“O Outono que Espirrava Folhas: O Segredo das Bolachas Mágicas”
Capítulo 6 – "O Sabor da Magia"

O cheiro a abóbora espalhou-se pelo bosque, doce e quente, como um abraço.
O Outono e Samuel sentaram-se diante do Forno da Meia-Lua, com as bolachas fumegantes à frente.
A lua brilhava redonda no céu, e o vento parecia respirar devagar, como se também quisesse saborear aquele momento.
Samuel olhou para as bolachas com olhos de quem vê um tesouro.
— Achas que têm mesmo magia?
Falco ergueu uma sobrancelha felina.
— A única maneira de saber… é provando.
O zombie não esperou dois segundos.
Meteu uma bolacha inteira na boca e, por um instante, ficou imóvel, de olhos muito abertos.
Depois começou a rir.
— É doce! Tal como me lembrava! Mas também sabe a vento, e a luar, e a qualquer coisa que faz cócegas no coração!
O Outono deu uma dentada na sua.
O sabor era suave, quente e familiar — como um dia de sol disfarçado no meio do frio.
— Sabe a amizade, — disse ele, sorrindo.
Falco ronronou, satisfeito.
— Então a magia funcionou. O riso voltou ao bosque, e o forno está outra vez desperto.
De repente, algo brilhou entre as folhas.
Uma pena branca desceu lentamente, dançando ao sabor do vento, e pousou nas mãos do Outono.
Ela cintilava com reflexos dourados, como se tivesse guardado um pedaço da lua.
O rapaz ficou a observá-la em silêncio.
— Baltazar… — murmurou. — Será que foi ele quem nos guiou até aqui?
Falco inclinou a cabeça, pensativo.
— Os corvos lembram-se de tudo o que o vento lhes conta. Talvez ele tenha deixado essa pena como lembrança… ou como agradecimento.
O Outono sorriu e guardou a pena no bolso do seu casaco de vento.
— Então nunca mais me vou esquecer desta noite.
O bosque pareceu responder.
As árvores balançaram suavemente, espalhando folhas douradas em redemoinhos.
Pequenas luzes flutuaram no ar — algumas pareciam pirilampos, outras, risadas transformadas em brilho.
Samuel levantou o olhar e apontou para o céu.
— Olhem!
Entre as nuvens, a lua parecia sorrir.
Por um instante, todo o Bosque Douramel se encheu de uma luz prateada, e as sombras dançaram como se comemorassem uma festa invisível.
— É o Halloween, — disse Falco, com voz serena. — A noite em que as histórias acordam e os corações lembram o que é ser criança.
O Outono respirou fundo.
— Então é isso o sabor da magia.
— E da amizade, — acrescentou Samuel, erguendo uma bolacha.
Falco juntou-se a eles, piscando o olho.
— Feliz Halloween, meus pequenos padeiros do impossível.
Riram-se os três, e o riso misturou-se ao vento.
As folhas dançaram em espirais douradas, e o bosque inteiro pareceu rir com eles.
O Outono espirrou uma última vez —
— Atchimm! — e o vento levou o espirro pelo ar, espalhando folhas e gargalhadas.
Naquela noite de Halloween, o vento não levava apenas folhas — levava amizade, riso e o perfume doce da magia que nunca se apaga.
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Obrigada por caminhares comigo nesta estação de magia e imaginação.
Com carinho,
Nelson Pradinhos