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Onde o Mar Encontra as Palavras

Entre silêncios, memórias e aquilo que ainda quero dizer

Onde o Mar Encontra as Palavras

Entre silêncios, memórias e aquilo que ainda quero dizer

Qua | 22.10.25

"Liuben"

Nelson Pradinhos

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Liuben, do realizador Venci Kostov, é o primeiro longa-metragem da Bulgária com temática abertamente LGBTQIA+. 
O enredo acompanha Victor (27 anos), que vive em Madrid e regressa à sua vila natal na Bulgária para o funeral do avô. Ao prolongar a estadia, reencontra-se com o ambiente de infância, o pai, memórias e, inesperadamente, aproxima-se de Liuben (18 anos), jovem de origem cigana, orfão, marginalizado. A relação que se desenha entre eles une dois mundos muito diferentes — classe, etnia, identidade, pertença.

 

O que me agradou:

A coragem de abordar, no contexto de uma comunidade rural búlgara, temas como discriminação étnica (Cigana), pertença, identidade sexual e desigualdade social. Liuben mostra que o amor queer também se vive nos cantos mais invisíveis, longe dos centros urbanos.

A ambientação e o contraste entre Madrid (o mundo “conhecido” de Victor) e a vila na Bulgária — permite sentir o deslocamento, a diferença de oportunidades, a tensão entre o que somos e de onde vimos. Isso enriquece o drama e a empatia.

As performances principais têm momentos de grande verdade: Liuben como figura de desejo e vulnerabilidade, Victor como alguém dividido entre o passado e o presente — geram juntas tensão e ternura.

 

O que me deixou com reservas:

Em alguns momentos, o filme parece querer abarcar demasiados temas (classe, etnia, identidade, cidade vs campo, amor proibido) e isso dilui um pouco o focar-se mais profundo nas motivações de certos personagens.

A narrativa não sempre encerra de forma completamente satisfatória: há ambiguidade nos sentimentos, e quem procura desenlaces claros pode sentir que falta algo.

Algumas transições de ritmo ou de cena parecem mais abruptas — o que pode tirar ligeiramente a imersão.

 

Minha avaliação final:

Dou 4 estrelas porque Liuben é um filme significativo, com voz própria, que nos confronta e nos sensibiliza. Porém, não atinge o “excelente” por sentir que poderia aprofundar mais algumas relações ou consequências. Mesmo assim, é uma excelente adição ao cinema queer contemporâneo — especialmente relevante para quem procura histórias que vão além da cidade, além do óbvio, e rompem silêncios.

 

Para quem recomendo:

Quem aprecia romances LGBTQIA+ que se passam em contextos de diferença social e étnica.

Leitores/espectadores interessados em cinema independente e narrativas fora das grandes metrópoles.

Quem procura um filme que, mesmo tendo melancolia, oferece humanidade, questionamento e beleza visual.

 

⭐ Classificação: 4 / 5