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Onde o Mar Encontra as Palavras

Entre silêncios, memórias e aquilo que ainda quero dizer

Onde o Mar Encontra as Palavras

Entre silêncios, memórias e aquilo que ainda quero dizer

Sex | 25.07.25

🌈 Falar é Poder: Por que “Sex Symbols” é um exemplo do que precisamos

Nelson Pradinhos

Consentimento, sexualidade e menstruação são alguns temas da série infantil ‘Sex Symbols’, na RTP Play. Programa, que pode ver à boleia da polémica remoção da educação sexual na disciplina de Cidadania, foi criado para pré-adolescentes que, quando vão à net saber de sexualidade, arriscam, sem querer, achar pornografia

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Carla, Mia, Hugo e Max são quatro amigos a entrarem na pré-adolescência que começam a ter as primeiras dúvidas sobre as suas mudanças físicas e a sua sexualidade. Este é o elenco da série de animação infantil Sex Symbols que pode ser vista e revista no site da RTP Play numa altura em que a educação sexual está a ferro e fogo após a remoção quase total deste capítulo no guião as aprendizagens essenciais para a disciplina de Cidadania e que está em consulta pública.

 

De entre a listagem (que pode aceder aqui), é possível ver gratuitamente dez episódios de sete minutos cada em que se discutem temas como consentimento, sexualidade, atração, primeiras mudanças, menstruação, estereótipos, complexos, beijos, igualdade de género e outros temas que pretendem ajudar crianças a compreenderem melhor o mundo da intimidade e que podem - e devem - ser vistos na companhia dos pais.

Por lá irá ver ovários e testículos que tiram dúvidas, cérebros que explicam de forma técnica e lúdica como se cora, como se sente atração, como acontecem as primeiras mudanças - da menstruação à chegada dos primeiros pelos - e de crianças que debatem os tratamentos sociais diferenciados que sentem por serem raparigas ou rapazes.

 

De origem espanhola e da autoria de Paloma Mora, a série que quis trazer a debate a “educação sexual e emocional através de animação e entretenimento” foi originalmente apresentada no festival de cartoons em Toulouse, França, em 2018, e em 2021 começou a estar disponibilizada.

Por cá, a animação já se estreou há muito, mas está disponível online na plataforma de streaming da estação pública e merece a atenção da família e debate posterior. “Nós percebemos que, a partir dos nove anos, as crianças começam a pesquisar sobre sexualidade. Na internet, no entanto, só encontram pornografia", justificou a autora da série aquando da apresentação. Por isso, a produtora quis criar um produto televisivo que contou com a participação de médicos especializados em educação sexual e planeamento familiar para encontrar os temas, o tom e as dúvidas que as crianças e jovens mais sentem.

A série, que não tem limite etário mínimo, “conta histórias em forma de comédia e de maneira natural, que é a linguagem perfeita para chegar aos jovens", justifica Paloma Mora.

Source

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🌈 Falar é Poder: Por que “Sex Symbols” é um exemplo do que precisamos

Numa altura em que a educação sexual está a ser silenciosamente afastada das escolas, encontrar projetos como a série infantil Sex Symbols é como descobrir uma lanterna no meio da escuridão. Uma lanterna que não só ilumina, mas que guia com leveza e responsabilidade os primeiros passos das crianças e jovens no mundo da intimidade, das emoções e do conhecimento do próprio corpo.

A série, disponível na RTP Play, consegue algo extraordinário: tratar de temas essenciais como consentimento, puberdade, menstruação, sexualidade ou igualdade de género com humor, empatia e verdade. Fá-lo com delicadeza e sensibilidade, respeitando o ritmo da infância, mas sem subestimar a sua inteligência.

Como autor, mas também como membro da comunidade LGBTQIA+ e como alguém que acredita profundamente no poder da educação, não posso deixar de aplaudir esta iniciativa. E de a recomendar. Não apenas aos mais novos, mas aos pais, educadores e adultos que ainda acreditam que falar é proteger.

Porque sim, é verdade: quando se cala a educação sexual nas escolas, quando se retiram temas como diversidade, identidade de género ou prevenção da gravidez e das ISTs, não se protege ninguém. Pelo contrário: expõem-se os jovens à desinformação, ao medo e ao preconceito. Muitas vezes, deixam-se ao abandono emocional.

O que Sex Symbols prova é que há outra forma de fazer diferente. Que é possível ensinar com afeto, com criatividade, com humor e rigor. Que podemos ajudar as crianças a crescer mais conscientes, mais informadas e, acima de tudo, mais livres — para conhecerem o corpo, os sentimentos, os limites e o respeito por si e pelos outros.

Seja num ecrã ou numa sala de aula, a educação sexual não é sobre sexo. É sobre empatia, saúde, autonomia e amor-próprio. É sobre mostrar aos mais pequenos que têm direito ao seu corpo, à sua voz, à sua verdade.

Ver esta série, falar sobre ela, partilhá-la… são gestos pequenos com impacto gigante. Porque cada conversa aberta com uma criança é uma semente plantada contra a ignorância e o preconceito.

📺 Sex Symbols não é apenas uma série — é uma ferramenta. E neste tempo de tanto ruído e medo, precisamos de mais pontes e menos muros. De mais coragem e menos silêncios.

Que nunca deixemos de falar. Que nunca deixemos de educar.


Nelson Pradinhos