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Onde o Mar Encontra as Palavras

Entre silêncios, memórias e aquilo que ainda quero dizer

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Sab | 01.11.25

“O Outono que Espirrava Folhas: O Segredo das Bolachas Mágicas”

Capítulo 6 – "O Sabor da Magia"

Nelson Pradinhos

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O cheiro a abóbora espalhou-se pelo bosque, doce e quente, como um abraço.

            O Outono e Samuel sentaram-se diante do Forno da Meia-Lua, com as bolachas fumegantes à frente.

            A lua brilhava redonda no céu, e o vento parecia respirar devagar, como se também quisesse saborear aquele momento.

            Samuel olhou para as bolachas com olhos de quem vê um tesouro.

            — Achas que têm mesmo magia?

            Falco ergueu uma sobrancelha felina.

            — A única maneira de saber… é provando.

            O zombie não esperou dois segundos.

            Meteu uma bolacha inteira na boca e, por um instante, ficou imóvel, de olhos muito abertos.

            Depois começou a rir.

            — É doce! Tal como me lembrava! Mas também sabe a vento, e a luar, e a qualquer coisa que faz cócegas no coração!

            O Outono deu uma dentada na sua.

            O sabor era suave, quente e familiar — como um dia de sol disfarçado no meio do frio.

            — Sabe a amizade, — disse ele, sorrindo.

            Falco ronronou, satisfeito.

            — Então a magia funcionou. O riso voltou ao bosque, e o forno está outra vez desperto.

            De repente, algo brilhou entre as folhas.

            Uma pena branca desceu lentamente, dançando ao sabor do vento, e pousou nas mãos do Outono.

            Ela cintilava com reflexos dourados, como se tivesse guardado um pedaço da lua.

            O rapaz ficou a observá-la em silêncio.

            — Baltazar… — murmurou. — Será que foi ele quem nos guiou até aqui?

            Falco inclinou a cabeça, pensativo.

            — Os corvos lembram-se de tudo o que o vento lhes conta. Talvez ele tenha deixado essa pena como lembrança… ou como agradecimento.

            O Outono sorriu e guardou a pena no bolso do seu casaco de vento.

            — Então nunca mais me vou esquecer desta noite.

            O bosque pareceu responder.

            As árvores balançaram suavemente, espalhando folhas douradas em redemoinhos.

            Pequenas luzes flutuaram no ar — algumas pareciam pirilampos, outras, risadas transformadas em brilho.

            Samuel levantou o olhar e apontou para o céu.

            — Olhem!

            Entre as nuvens, a lua parecia sorrir.

            Por um instante, todo o Bosque Douramel se encheu de uma luz prateada, e as sombras dançaram como se comemorassem uma festa invisível.

            — É o Halloween, — disse Falco, com voz serena. — A noite em que as histórias acordam e os corações lembram o que é ser criança.

            O Outono respirou fundo.

            — Então é isso o sabor da magia.

            — E da amizade, — acrescentou Samuel, erguendo uma bolacha.

            Falco juntou-se a eles, piscando o olho.

            — Feliz Halloween, meus pequenos padeiros do impossível.

            Riram-se os três, e o riso misturou-se ao vento.

            As folhas dançaram em espirais douradas, e o bosque inteiro pareceu rir com eles.

            O Outono espirrou uma última vez —

            — Atchimm! — e o vento levou o espirro pelo ar, espalhando folhas e gargalhadas.

            Naquela noite de Halloween, o vento não levava apenas folhas — levava amizade, riso e o perfume doce da magia que nunca se apaga.

 

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Obrigada por caminhares comigo nesta estação de magia e imaginação.

Com carinho,
Nelson Pradinhos