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Onde o Mar Encontra as Palavras

Entre silêncios, memórias e aquilo que ainda quero dizer

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Ter | 22.07.25

Quando a Ideologia é o Silêncio: A Educação Sexual Está em Perigo

Nelson Pradinhos

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Num país onde as infeções sexualmente transmissíveis (ISTs) crescem de forma alarmante, onde a desinformação se espalha com facilidade, e onde metade dos jovens nunca falou de sexualidade com um adulto, o Governo decidiu: retirar a educação sexual da disciplina de Cidadania.

E o mais grave? Fê-lo em nome de uma suposta “libertação ideológica”.

 

Mas o que é mais ideológico do que o silêncio?

Com o novo plano curricular agora em consulta pública, desaparecem as referências explícitas à saúde sexual e reprodutiva, à identidade de género, à orientação sexual, à prevenção de ISTs ou à contraceção. Tudo o que estava previsto até aqui como aprendizagem obrigatória para alunos do ensino básico foi apagado.

O Governo recua, pressionado pelos setores mais conservadores e por partidos que sempre quiseram calar estas conversas nas escolas. O resultado? Um programa de Cidadania vazio nos temas em que mais precisávamos de conteúdo.

E quem perde com isto?

👉 Os jovens que vão crescer sem acesso a informação clara e científica.
👉 As raparigas que serão ainda mais vulneráveis a gravidezes não planeadas.
👉 As pessoas LGBTQIA+, que continuam a ser apagadas e silenciadas.
👉 A saúde pública, que continuará a pagar um preço muito alto.

 

Não há como dourar a pílula: esta decisão é um retrocesso perigoso.
E não é apenas sobre educação — é sobre direitos. Sobre saúde. Sobre o direito a saber.

Como pessoa gay, como autor, como alguém que acredita que a literatura (e a educação) deve abrir portas e não trancar ideias — não posso ficar em silêncio.

Já não estamos a falar apenas de programas escolares. Estamos a falar de valores.
E os meus valores dizem-me que é preciso educar para prevenir, ensinar para proteger e ouvir para respeitar.

 

A educação sexual não é um luxo.
Não é um “tema sensível” para decidir depois.
É uma urgência. E é um direito.

 

🌈 Ficar calado agora é pactuar com o medo.
Falar — aqui, nos blogs, nas escolas, nas redes sociais, em casa — é resistir.
E educar, sempre que possível, é cuidar.

Nelson Pradinhos

 

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