Quando a Ideologia é o Silêncio: A Educação Sexual Está em Perigo

Num país onde as infeções sexualmente transmissíveis (ISTs) crescem de forma alarmante, onde a desinformação se espalha com facilidade, e onde metade dos jovens nunca falou de sexualidade com um adulto, o Governo decidiu: retirar a educação sexual da disciplina de Cidadania.
E o mais grave? Fê-lo em nome de uma suposta “libertação ideológica”.
Mas o que é mais ideológico do que o silêncio?
Com o novo plano curricular agora em consulta pública, desaparecem as referências explícitas à saúde sexual e reprodutiva, à identidade de género, à orientação sexual, à prevenção de ISTs ou à contraceção. Tudo o que estava previsto até aqui como aprendizagem obrigatória para alunos do ensino básico foi apagado.
O Governo recua, pressionado pelos setores mais conservadores e por partidos que sempre quiseram calar estas conversas nas escolas. O resultado? Um programa de Cidadania vazio nos temas em que mais precisávamos de conteúdo.
E quem perde com isto?
👉 Os jovens que vão crescer sem acesso a informação clara e científica.
👉 As raparigas que serão ainda mais vulneráveis a gravidezes não planeadas.
👉 As pessoas LGBTQIA+, que continuam a ser apagadas e silenciadas.
👉 A saúde pública, que continuará a pagar um preço muito alto.
Não há como dourar a pílula: esta decisão é um retrocesso perigoso.
E não é apenas sobre educação — é sobre direitos. Sobre saúde. Sobre o direito a saber.
Como pessoa gay, como autor, como alguém que acredita que a literatura (e a educação) deve abrir portas e não trancar ideias — não posso ficar em silêncio.
Já não estamos a falar apenas de programas escolares. Estamos a falar de valores.
E os meus valores dizem-me que é preciso educar para prevenir, ensinar para proteger e ouvir para respeitar.
A educação sexual não é um luxo.
Não é um “tema sensível” para decidir depois.
É uma urgência. E é um direito.
🌈 Ficar calado agora é pactuar com o medo.
Falar — aqui, nos blogs, nas escolas, nas redes sociais, em casa — é resistir.
E educar, sempre que possível, é cuidar.
Nelson Pradinhos















