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Onde o Mar Encontra as Palavras

Entre silêncios, memórias e aquilo que ainda quero dizer

Onde o Mar Encontra as Palavras

Entre silêncios, memórias e aquilo que ainda quero dizer

Qua | 26.11.25

No Facho Day: sai à rua em todo o país!

Nelson Pradinhos

 

1 de Dezembro — Restaurar a liberdade, a empatia e a resistência

No próximo dia 1 de Dezembro, Portugal volta a viver um momento crucial de mobilização cívica com o No Facho Day, iniciativa inspirada no protesto internacional No Kings Day e que convoca a sociedade a ocupar as ruas contra o ódio, a intolerância e a crescente normalização do discurso desumanizante no espaço público.

Numa data historicamente ligada à Restauração da Independência, este movimento pretende recuperar algo igualmente essencial: a liberdade, a dignidade e o direito coletivo a uma sociedade justa.

 

Porquê agora? Porque o país atravessa uma crise profunda — social, laboral, humana

O No Facho Day surge como resposta a um conjunto de sinais alarmantes que marcam o presente:

 

 1. Ataques aos direitos laborais

O novo pacote laboral, classificado por muitos como um retrocesso histórico, levou à convocação de uma greve geral a 11 de Dezembro. Há um sentimento generalizado de ameaça aos trabalhadores, à sua estabilidade e dignidade.

 

 2. Aumento dos crimes de ódio

Os números são claros: xenofobia, transfobia, homofobia e racismo estão a aumentar — e estão a atingir pessoas cada vez mais jovens.
O caso chocante da criança de 9 anos em Cinfães, que perdeu as pontas dos dedos num episódio de xenofobia e bullying, tornou visível o que muitos já sentem diariamente.

 

 3. Violência doméstica em escalada

Os dados nacionais continuam a subir, com mulheres e crianças entre as principais vítimas. O país não está a conseguir proteger quem mais precisa.

 

 4. A ascensão da extrema-direita

De ataques verbais a agressões físicas, de perseguições online a discursos organizados de ódio, a extrema-direita tem vindo a ganhar força — e as suas vítimas são as mesmas de sempre: minorias, migrantes, pessoas LGBTQ+, famílias pobres, mulheres, artistas, ativistas.

 

 5. Crise na habitação

Com o preço das casas a aumentar todos os meses, despejos e famílias obrigadas a viver em barracas, a habitação tornou-se um direito cada vez mais inacessível — sem soluções robustas à vista.

 

 6. Fragilização do SNS

Cortes anunciados pela tutela, urgências de obstetrícia encerradas, grávidas a dar à luz em ambulâncias, estações de serviço — e em alguns casos sem sobrevivência possível.
A saúde pública está a aproximar-se de um ponto crítico.

 

Por tudo isto, o No Facho Day convoca-nos: saiam à rua. Tomem o espaço público. Não normalizem o inaceitável.

O movimento sublinha:

“Não iremos tolerar políticas públicas que desvalorizam a vida, aprofundam desigualdades e permitem que a opressão cresça dia após dia.”

É um movimento apartidário, aberto a todas as pessoas que se revêm na luta por justiça, liberdade e dignidade humana.

 

MANIFESTAÇÕES | 1 DE DEZEMBRO | 15h30

Várias cidades vão receber o protesto em simultâneo:

Coimbra – Praça 8 de Maio

Faro – Praça D. Francisco Gomes

Lisboa – Assembleia da República

Porto – Avenida dos Aliados

 

Um ato de resistência — e uma homenagem

Neste 1 de Dezembro, não se trata apenas de protestar.
Trata-se de homenagear todos os que, ao longo da história, deram a vida pela liberdade.
De lembrar que a democracia só vive quando a defendemos.
De afirmar que o fascismo, o ódio e a desumanização não podem — e não vão — passar.

Este dezembro, Portugal levanta-se.
Porque a liberdade não se celebra sentada.

 

Manifesto NoFachoDay – É urgente o amor, é urgente tomar as ruas (Manifesto)

 

Qua | 26.11.25

Presentes Solidários Helpo: Este Natal, o seu presente é Obra!

Nelson Pradinhos

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Este ano, o seu presente solidário de Natal vai ajudar a reconstruir escolas destruídas pelos ciclones Chido, Dikeledi e Jude que, há cerca de 1 ano, atingiram violentamente o norte de Moçambique.

São milhares de crianças, que continuam a estudar em salas de aula fortemente danificadas, sem teto e sem condições de segurança.

Oferecer um Presente Solidário Helpo é pôr Mãos à Obra! e apoiar a educação destas crianças.

Mas é também pôr as Mãos na Obra!

Os Presentes Solidários Helpo deste ano contam com a generosa colaboração da artista Kruella d’Enfer, que criou a ilustração “Rise” em exclusivo para esta campanha, e que vai poder oferecer em diferentes formatos aos seus amigos e familiares.

