as Bolsas Anuais de Criação Literária, Banda Desenhada e Literatura Infantil e Juvenil, com os resultados das candidaturas de 2025 previstos para março do próximo ano.

O cheque-livro não é apenas um apoio financeiro — é um investimento simbólico e real no futuro dos leitores e na valorização das livrarias locais, que continuam a ser espaços de descoberta, partilha e cultura viva.

Num país onde ainda se lê pouco, cada livro conta, cada leitor importa — e cada euro investido na leitura é um passo rumo a uma sociedade mais informada, crítica e criativa.