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Onde o Mar Encontra as Palavras

Entre silêncios, memórias e aquilo que ainda quero dizer

Onde o Mar Encontra as Palavras

Entre silêncios, memórias e aquilo que ainda quero dizer

Ter | 11.11.25

"Quando Vires um Gato Branco" de Saki Murayama

Nelson Pradinhos

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"Quando Vires um Gato Branco", trata-se de uma narrativa delicada e contemplativa, passada num grande centro comercial japonês onde quatro personagens — Isana, Sakiko, Kengo e Ichika — vivem entre sonhos, rotinas e desejos por cumprir.

Todos trabalham no mesmo espaço, cada um no seu pequeno universo, e todos carregam uma esperança comum: a de um dia encontrar o mítico gato branco de olhos diferentes — um azul e outro dourado — que, segundo a lenda urbana, traz sorte e cumpre os desejos de quem o avista.

A autora apresenta-nos personagens humanas e imperfeitas, que vivem entre o real e o sonho, entre o que foi perdido e o que ainda pode ser recuperado. Há quem espere reencontrar um amor antigo, quem anseie por reconciliação familiar, quem deseje apenas uma segunda oportunidade para ser feliz.

O gato branco, quase invisível, funciona como símbolo da fé silenciosa que nos mantém em movimento — esse acreditar em algo que talvez nunca se concretize, mas que dá sentido aos nossos dias.

A escrita de Saki Murayama é poética e serena, com descrições que evocam o quotidiano japonês de forma intimista, quase cinematográfica. É uma leitura que pede pausa, chá quente e contemplação.

No entanto, confesso que senti falta de maior profundidade emocional em alguns momentos. A história é bonita, mas avança com um ritmo lento, e nem sempre consegui ligar-me de forma intensa às personagens. Ainda assim, há uma doçura no modo como a autora fala sobre esperança, solidão e pequenos milagres que valem o caminho.

É uma leitura tranquila, ideal para quem gosta de histórias com um toque de melancolia e espiritualidade japonesa.

 

⭐ Classificação: 3 / 5