A partir de 10€, que simbolicamente representam 10 tijolos para a reabilitação das escolas, vai poder oferecer um postal, um tangram, um saco de pano ou uma risografia* numerada e assinada pela prestigiada artista visual portuguesa.

Juntamente com o seu presente, segue uma carta que explica o apoio e identifica as escolas a ser reconstruídas, bem como o link para a página online desta campanha solidária, onde será possível acompanhar a reabilitação das salas de aula danificadas.

É obra, não é?

https://presentessolidarios.helpo.pt/

 

Qua | 26.11.25

Violência Contra as Mulheres: APAV regista aumento superior a 11% no número de vítimas apoiadas em três anos

Nelson Pradinhos

Número de vítimas femininas apoiadas pela Associação Portuguesa de Apoio à Vítima (APAV) aumenta mais de 11% nos últimos três anos

No Dia Internacional para a Eliminação da Violência Contra as Mulheres, a Associação Portuguesa de Apoio à Vítima (APAV) divulgou novos dados que revelam uma realidade preocupante: entre 2022 e 2024, o número de vítimas femininas apoiadas aumentou mais de 11%, contrariando a expectativa de descida ou, pelo menos, estabilização dos casos.

Num período de apenas três anos, 36.489 mulheres recorreram à APAV, com a violência doméstica a representar 85% das situações registadas — um número expressivo que continua a mostrar a dimensão deste problema estrutural na sociedade portuguesa.

 

 Um crescimento que não deveria existir

Os números falam por si:

2022: 11.410 mulheres apoiadas

2023: 12.398

2024: 12.681

Paralelamente, foram registados 70.179 crimes e formas de violência, um aumento superior a 10%.

Em média, 20 mulheres por dia procuraram ajuda da APAV.
A maioria situa-se entre os 18 e os 64 anos, mas os pedidos incluem ainda:

5.451 crianças e jovens até aos 17 anos

3.765 mulheres com mais de 65 anos

Estes números evidenciam que a violência de género atravessa todas as idades.

 

 “Não há tendência de descida” — alerta da APAV

Para Daniel Cotrim, assessor técnico da APAV, a esperança de que os casos diminuíssem não se confirmou:

“Não existe estabilidade nos dados. Não há tendência de descida, que era aquilo que esperávamos.”

Ao mesmo tempo, acredita que o aumento dos pedidos de ajuda pode também ser um reflexo positivo:

“As mulheres estão mais informadas, mais alertas para os seus direitos. Querem quebrar relações abusivas.”

Ainda assim, a realidade que chega à associação é cada vez mais grave.

 

 Violência mais rápida, mais letal e mais jovem

Um dos sinais mais alarmantes é o tempo médio entre o primeiro episódio de violência e o pedido de ajuda: entre dois e seis anos. Embora este intervalo mostre maior consciência da gravidade das situações, a escalada de violência tem sido mais rápida:

começa com abusos emocionais,

passa para agressões físicas,

e chega, em poucos meses, a tentativas de homicídio.

Segundo Cotrim, esta tendência está relacionada com a propagação de discursos de ódio, misoginia e machismo, visíveis tanto na esfera pública como nas redes sociais.

E alerta para outro fenómeno:

“As pessoas agressoras são cada vez mais jovens — e as vítimas também.”

 

Quem são as agressoras e as vítimas?

Dos casos acompanhados pela APAV:

70% das pessoas agressoras são homens

A maioria tem entre 26 e 55 anos

Em 47,8% dos casos, a pessoa agressora está ou esteve numa relação íntima com a vítima

A violência baseia-se, segundo Cotrim, em ideias profundamente enraizadas no patriarcado, em perceções desiguais dos papéis de género e numa “falsa ciência” amplificada online.

 

 Uma violência endémica que exige prevenção

A APAV reforça que a violência contra as mulheres continua a ser um fenómeno estrutural, e não uma exceção. Está na cultura, na educação, nas relações e até nos algoritmos das redes sociais.

Por isso, as soluções passam pela prevenção, antes que o retrocesso dos direitos das mulheres se torne realidade:

educação emocional

promoção da igualdade de género

literacia digital

combate ao discurso de ódio

formação contínua para jovens, pais e comunidades

Como sublinha Cotrim:

“Temos de agir para prevenir, e não apenas reagir quando o perigo se concretiza.”

 

 Porque falar é proteger

Partilhar estes dados é essencial para perceber que a violência não está a diminuir — está a intensificar-se.
É um alerta para toda a sociedade e um apelo à ação.

Se tu ou alguém que conheces precisa de ajuda:
📞 116 006 — Linha de Apoio à Vítima (gratuita e confidencial)
🌐 www.apav.pt

Porque ninguém deve enfrentar a violência sozinho.