“O Outono que Espirrava Folhas: O Segredo das Bolachas Mágicas”
Capítulo 3 – "A Dança dos Mortos"

O Outono e o Samuel Zombie seguiam o trilho do cheiro a bolachas de abóbora pelo Bosque Douramel.
Mas, à medida que a tarde se vestia de sombras, o bosque parecia mudar de tom.
As folhas, antes douradas e alegres, começaram a rodopiar de forma mais lenta, quase como se dançassem ao som de uma música invisível.
— Ouves isto? — perguntou o Outono, franzindo o nariz.
— Ouço… — respondeu Samuel, erguendo a cabeça. — É uma música…, mas não vem de nenhum lado.
De repente, um sopro gelado varreu a clareira.
O chão tremeu ligeiramente e, debaixo das folhas secas, começaram a erguer-se figuras pálidas — sombras que se esticavam e tomavam forma.
Eram fantasmas.
Mas não tinham ar assustador; pareciam contentes… e elegantes.
Usavam roupas antigas, translúcidas, e moviam-se com graça, como bailarinos de outro tempo.
Samuel piscou os olhos, maravilhado.
— Uau! Eles estão a dançar!
O Outono sorriu, fascinado.
— Parece que as tuas bolachas não são a única coisa mágica por aqui…
Os fantasmas davam voltas e mais voltas, guiados por uma melodia que apenas o vento sabia tocar.
Uma menina-fantasma, com o cabelo feito de fumo e pétalas, aproximou-se dos dois e curvou-se.
— Querem juntar-se a nós na Dança dos Mortos?
O Outono olhou para Samuel, meio assustado, meio curioso.
Samuel deu um passo em frente e estendeu a mão à menina.
— Eu danço, — disse ele com um sorriso torto.
E assim começou a dança.
O vento ganhou ritmo, e uma melodia misteriosa começou a ecoar entre as árvores — um som feito de guinchos suaves, risos ao longe e sinos pequeninos que tilintavam como gargalhadas de bruxas.
Era uma música de Halloween — divertida, viva, impossível de ficar parado.
O Outono foi levado pela brisa, e as suas folhas brilharam em tons de cobre e ouro, formando um redemoinho à volta dos fantasmas.
No meio da valsa, sentiu o nariz a coçar.
— Atchimm! — espirrou, e as folhas levantaram-se num turbilhão luminoso.
Rodopiaram à volta dos fantasmas como confetes de luar, iluminando o bosque inteiro.
Os fantasmas riram, encantados.
— Que entrada triunfal! — exclamou Samuel, aplaudindo.
O Outono corou, mas o vento parecia rir com ele. Pela primeira vez, o seu espirro não lhe trouxe vergonha — trouxe encanto.
A música continuou, leve e brincalhona:
O som misturou-se à música do vento, e o bosque inteiro dançou.
Samuel, que normalmente era desajeitado, movia-se com leveza — como se aquela melodia fosse feita para ele.
Os fantasmas rodopiavam à volta, e o bosque inteiro parecia respirar ao ritmo da valsa encantada.
Quando a última nota soou, tudo parou.
Os fantasmas sorriram, curvaram-se e, um a um, dissolveram-se na neblina.
A música desapareceu, mas o chão ficou salpicado de pequenas luzes, como estrelas caídas.
— O que foi isto? — perguntou o Outono, ainda sem fôlego.
Samuel pensou por um instante e respondeu com simplicidade:
— Acho que foi o Halloween a ensaiar a sua primeira dança.
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Obrigada por caminhares comigo nesta estação de magia e imaginação.
Com carinho,
Nelson Pradinhos