Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]

Onde o Mar Encontra as Palavras

Entre silêncios, memórias e aquilo que ainda quero dizer

Onde o Mar Encontra as Palavras

Entre silêncios, memórias e aquilo que ainda quero dizer

Sab | 25.10.25

“O Outono que Espirrava Folhas: O Segredo das Bolachas Mágicas”

Capítulo 3 – "A Dança dos Mortos"

Nelson Pradinhos

1.png

O Outono e o Samuel Zombie seguiam o trilho do cheiro a bolachas de abóbora pelo Bosque Douramel.

            Mas, à medida que a tarde se vestia de sombras, o bosque parecia mudar de tom.

            As folhas, antes douradas e alegres, começaram a rodopiar de forma mais lenta, quase como se dançassem ao som de uma música invisível.

            — Ouves isto? — perguntou o Outono, franzindo o nariz.

            — Ouço… — respondeu Samuel, erguendo a cabeça. — É uma música…, mas não vem de nenhum lado.

            De repente, um sopro gelado varreu a clareira.

            O chão tremeu ligeiramente e, debaixo das folhas secas, começaram a erguer-se figuras pálidas — sombras que se esticavam e tomavam forma.

            Eram fantasmas.

            Mas não tinham ar assustador; pareciam contentes… e elegantes.

            Usavam roupas antigas, translúcidas, e moviam-se com graça, como bailarinos de outro tempo.

            Samuel piscou os olhos, maravilhado.

            — Uau! Eles estão a dançar!

            O Outono sorriu, fascinado.

            — Parece que as tuas bolachas não são a única coisa mágica por aqui…

            Os fantasmas davam voltas e mais voltas, guiados por uma melodia que apenas o vento sabia tocar.

            Uma menina-fantasma, com o cabelo feito de fumo e pétalas, aproximou-se dos dois e curvou-se.

            — Querem juntar-se a nós na Dança dos Mortos?

            O Outono olhou para Samuel, meio assustado, meio curioso.

            Samuel deu um passo em frente e estendeu a mão à menina.

            — Eu danço, — disse ele com um sorriso torto.

            E assim começou a dança.

            O vento ganhou ritmo, e uma melodia misteriosa começou a ecoar entre as árvores — um som feito de guinchos suaves, risos ao longe e sinos pequeninos que tilintavam como gargalhadas de bruxas.

            Era uma música de Halloween — divertida, viva, impossível de ficar parado.

            O Outono foi levado pela brisa, e as suas folhas brilharam em tons de cobre e ouro, formando um redemoinho à volta dos fantasmas.

No meio da valsa, sentiu o nariz a coçar.

            — Atchimm! — espirrou, e as folhas levantaram-se num turbilhão luminoso.

            Rodopiaram à volta dos fantasmas como confetes de luar, iluminando o bosque inteiro.

            Os fantasmas riram, encantados.

            — Que entrada triunfal! — exclamou Samuel, aplaudindo.

            O Outono corou, mas o vento parecia rir com ele. Pela primeira vez, o seu espirro não lhe trouxe vergonha — trouxe encanto.

            A música continuou, leve e brincalhona:

            O som misturou-se à música do vento, e o bosque inteiro dançou.

            Samuel, que normalmente era desajeitado, movia-se com leveza — como se aquela melodia fosse feita para ele.

            Os fantasmas rodopiavam à volta, e o bosque inteiro parecia respirar ao ritmo da valsa encantada.

            Quando a última nota soou, tudo parou.

            Os fantasmas sorriram, curvaram-se e, um a um, dissolveram-se na neblina.

            A música desapareceu, mas o chão ficou salpicado de pequenas luzes, como estrelas caídas.

            — O que foi isto? — perguntou o Outono, ainda sem fôlego.

            Samuel pensou por um instante e respondeu com simplicidade:

            — Acho que foi o Halloween a ensaiar a sua primeira dança.

 

:::::

 

Convido-te a ler, sentir e partilhar a tua opinião nos comentários:

✨ O que mais te encantou?
🍪 Qual foi a tua parte favorita?
💭 E o que mudarias, se fosses tu a soprar o vento desta história?

As tuas palavras ajudam esta aventura a crescer — como folhas novas a nascer no coração do bosque.
Obrigada por caminhares comigo nesta estação de magia e imaginação.

Com carinho,
Nelson Pradinhos