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Onde o Mar Encontra as Palavras

Entre silêncios, memórias e aquilo que ainda quero dizer

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Ter | 28.10.25

LeYa leva bibliotecas a hospitais de Lisboa: quando os livros também curam

Nelson Pradinhos

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Ler é, muitas vezes, uma forma de respirar.
Num hospital — espaço onde a dor, a ansiedade e a esperança convivem — os livros podem ser mais do que passatempo: podem ser companheiros silenciosos, capazes de aliviar o peso dos dias e despertar emoções que ajudam a curar por dentro.

É com esse propósito que o Grupo LeYa, em parceria com a Unidade Local de Saúde de Lisboa Ocidental (ULSLO), lançou o projeto “LeYa para Cuidar”, criando bibliotecas hospitalares abertas a pacientes, visitantes e profissionais de saúde.
Atualmente, o projeto já está presente nos hospitais Egas Moniz, São Francisco Xavier e Santa Cruz, com planos de expansão para o Hospital de Santa Maria até meados de novembro.

 

Ler para cuidar

Cada biblioteca conta com cerca de 500 livros, cuidadosamente escolhidos de acordo com o perfil e as necessidades de cada hospital.
Nos espaços destinados aos adultos, predominam títulos de romance, desenvolvimento pessoal e literatura contemporânea; já no Hospital São Francisco Xavier, a coleção tem uma forte componente infantojuvenil, pensada para as crianças internadas e para os pais que as acompanham.

Como explica Marta Branquinho, diretora de Recursos Humanos da LeYa, o objetivo é claro:

“Promover a leitura como motor de transformação social e humanizar o ambiente hospitalar.”

A iniciativa começou com um convite do Hospital de Santa Cruz e cresceu rapidamente, mobilizando voluntários, leitores e profissionais da editora.
E, de forma simbólica e poderosa, a LeYa reforça a ideia de que a leitura também é um ato de cuidado — um gesto que acalma, inspira e aproxima.

 

Contar histórias que fazem bem

Paralelamente às bibliotecas, a editora mantém o projeto “Os Contadores de Histórias LeYa”, no qual colaboradores voluntários visitam o Hospital de Santa Maria todas as sextas-feiras para ler histórias a crianças internadas.

Marta Branquinho descreve essas visitas como momentos transformadores:

“Estamos a modificar pelo menos uma parte do dia daquele miúdo, daquela miúda, mas também daquela mãe ou daquele pai.”

São ações simples, mas com impacto profundo.
Um conto pode ser uma pausa na dor, uma história pode ser um refúgio, e um livro pode tornar-se uma janela aberta para o mundo — mesmo entre as paredes de um hospital.

 

Mais do que um projeto — um compromisso

A iniciativa integra um movimento mais amplo da LeYa em torno da responsabilidade social e cultural.
No primeiro semestre de 2025, o grupo doou mais de 11 mil livros, muitos deles destinados a prisões e escolas africanas em países como Guiné-Bissau, São Tomé e Príncipe e Angola.

O objetivo é o mesmo em todos os contextos: levar a leitura a quem mais precisa dela, transformando o livro num instrumento de liberdade, dignidade e esperança.

 

LeYa para Cuidar — porque ler também é curar

A LeYa promete continuar a expandir o projeto, reforçando a parceria com os hospitais já envolvidos e criando novas ações, como sessões de leitura ao vivo e atividades literárias.
O sonho? Que esta rede de bibliotecas hospitalares cresça para todo o país, tornando os hospitais lugares mais humanos — onde a medicina cuida do corpo e a literatura cuida da alma.